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Um Spike Lee diferente. Por Wladimir Weltman
UM SPIKE LEE DIFERENTE VOLTA A TELA EM GRANDE FORMA E BELA MENSAGEM


Por cinco anos, Spike Lee não lançou nenhum filme. O mais recente foi em 2020, com o filme Da 5 Bloods. Agora ele volta com carga total como o seu Highest 2 Lowest um filme de aparente suspense policial, que é um remake do filme de Akira de 1963. O filme é estrelado por Denzel Washington, Jeffrey Wright, e o artista de rap ASAP Rocky. É a quinta colaboração entre Lee e Denzel Washington.
Highest 2 Lowest fala desse produtor musical de sucesso, David King, fundador da Stackin’ Hits Records, que no dia em que vai fechar um acordo milionário o seu filho é sequestrado. A partir daí o filme apresenta uma reviravolta atrás da outra. Além da crescente tensão também aborda questões atuais que envolvem o mundo das celebridades, as negociatas do mundo de entretenimento americano, que beiram ao gangsterismo e a valorização da fama e do dinheiro acima de tudo. Algo que hoje vemos envolvendo figuras como Sean “Diddy” Combs, Keany West e outros.
Highest 2 Lowest, explora temas como a responsabilidade social do sucesso e a mercantilização da arte na indústria de entretenimento. O filme investiga o peso de tudo isso sobre um homem negro na indústria musical, e questiona o que um artista deve à comunidade que o apoiou e a si mesmo.

Segundo o The New Yorker, publicação americana das mais respeitadas, num artigo de Richard Brody, o filme Highest 2 Lowest marca uma guinada conservadora para o iconoclasta Spike Lee: “É fascinante quando cineastas fazem mudanças drásticas no final da carreira, como Martin Scorsese fez com O Lobo de Wall Street e Francis Ford Coppola fez recentemente com Megalópolis. Agora é a vez de Spike Lee, e em seu novo drama, Highest 2 Lowest, ele muda de forma surpreendente.“
Não posso explicar isso melhor sem dar “spoiler”, o que não me parece justo com Spike Lee e seu filme, que tanto gostei. Mas posso dizer que o diretor neste filme diz que a ganância, a falta de caráter, humanidade e decência, principalmente no universo musical dominado por artistas negros, está fugindo ao aceitável e precisa ser redimensionado. A busca pela celebridade imediata, até através da violência e não do talento, não é algo sadio.

Dito tudo isso, achei o filme excelente. Obra de um diretor maduro que sabe fazer cinema como poucos. Tive o prazer de assistir o filme em sua companhia, numa casa cinematográfica no alto dos Hollywood Hills, bem no estilo da capital do cinema. Com direito a comes e bebes, e a um show da estrela musical que o filme lança numa cena marcante do filme, a cantora Aiyana-Lee no papel de Sula, amiga do filho do produtor e que acaba contratada pela gravadora.
Não percam Highest 2 Lowest. Vão gostar.
( Crédito fotos: Gaby Atherton)
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WLADIMIR WELTMAN – é jornalista, roteirista de cinema e TV e diretor de TV. Cobre Hollywood, de onde informa tudo para o Chumbo Gordo.
_________________________(DIRETO DE LOS ANGELES)
