ASSUMIU VINI JR

Ele assumiu…

VII JRASSUMIU
VINI JR.

Quem me acompanha aqui, sabe minha posição: eu sempre fiz restrições às atuações do Vini Jr.: sempre o considerei o melhor ponta-esquerda do mundo, mas não o melhor jogador.

Em uma entrevista antes do jogo contra a Escócia, Vini Jr disse:

– O Mister quer que eu jogue pelo meio. Mas eu gosto mesmo é jogar na ponta. Porém, os gols estão saindo em jogadas pelo meio. É lá que eu vou jogar.

E deu no que deu: vitória incontestável do Brasil, 3 a 0, dois gols de Vini – ambos pelo meio. Poriam ter sido três gols, não fosse a anulação do terceiro gol pelo juiz, depois de consultar o VAR.

O comentarista de arbitragem da Globo, o excelente ex-árbitro Paulo César Oliveira, considerou errada a atitude do juiz de jogo.

Aliás, aqui cabe parêntesis: por que a Globo tirou do ar os comentaristas de arbitragem? Fecha parêntesis.

Voltando ao Vini: os dois gols e o terceiro mal anulado nasceram de jogadas pelo meio.

Aqui no meu cantinho, eu sempre contestei o técnico Abel Pereira  por insistir em escalar o Endrick – e depois o Estêvão) na ponta.

Se o jogador é bom, sabe driblar e sabe chutar a gol, ele deve estar ali pelo meio, onde as coisas acontecem.

É também uma birra que eu tenho quando vejo o Neymar cobrando escanteio: lugar de jogador bom é lá na área que os comentaristas antigos (como eu) chamavam de Zona do Agrião.

Por que agrião? Não sei.

Voltando ao jogo, a vitória, repito, foi incontestável.

Interessante o futebol apresentado pelo Brasil.

Foi bonito, mas não arrebatador, encantador.

Mas eficiente.

Abrimos mãos dos dribles, à Garrincha, dos lançamentos, à Gerson, das arrancadas fulminantes de Pelé em direção ao gol adversário.

Ao invés disso, trocamos a bola entre os defensores e o meio campo até que alguém da frente consiga se deslocar e abrir espaço na defesa adversária.

É um jogo de paciência que deu certo.

A Seleção mostrou, pela primeira vez nessa Copa e em outros jogos, amistosos ou não, um time bem treinado e entrosado.

Próximo

adversário.

Holanda, Japão e Suécia. Quem será o próximo?

Claro que eu não sei. Mas a minha ordem de preferência é:

1 – Suécia

2 – Holanda

3 – Japão.

A Suécia não é um time da prateleira mais alta do futebol da Europa.

É um time com suas limitações, mas, muita aplicação.

Tem dois atacantes perigosos: Viktor Gyökeres (Arsenal) e Alexander Isak (Liverpool).

Mas de um modo geral é um time que joga e deixa jogar.

A Holanda é mais forte do que a Suécia.

Seus jogadores mais perigosos são: o zagueiro e capitão do time Virgil van Dijk, o meia Frenkie de Jong e tem o artilheiro Memphis DePay, que todos nós conhecemos bem.

Quanto ao De Pay, é torcer para que ele repita suas últimas atuações defendendo o Corinthians, quando não vem fazendo absolutamente nada.

O Japão me assusta porque não me parece uma seleção de jogadores de futebol, mas sim um exército com soldados que entram em campo (de batalha) e cumprem rigorosamente aquilo que foi determinado pelo técnico (comandante).

Ninguém faz nada além do previsto. Mas não deixa de fazer.

Quando é atacado, se fecha com a determinação de guerreiros kamikazes, disputando a bola como se daquilo dependesse sua vida.

E quando ataca, o fazem numa velocidade de corrida de 100 metros numa Olimpíada.

São muito perigosos.

Uma rápida pesquisa aponta como pontos altos da Seleção Japonesa: Takefusa Kubo (meia-atacante do Real Sociedad), Ritsu Doan (camisa 10 e meia do Frankfurt), além da forte dupla de zaga formada por Takehiro Tomiyasu e Ko Itakura.

De todo jeito, não dá para escolher o adversário.

O que aparecer tem que ser batido. Ou volta para casa – o que não queremos.

Mas estou otimista. Sempre com o pé no chão!

E a volta

de Neymar?

Gostei muito da atitude do técnico Carlo Ancelotti de colocar Neymar, ainda que apenas por 14-20 minutos.

Acho que o Neymar também deve ter ficado muito contente e até emocionado ao ouvir a torcida brasileira, em peso, gritando seu nome no estádio.

Quanto à sua atuação, foi aquilo que qualquer pessoa normal do futebol esperaria: um jogador que está fora das convocações há três anos e que há um mês não joga uma pelada sequer, não poderia entrar em campo e fazer uma apresentação acima da média.

Mas ele está pronto para entrar no próximo jogo.

Sempre lembrando o que digo e repito aqui: ele é um craque, mas já tem 34 anos e muitas contusões.

Não é um salvador da pátria amada.

Veja os gols da vitória brasileira, em crônica do excelente Pedro Bassan:

https://youtu.be/EyY_tp5AJ2U?si=bpc-9LKsCY3PhQh5


Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

 

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