FIM DE ANO

Balanço de fim de ano. Por Paulo Renato Coelho Netto

Fim de ano. Como nas fases da Lua, na natureza o tempo é cíclico. Não existe como percebemos, a sequência linear com começo, meio e fim.

FIM DE ANO

Nesta época, é comum colocar na balança imaginária perdas e ganhos dos últimos doze meses.

O calendário individual não é feito com 365 dias. Cada um tem seu ano solar.

Vivaldi, por exemplo, compreendeu o ano em quatro estações. Primavera, verão, outono e inverno.

Para a floresta, o tempo é o canto da cigarra, a chuva, a fruta maturando, os peixes que sobem o rio para renovar a vida, a folha que cai, os pássaros cuidando do ninhal.

Como nas fases da Lua, na natureza o tempo é cíclico. Não existe como percebemos, a sequência linear com começo, meio e fim.

Quanto mais novos somos, mais invisível é a régua do tempo. A troca do dente de leite pelo definitivo, a esperada próxima turma, o lanche coletivo, a volta na quadra da escola em fila indiana.

O tempo não existe para quem é feliz.

O calendário começa para valer quando deixamos os brinquedos no quintal, passamos pela cozinha, os quartos, a sala de casa, atravessamos a calçada e chegamos à rua.

A primeira casa é a segunda placenta, útero a céu aberto. O teto nas estrelas, a mesa sobre a cabeça, o conforto do piso sob pequenos pés descalços. Os enormes sapatos de couro do pai, o forno quente do fogão a gás diante dos olhos.

Na primeira infância, o tempo é atemporal.

O tempo passa a existir quando o perdemos.

Neste ano, há os que se dedicaram a produzir seu melhor.

Existem os que desistiram, tornando-se coadjuvantes do próprio enredo, e os cansados que fizeram uma pausa.

Para alguns, o ano trouxe desafios inimagináveis.

Outros vão terminar o ano reclamando, como sempre, inclusive do tempo.

Para quem elencou prioridades em janeiro, chegou a hora de saber o que ficou ao longo do caminho e o que foi conquistado.

Assim como o tempo solar de cada um, conquistas são exclusivamente pessoais.

O momento da virada é qualquer um dos 365 dias.

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Paulo Renato Coelho Netto –   Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”.  Vive em Campo Grande.

 

capa - livro Paulo Renato

 

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