Carlo Ancelotti
Últimos capítulos. Blog Mário Marinho
Últimos capítulos…

No final dos anos 1980 – com direito a repeteco recentemente – a pergunta que o Brasil não se cansava de fazer era: “Quem matou Odete Roitman?”
Todos perguntavam e ninguém sabia responder.
Hipóteses eram levantadas, situações criadas, discussões pipocavam aqui e ali – mas nada de uma resposta assertiva confiável.
O enredo se repete agora, como se fosse a novela criada pelo gênio Aguinaldo Silva cheia de suspenses até o último minuto:
Neymar vai ser convocado?
Como já foi dito aqui, o brasileiro ama odiar o Neymar.
Ele é mascarado, é prepotente, é irresponsável e por aí vai.
Como bom roteirista, Carlo Ancelotti assim que concedeu sua primeira coletiva no Brasil, criou a polêmica.
Ao fala sobre Neymar, ele foi categórico:
– Ele é um jogador excepcional. Acima da média. Tem lugar em qualquer time desde que esteja bem fisicamente.
Há pouco dias voltou a falar sobre o assunto:
– Ele (Neymar) está melhorando.
Mas se esquivou de quantificar o quanto melhorou e muito menos de esclarecer se havia melhorado o bastante para ser convocado.
O jornalista e blogueiro Rica Perrone escreveu carta endereçada a Carlos Ancelotti com alguns pontos interessantes:
– Se você não convocar o Neymar e o Brasil não ganhar a Copa, a culpa será exclusivamente sua.
– Se você não convocar e o Brasil for campeão, sempre faltará alguém na foto do time campeão. Você não será perdoado. Jamais.
A novela só terminará na segunda-feira, quando ele, Ancelotti, divulgar os seus 26 convocados para a Copa dos Estados Unidos.
Como todo mundo tem direito a opinião, vou logo adiantando a minha: será convocado e até titular.
Seremos campeões?
Só se houver muita superação: nosso atual time não deve fazer feio na Copa, mas ser campeão já é outra história.
Com a
velocidade da luz
É incrível com o fator tempo, no Brasil, pode ser tão improvável, tão difícil de se definir.
Nós temos obras que se arrastam pelo País inteiro sem chegar a uma conclusão.
Processos, então, nem se fala.
Arrastam a passos de tartaruga e chegam a demorar décadas para sua conclusão.
Mas outras decisões vêm assim, em cima da hora.
Nesses últimos dois dias viralizou na internet uma declaração do atual presidente do São Paulo, dramática e definitiva:
– Não, não vou mandar ninguém embora. Não, não vou contratar. O São Paulo não tem dinheiro para isso. Ainda estou pagando multa pela rescisão do Dorival e do Crespo. E eu não tive nada a ver com isso.
Bastou a derrota, 3 a 1, para o Juventude e a consequente eliminação da Copa do Brasil para que o técnico Roger Machado fosse demitido lá mesmo, no vestiário, após a derrota.
Pintou dinheiro? É claro que não. E as multas? Bem, isso veremos mais tarde.
Ou como dizia meu sábio professor de matemática, Manoel Doro, nos tempos de ginásio no colégio Tiradentes, em BH:
– Problemas posteriores serão resolvidos posteriormente.
Outra situação que mudou em pouquíssimas horas.
Ao sair o Congresso, no começo da tarde de ontem, o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República, foi questionado pelos jornalistas a respeito de ligações com Vorcaro, aquele do banco Master.
O senador deu forte gargalhada.
– Tem nada a ver. Nada.
O jornalista insistiu e foi chamado pelo senador de “militante”.
Virou as costas e saiu sem dar atenção a mais ninguém.
Poucas horas depois, o mesmo Flávio Bolsonaro divulgava em vídeo um depoimento em que confirmava o contato com Vorcaro solicitando a ninharia de R$ 120 milhões para fazer um filme sobre o pai – aquele que, volta e meia, tem problemas de soluço.
Como as coisas mudam, não?
E vazaram mais conversas entre os dois, demonstrando até muito afeto.
Numa delas, diz o Senador.
– Estarei compre contigo.
Parece até declaração de amor…
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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Ancelotti já foi taxativo:
“Não vou jogar uma bomba no vestiário”