sofrimento

GABRIEL MARTINELLI

Valeu o sofrimento, Brasil! Blog Mário Marinho

 Valeu o sofrimento, Brasil

sofrimento
GABRIEL MARTINELLI

E bota sofrimento nisso!

É muito sofrimento para um torcedor, como eu, que entra em campo para atacar e volta correndo para a defesa tentando parar o contra-ataque inimigo.

Quando eles atacavam, a impressão que eu o torcedor sentíamos era do ataque de uma esquadra japonesas com pilotos kamikazes dispostos a enfrentar e vencer qualquer perigo que aparecesse.

Confesso que ao longo desta longa estrada da vida de torcedor nunca sofri tanto assim com a amada Seleção Brasileira.

Você vai perguntar: nem nos 7 a 1?

Não, naqueles 7 a 1 não houve tempo para sofrimento. Ao final do jogo, o sentimento não foi tanto de sofrimento, mas de absurda e absoluta perplexidade.

Nunca tive decepções com a Seleção? É claro que sim.

Porém, sofrer assim, minuto a minuto durante mais de uma hora…

Não, assim não.

Todos nós sabíamos que os japoneses são muito velozes e muito disciplinados taticamente.

Eles não dariam espaço.

Como, de fato, não deram.

Mas ninguém contava com o gol deles aos 29 minutos do primeiro tempo.

Uma simples falha na defesa resultou em Japão 1 a 0.

Os jogos difíceis são decididos assim, em pequenos detalhes.

Sempre há a esperança de que vai dar tempo para virar.

Mas terminou o primeiro tempo e nada.

Mal começou o segundo tempo, aos 10 minutos, empatamos.

Quis o destino que o autor do gol fosse Casemiro, o mesmo Casemiro que falhou no gol japonês.

Daí, foi mais de meia hora de sofrimento.

Toda vez que um japonesinho escapava em velocidade pelas pontas, eu já via a bola balançando nossas redes.

Até que nos acréscimos Gabriel Martinelli conseguiu mandar para as redes deles com o gol da virada.

Da virada e da vitória.

Mas o que houve com o tão decantado futebol brasileiro?

Primeiro é preciso analisar o adversário.

O Japão já não é mais o mesmo.

Não se trata mais daquela turma que corria desembestada atrás da bola como se fosse um bando de cabras espantadas.

E os brasileiros têm muita participação nisso.

Após a aposentadoria do Flamengo, ainda com muita energia e futebol de craque,  Zico foi jogar lá, tentando ensinar o que parecia ser impossível: ensinar japonês a jogar bola.

Depois assumiu a Seleção Nacional japonesa.

Até hoje, ele é lembrado naquelas lonjuras como ‘kamisama’ (termo em japonês para ‘Deus’ ou ‘divindade’, usado ali como o Deus do Futebol).”

Por lá também passaram com sucesso Toninho Cerezo e Nelsinho Batista, entre muitos outros.

Eles aprenderam a jogar futebol.

No jogo de hoje vimos mais jogadas individuais, como dribles, por parte do time japonês.

Aliás, esse é um grande problema no nosso futebol que precisa ser analisado com mais calma: nós não chutamos de fora da área.

É comum ver no Brasileirão atacantes tentando entrar com bola e tudo para marcar o gol.

Vimos também isso no jogo desta segunda-feira: Rayan é um jogador celebrado por seus dribles ali na altura da ponta direita que terminavam em gols no Vasco da Gama.

Hoje o que mais se viu foi Rayan tocando bola para trás ou para o lado. Não me lembro de um só drible que ele tenha dado.

E Endrick? Normalmente um grande driblador, um foguete em arrancadas fulminantes, chegou a invadir a área em uma jogada, mas ao invés de chutar para o gol, passou para outro jogador que estava atrás.

Vini Jr. também foi muito econômico nos seus dribles.

Mas não havia espaço, você há de exclamar.

O espaço, meu amigo, se cria.

No futebol de salão há muito menos espaços e mito mais dribles.

Enfim, o sofrimento não foi só nosso, pois lá dentro de campo eles os nossos jogadores também sofreram.

O que eu espero é que esse sofrimento todo seja transformado em energia, em força, em resultados positivos nos próximos jogos.

Costa do Marfim ou Noruega?

Um dos dois será o próximo adversário do Brasil.

Teoricamente será mais fácil jogar contra a Costa do Marfim, país que já festejou a façanha de sua seleção nesta Copa.

Mas quem gosta de um bom futebol há de preferir a Noruega: um time mais forte, dono de um futebol mais técnico, bonito de se assistir.

Sim, poderá ser um jogaço.

Mas tenho medo.

Prefiro Costa do Marfim.

Veja os gols:

https://youtu.be/AhpmDBxtOUc?si=EQpAiDJSxA9pYNL4

 

Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

 

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