Formas nacionais de movimentos para sobrevivência. Por Marli Gonçalves
Preparem-se. Apertem os cintos… Aliás, apertem tudo. Vamos lá que a temporada de movimentos obrigatórios para superar o cenário nacional está aberta. Eleições, tumultos, conversas fiadas, reajustes de tarifas de tudo o que a gente usa. Mais tarifaços. Para esquentar, que nada chega para refrescar, o El Niño já está entre nós. Vamos lá.

Cuidado. Abaixa! Desvia. Corre! Apertem os cintos. Não é que o piloto sumiu. A briga estará na condução da direção, muitos querendo o posto, um empurrando o outro, e adivinha só – o espelho está aí – quem está no tal avião aguentando as turbulências por conta do empurra-empurra. Como os preços já sentiram a condição, vamos apertar os cintos literalmente para as calças não caírem. E sem usar as tais canetas.
Aliás essas viraram coqueluche desenfreada. Até os restaurantes, com esse álibi, começaram a diminuir o que vem nos pedidos; não o preço, claro. Nada de gourmetização nem daqueles pratos enormes com pequenas porções arrumadas lindamente no centro – agora é geral. Já viram quanto está o preço do quilo nos self-services?
Assim, aprenderemos novos movimentos e até apuração dos sentidos, como tatear no escuro para economizar energia elétrica. Podemos estudar mais o crudivorismo, a dieta baseada no consumo de alimentos crus ou aquecidos a temperaturas menores, para economizar o gás. Se bem que esta dieta depende que comamos frutas, legumes, sementes e se você andou por feiras e supermercados deve lembrar toda hora com muita nostalgia dos preços do passado.
Bambolê, um bom e barato equipamento para aprender a desviar de tantas armadilhas pode ser um bom investimento, aquele aro girado ao redor da cintura, membros ou pescoço, para estimular a coordenação motora, o equilíbrio e o fortalecimento. No mínimo vai se distrair, se divertir, porque fácil não é. Rebolar, a gente já vem rebolando.
Por conta da violência geral, inclusive política, no dia a dia estamos aprendendo, adultos, a correr e a jogar melhor a “queimada”, nos esgueirando não só para usar o celular em cantinhos mais seguros para não o ver sair correndo de carona nas mãos de ladrões lépidos de moto ou bicicleta. Já viram que muitas lojas instalaram placas nas portas proibindo que tentemos nos abrigar ali para isso? Ninguém quer ajudar mais ninguém, que horror onde chegamos!
Brincadeiras (e realidade) à parte, agora que a Copa acabou e tomamos mais uma tunda de atordoar, o segundo semestre se apresenta em todo seu esplendor. Beba bastante água, que frio e calor nessas variações térmicas inacreditáveis vão maltratar nossa saúde e precisaremos dela enquanto o tal El Niño piorar ainda mais o clima, e o garoto está chegando com força no mundo todo. Aliás, um tema, como muitos outros que nos são fundamentais, ignorados solenemente quando poderiam ser previstos e atenuados.

MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagens por alguns dos principais veículos, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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