Dérbi: pouco futebol, muita baixaria. Blog Mário Marinho
Dérbi: pouco futebol, muita baixaria

Se houvesse lógica, seria possível afirmar que um time que lidera uma competição e o franco favorito para vencer o embate contra outro que está em humilde 11º lugar.
Mas o futebol não conhece essa palavra – lógica.
Assim, Palmeiras e Corinthians fizeram um dérbi fraco, fraquíssimo, na noite de domingo.
Bom mesmo a presença de público: quase 47 mil pagantes – muita gente, principalmente para um jogo na noite de domingo.
Dentro de campo, infelizmente, as coisas não foram bem.
O Palmeiras parecia o 11º colocado, retraído, retrancado, como um coelho assustado.
O Corinthians teve maior posse de bola, porém sem saber direito o que fazer com ela.
Ainda nos primeiros minutos de jogo, as coisas mudaram quando o volante corintiano André que sofreu uma falta normal no meio de campo, resolveu sacudir as vergonhas penduradas para outro jogador.
Um gesto chulo, ordinário, reles, vil – escroto, com perdão do trocadinho sem vergonha.
Demonstrou que além do total despreparo do jogador para a convivência social, não tem memória, pois dez dias antes outro jogador corintiano havia sido expulso pelo mesmo gesto despudorado e escrotal.
Assim como o Corinthians não soube o que fazer com aquela posse de bola, também o Palmeiras não soube o que fazer com a vantagem de um jogador a mais.
O jogo foi também mostrando outra faceta ruim do nosso futebol.
Os times entram em campo não mais pensando em vencer, mas sim pensando em fazer o outro perder.
A primeira vítima dessa atitude é o juiz que passa a ser contestado em qualquer que seja o momento – até mesmo a cobrança de um lateral marcada no meio do campo, sem o menor perigo para ninguém é motivo para que se aglomerem em torno do juiz na clara intenção de desestabilizá-lo.
Um jogador que cai por um esbarrão natural e normal em um jogo de futebol, já levanta de peito estufado e nariz arrebitado para o infeliz que o derrubou.
Daí a sacudir as vergonhas penduradas é um passo só.
Em um determinado momento, ainda no primeiro tempo, o lateral Matheusinho, do Corinthians, agarrou um adversário e recebeu cartão amarelo.
Comentei com minha fiel e Primeira Dama deste blog:
– Esse cara é um idiota. Comete uma falta boba como essa, que ele sabe que vai dar em cartão amarelo, e corre o sério risco de receber outro e ser expulso.
Não deu outra: no segundo tempo, ele recebeu outro cartão amarelo por agressão ao excelente Flaco Lopes.
Só que o VAR, sempre atento, chamou o juiz para rever o lance, sugerindo que era caso de cartão vermelho direto.
E foi o que aconteceu.
O Corinthians teve que virar um Timão com apenas nove jogadores em campo para suportar e resistir ao domínio e à pressão do líder Verdão.
Conseguiu.
Para provar que a lógica está longe de existir no futebol, os dois lances de maior perigo de gol no jogo foram propiciados pelo Corinthians com seus bravos nove resistentes guerreiros.
O primeiro quando o goleador Yuri Alberto arrancou desde o seu campo, perseguido pelo desesperado zagueiro palmeirense e chegou até o gol do grandalhão Carlos Miguel.
A torcida já estava pronta para gritar gol, quando o centroavante chutou e o grandalhão com seu quilométrico braço esquerdo conseguiu defender.
Gol perdido ou grande defesa?
Yuri Alberto, normalmente, não perde um gol deste.
Então é preciso analisar com calma: a corrida dele começou ainda no campo corintiano. Quando ele chegou à meta adversária, já não estava totalmente equilibrado.
E aí ele tem apenas um milissegundo de tempo para definir: tento jogar por cima, na cavadinha, ou chuto por baixo do grandalhão?
O gol não saiu.
A segunda grande oportunidade de gol ocorreu quando a bola foi alçada na área corintiana.
Na vontade de tirar aquela bola perigosa de sua área, o zagueiro Gabriel Paulista acabou tocando-a para o seu próprio gol.
Se do outro lado, apareceu um Carlos Miguel com seu braço quilométrico, do lado corintiano apareceu o Homem Borracha que se esticou todo para fazer a defesa.
Assim, o dérbi terminou num 0 a 0 que, mais do que o placar, serve de nota para os dois times.
Só que a baixaria não terminou aí.
Findo o jogo, eis que seguranças dos dois times, mais alguns jogadores e alguns diretores, resolveram se engalfinhar numa luta no túnel que leva aos vestiários.
Mais pareceram duas gangs de bairros: a rua de baixo contra a rua de cima.
Agora as autoridades vão ter que tomar outra providência: no caso de clássicos além de uma torcida só, como é agora, o time visitante vai ter que usar o seu próprio vestiário.
Ou seja: para o jogo do segundo turno, como o jogo será no Allianz Parque (ou já será NuParque, NuBank ou outro nome?), somente o Verdão poderá usar os vestiários.
Os corintianos já sairão de Itaquera uniformizados e, assim que acabar o jogo, eles entram no ônibus e vão tomar banho em casa.
Era o que faltava.
Veja os gols do Fantástico:
https://youtu.be/9Zu8D53trfU?si=lQu6ayEiUTuxoGWG
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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