Augusto Cury
Um psiquiatra como estadista na Presidência. Por Aylê-Salassié F. Quintão
O ALIENISTA: A FORÇA DAS ELEIÇÕES VIRÁ DO CENTRO, E NÃO DOS PÓLOS.
É o que, aparentemente, se precisa diante dessa mobilização anárquica pelo País: um psiquiatra. Surgiu Augusto Cury, médico, pesquisador da mente humana, autor de quase 40 milhões de livros de autoajuda, preocupado com os desorganização institucional do Brasil…

O brasileiro acaba de ganhar uma nova opção para votar para Presidente da República nas eleições de outubro. É o que, aparentemente, se precisa diante dessa mobilização anárquica pelo País: um psiquiatra. Surgiu Augusto Cury, médico, pesquisador da mente humana, autor de quase 40 milhões de livros de autoajuda, preocupado com os desorganização institucional do Brasil, a saúde mental do brasileiro, as expectativas de futuro da juventude, bem como as tendências comportamentais dos políticos atuais. O Brasil tem tradição de transgressão e violência.
Cury é candidato pelo Avante, partido que surgiu de uma dissidência do trabalhismo (PTB, também conhecido como PTdoB). É considerado de centro, pragmático, com presença marcante em legislativos estaduais e municipais. O nosso respeitável psiquiatra desenha com cuidado alternativas para fugir dos vícios do mandonismo e do populismo em que “… se dá com uma mão, e se tira com a outra”, práticas temperadas nesses últimos anos por frustrações e o cultivo sistemático do ódio rasteiro.
As ” Aves de Rapina” (Getúlio) inspiraram os correligionários a mudar-lhe o nome para Avante, identificado pelo número “70”. Buscaram algo mais compatível com as demandas da sociedade atual, submetida sistematicamente às políticas fluídas. Situa-se na crista da onda eleitoreira, buscando o espaço restante, fora da bipolaridade, disponibilizado pelo novo pleito. O trabalhismo retomou uma certa evidência pública por meio da atuação de alguns parlamentares, entre os quais o deputado federal André Janones, com protagonismo amplo nas redes sociais e no Congresso Nacional. O número de registro “70” posiciona-o como uma legenda que investe em bases petebistas submersas e remanescentes entre prefeitos, vereadores e parlamentares estaduais.
Como cientista da mente, Cury assiste de longe dramas, de um lado, e de outro uma festa com financiamentos silenciosos, sobretudo do BNDEs, em estilo chinês, apoiando projetos de ” empresas irmãs”.
Surpreende-se ao ver, não mais exclusivamente a Petrobras, mas entre elas a JBS (JIS) envolvida no processo. O psiquiatra está concentrado, entretanto, em desvendar e desconstruir o radicalismo que aprisionou o brasileiro a promessas não cumpridas, estatísticas fantasiosas, narrativas falsas e mentiras explícitas. Sem pretender viver de alegorias ou de um exotismo, afirma que, se eleito, vai tentar reconfigurar a Justiça no Brasil, procurando dar aderência ao Estado apenas a pessoas juridicamente qualificadas e mais humanamente generosas. Considera a anistia, e entende o caso estigmatizado como “Débora do Batom” como um desrespeito à cidadania. Seria cobrado dos ministros a obediência à Constituição e às leis vigentes, histórico pessoal ilibado e a desvinculação total da política partidária. O “presidencialismo “, com perfil narcisista ou polarizado estaria fora de cogitação. Tentará um apaziguamento de ânimos.
Ao tomar posse em fevereiro de 2027, o Presidente da República terá a seu favor a prerrogativa de indicar três candidatos à ocupação, no Supremo, das vagas de Luís Fux, 2008; Cármen Lúcia, 2009; e Gilmar Mendes, 2030, que atingirão a idade limite da aposentadoria compulsória durante o novo mandato presidencial. Haverá ainda a vacância de seis lugares de ministros em outros tribunais (Trabalho, Justiça, Eleitoral, Militar e Procuradoria Geral). Preocupa mesmo é se o novo ocupante da chefia do Executivo revelar-se uma personalidade ideologicamente forte ou menos disciplinada tentando novamente criar blocos (Turmas) no Judiciário, o que, para o leigo, evidencia algo próximo de um pensamento homogêneo. Não parece digerível. É pernicioso para a instituição, ao aproximá-la da ideia de um corporativismo. Tenderá ceder às pressões e a acomodar o assédio judicial, por meio de processos criminais ou de decisões jurisprudenciais, originados do Executivo.
A rejeição, no Senado, do candidato a ministro do STF, Jorge Messias, e aos vetos do Projeto de lei da Dosimetria, deram certa visibilidade para esse tipo de homogeneização política na Corte, terminando por expor “folhas corridas” de protagonistas que, há muito, vem tentando contaminar a hermenêutica jurídica com suas interpretações parciais e convenientes, dando-lhes legitimidade em decisões e julgamentos virtuais e até monocráticos. É preciso examinar isso, Dr. Cury.
A polaridade política interna que tanto preocupa o nosso psiquiatra alimenta a interrupção de planos, programas e projetos que, sucessivamente, um governo nega ao outro, ao longo das alternâncias de gestão. Vêm atrasando o Brasil há quase 30 anos, ao interromper um processo de desenvolvimento e modelos de administração da coisa pública, afetando uma cadeia de empregos na área privada. Alimenta-se a polaridade, lançando problemas e ambiguidades na arena das divergências e, através dela, destila-se o ódio contra quem pensa diferente. Nunca houve meio termo. Enquanto os políticos se ocupam dessa politicagem errática ignoram a devassa que as novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, estão fazendo no mercado de trabalho humano. O aumento da carga fiscal é respondido com a adoção de novas tecnologias.
Cerca de 8 milhões de jovens profissionalizados perambulam por aí como apenas números e estatísticas oficiais insensíveis, anunciando excessos da oferta de emprego. Os presídios mantêm encarcerados cerca de 800 mil pessoas. Metade da população brasileira está endividada, 60% de idosos, a maioria vítima de uma gangue que manipulava as contas do INSS. Esse cenário é agravado por uma inflação subdimensionada, o subemprego, o desemprego, os salários congelados, o desvio de salário de aposentados, os roubos no Banco Master, a quebra do Correio o desvio da poupança do sistema produtivo para o rentismo financeiro. Criou-se um buraco nas contas públicas. O Tesouro propõe-se a cobrir, e nunca mais se fala no dinheiro que desapareceu. O cidadão não come narrativas.
Estamos há quase duzentos anos da “Primavera dos Povos”, de 1848, que provocou em toda a Europa levantes liberais, nacionalistas e socialistas unindo burguesia e operários contra o absolutismo, que governava por gestos. Foi impulsionada por crises econômicas e fome. Desdobrou-se em reações violentas por todo o continente e depois pelo mundo. No Brasil chegou um pouco tarde por meio do anarquismo do final do século XIX, que, na metade do século passado, abortou, essa tal de bipolaridade, ganhando, entretanto, um perfil caipira, meio “selvático”, com a disseminação dos tais dossiês.
Atropelar, portanto, a história, é complicado. Nem os militares conseguiram. Em muitos países houve retrocessos. Torço para que antes que o povo brasileiro se interne em um hospício machadiano (O Alienista), o doutor Augusto Cury ganhe as eleições. Até que enfim, suponho, chega gente qualificada para governar o País. Reclama-se por um estadista. Um dos primeiros passos – sugiro – será decodificar esse discurso anárquico e oportunista de “Democracia”, que termina confundindo a todos e privilegiando interesses de pequenos grupos.
É nele que está a chave da governança do Brasil neste momento.
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