KHAMENEI

KHAMENEI

Quem era Ali Khamenei, o chefe da teocracia iraniana ou líder e guia supremo do governo do Irã?

 Ali Khamenei
Ali Khamenei

Quem era Ali Khamenei, o chefe da teocracia iraniana ou líder e guia supremo do governo do Irã?

Vamos deixar de lado se Israel e os Estados Unidos têm o direito de bombardear o Irã, ou vamos deixar de lado uma pergunta parecida mas relacionada com outros países – a Rússia tinha o direito de invadir e tem o direito de manter uma guerra de quatro anos contra a Ucrânia?

Por uma questão de direito internacional e de respeito à soberania, a resposta seria “não”, mas por uma questão política, que alguns poderão qualificar de hipocrisia, quem justifica a invasão da Ucrânia pela Rússia condena os ataques ao Irã pelos EUA e Israel e vice-versa.

Mas a figura do aiatolá Khamenei consegue uma unanimidade de avaliação? O sucessor do aiatolá Khomeine, líder da revolução iraniana que derrubou o Xá Reza Phalevi, que desde 1989, até ontem, encarnava o Guia Supremo da Revolução Islâmica Iraniana, isso durante 37 anos, pode ser saudado na sua morte, ou assassinato, como um herói?

Ou será, como resume o jornal francês Le Monde, que Khamenei encarnava o governo islâmico, decidindo a linha política interna e externa do país e no seu reinado optou por um endurecimento do regime e por uma repressão feroz de toda conestação? Ele era autoridade suprema e guardião do dogma teocrático. Ou, fazendo-se um resumo – era um tirano.

E surge, então, uma pergunta – quando os tiranos são aceitáveis e mesmo glorificados? O cinema brasileiro da época da ditadura denunciava os militares tiranos da época, o cinema iraniano denuncia os crimes da tirania iraniana.

E por uma feliz coincidência, dois filmes denunciam a tirania e concorrem mesmo ao prêmio Oscar. O agente secreto trata da ditadura brasileira, do coronel Ustra, do Doi Codi; e o filme Foi Apenas um Acidente trata da repressão iraniana, crimes e torturas, durante a teocracia iraniana. Ou a repressão, a tortura, a tirania têm pesos diferentes segundo o cenário político e econômico internacional?

Desculpáveis e elogiáveis ou condenáveis e puníveis?

LEIA TAMBÉM: Guerra. Acabou a dança da paz. Por Rui Martins

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  • Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –

https://www.youtube.com/@rpertins


Rui Martins – Direto da Suiça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI

 

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