O sufoco do Timão. Blog Mário Marinho

Não é nenhuma novidade o time do Corinthians levar sufoco em seus jogos.
Aliás, o próprio corintiano se orgulha de ser um sofredor.
Mas o joguinho apresentado na noite desta quarta-feira, no El Campin, em Bogotá, foi muito abaixo dos padrões não muito exigentes dos corintianos.
O Corinthians encontrou tremenda dificuldade em sair jogando de sua área, como o técnico Fernando Diniz exige.
Isso fez com que o time trocasse passes entre seus zagueiros constantemente.
A troca de passes deu aos corintianos maior tempo de posse de bola.
Mas é um número enganador já que não levava nenhum perigo ao time adversário.
A bola ia até o meio do campo e voltava para a defesa.
Lá na frente, Yuri Alberto ficava isolado, como um monge tibetano.
Houve uma melhora no segundo tempo, mas, melhora mesmo, de verdade, só depois de sofrer o gol do Santa Fé, no início do segundo tempo.
O empate veio somente aos 90+3 minutos do segundo tempo, ou seja, aos 3 minutos dos 5 que o árbitro mandou acrescentar.
Mais uma vez, o gol veio de bola alta, cruzada, na medida para o eficiente zagueiro Gustavo Henrique marcar.
Empate não foi de todo ruim, pois o Timão continuou na liderança de seu grupo.
Já o futebol apresentado, esse sim, deixou muito a desejar.
Confusão
no final
Dois minutos após o gol salvador do Corinthians o juiz terminou o jogo.
O ótimo goleiro Hugo Souza levantou os braços e comemorou efusivamente a derrota que foi evitada.
Ele estava de frente para a torcida colombiana.
Na sequência, ele se virou para o campo de jogo, fez um gesto agradecendo aos céus e se ajoelhou para outros agradecimentos, como sempre faz.
Foi aí que um atacante do Santa Fé se encheu de ódio, considerou aquela comemoração uma provocação e não teve dúvidas: partiu pra cima do goleiro.
Os outros jogadores colombianos que, com certeza, nem sabiam o que estava acontecendo, também partiram para cima do goleiro Hugo.
Não fosse a pronta intervenção de outros corintianos, inclusive os que estavam no banco e do próprio técnico Fernando Diniz que tratou de proteger e tirar o goleiro da confusão, o resultado desse bololô poderia ter sido trágico.
Ah! Mas é a Libertadores, exclamará alguém.
Não, não é a Libertadores: é a grosseria, a incivilidade, a selvageria que impera em nosso sofrido futebol.
Essa falta de paciência que a gente vê no dia-a-dia, com pessoas se agredindo, se desrespeitando e até esfaqueando, como aquela moça que agrediu o cabelereiro por não gostar do corte de cabelo que ele fez, essa falta de paciência, repito, está tomando conta e atrapalhando o nosso futebol.
Qualquer jogadinha no meio do campo, um jogador vai ao chão, rola por alguns quilômetros e quando levanta já vem de peito estufado para cima do adversário.
Um absurdo.
Um absurdo que vai tornando o nosso futebol, principalmente o sul-americano, cada vez mais chato.
Veja os gols da quarta-feira:
https://youtu.be/bd0DRLCQH9k?si=n3rfL2KqZlxv4M8O
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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