Rayssa Leal
E se ela fosse homem? Blog Mário Marinho

Neste domingo, o Estadão dedicou uma página inteira para aquela menina que apareceu como fadinha vestida de azul e que encantou todo mundo com sua graça e precisão de movimentos, mesmo com canelinhas fininhas, há uns 10 anos.
Ganhou o apelido de Fadinha.
Exatamente nesse domingo, a Fadinha completou 18 anos.
Hoje ela é reverenciada no mundo todo como uma das maiores expressões do skate mundial.
O skate, como se sabe, é um esporte relativamente novo.
Apareceu aqui no Brasil no começo dos anos 60, quando nós já éramos bicampeões mundiais de futebol.
Foi no Rio de Janeiro e ganhou o apelido de “surfinho do asfalto”.
Alguns esportistas batalharam por sua divulgação e implementação em outros estados.
Como o Torquato “Tico” de Souza; Carlos Roberto de Andrade, o Gordo; e Carlos Saldanha, o Formiga, para ficar nos três nomes mais icônicos.
Vinte anos depois, o skate começou a se consolidar como esporte, deixando de ser apenas diversão do asfalto para se tornar num esporte organizado, com competições e abrindo caminho para o Brasil que hoje é uma das potências mundiais do esporte.
Agora, imagina se a Fadinha tivesse nascido homem com toda essa classe e competência?
Ele não te lembraria um garoto mineiro, de Três Corações? Lembrando que Três Corações é uma cidade mineira onde ele nasceu. Por que, de verdade, ele tinha só um coração, porém imenso.
Assim como ela, Pelé se tornou campeão mundial antes de completar 18 anos. Foi no mês de junho de 1958, três meses antes dos 18 anos completados no mês de outubro.
Se a Fadinha fosse homem e jogasse futebol, estaria resolvido o problema da Seleção Brasileira.
Pense bem: quem é o melhor jogador de futebol do Brasil hoje? Bem, quem ficou com o título de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, nem brasileiro é: foi o craque Arrascaeta, do Mengão.
Giorgian Daniel de Arrascaeta Benedetti é um futebolista uruguaio, lembra-me o Google.
Quem é o nosso craque?
Cada vez mais difícil responder a essa pergunta.
Alguns, como eu, esperam por Neymar, assim como os portugueses durante anos e anos esperaram por seu rei Dom Sebastião, que desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.
Multidões se aglomeravam no porto de Lisboa à espera da volta de Dom Sebastião que foi e nunca mais voltou.
A esse movimento de fé e esperança, deu-se o nome de Sebastianismo.
Parecido com o Sebastianismo, estamos nós, aqui, à espera de um Neymar que foi para a Europa e nunca mais voltou.
Dizem até que o Santos tem um jogador com o mesmo nome.
Porém, colocado à prova em um campo de futebol, mostrou estar muito longe daquele garoto criativo e infernal que se mandou para o futebol espanhol.
E assim, como os sebastianistas, nós sofremos até para conseguir o direito de disputar a Copa do Mundo deste ano da graça de Deus de 2026.
É bom lembrar que foram seis vagas para os 10 países da América do Sul. E dá-lhe sofrimento.
Estará essa seleção pronta para disputar com os fortões da Europa?
Xi, sei não.
Mas se aquela menina tivesse nascido homem e se interessado pelo futebol, o problema estaria resolvido.
Mas Deus, em sua infinita sabedoria, a criou mulher.
Parabéns Rayssa Leal pela graça de seus 18 aninhos!
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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