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Los Hermanos, Feras! Blog Mário Marinho

Los Hermanos, Feras! 

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Sim, meu amigo, eu sei que você não gosta muito de argentino.

Não é só você, nem é só o brasileiro.

Mas não há como negar: eles estão jogando muito.

E não é só jogar: é ganhar.

E não é só ganhar: é sair de derrota já quase consumada para uma vitória incrível.

A última vítima foi a poderosa Inglaterra que, de Margareth Tatcher a David Beckham, já mostrou sua força mundo afora.

A força e a determinação desses argentinos começam na execução do Hino Nacional deles, com cada um cantando a plenos pulmões, exibindo a força, a gana de cada um.

Continua dentro de campo, onde não há jogada perdida, bola desperdiçada.

No jogo contra o Egito, a Argentina perdia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo. Em apenas 11 minutos, virou o jogo: 3 a 2.

Vitória linda, emocionante.

Outro jogo de muita emoção e de virada foi a vitória, 3 a 2, sobre a simpática e guerreira equipe de Cabo Verde.

Contra a Suíça, outra façanha.

Os argentinos até saíram vencendo, mas levaram o gol de empate e a vitória só veio no segundo tempo da prorrogação.

Na semifinal contra a Inglaterra, mais uma vez a Argentina levou o primeiro gol.

Parecia que Los Hermanos não resistiriam à trombada contra o frio e forte time da Inglaterra.

Parecia.

Até que um certo camisa 10 começou a aparecer no jogo.

Messi, o 10 em tudo, passa quase despercebido em campo, num canto do gramado, ali entre a meia direita e a ponta direita.

É um espaço pequeno, mas Messi precisa apenas de um espaço do tamanho de um lenço de bolso, para transformá-lo num latifúndio.

Logo no começo do segundo tempo, num rápido contra-ataque, a Inglaterra fez 1 a 0.

Acreditando que a vitória já estava garantida contra a desgastada Argentina que vinha de vitórias em prorrogações, a Inglaterra recuou, recuou, recuou.

Que erro fatal cometido pelos jogadores e pelo técnico alemão que dirige o English Team, chamar para perto de sua área inimigos fortes como esses argentinos!

Não demorou muito para o empate: Messi, daquele sítio que ele é dono, quase na beirada do campo, lançou Enzo Fernandes que, com uma pancada, venceu o goleiro inglês e empatou o jogo.

Tudo indicava prorrogação.

Mais uma vez Messi pega bola ali na sua propriedade, invade a área e cruza de pé direito na cabeça de Lautaro, que havia entrado minutos antes e fez o gol da vitória.

Peraí.

De pé direito? Mas cara não é canhoto?

A impressão que se tem é que Messi tem dois pés esquerdos. Ou dois direitos.

Onde a bola cair será bem recepcionada e bem aproveitada.

A Inglaterra tentou reagir.

Mas, aí, Inês é morta, com bem ensinou a tragédia do monarca Afonso IV, de Portugal.

Onde será que a Argentina encontra tanta força para passar e vencer sufoco em seguida de sufoco?

É aí que vem o seu diferencial: é muita raça, muita determinação, muito amor à camisa.

Dá inveja.

Não aquela inveja perniciosa, que busca derrubar o motivo da própria inveja.

Porém, trata-se da inveja de ver seus ídolos também com tanta raça, não ocupando o lugar do adversário, mas se colocando no mesmo patamar.

Ver aquelas camisas suadas, suor escorrendo no rosto de cada jogador, mas o sorriso aberto de quem mais uma vez venceu e colocou sua Seleção no alto da prateleira.

Aí, não há como não se lembrar dos nossos representantes saindo de campo, derrotados, com suas camisas incrivelmente secas, como se não tivessem sido usadas.

Essa Copa de 2026 está nos ensinando que, além da crise técnica que estamos enfrentando, há algo mais: falta identificação com aquela sagrada camisa.

Falta amor, raça, vontade, tesão.

Veja os gols de mais uma vitória que coloca a Argentina na finalíssima da Copa do Mundo 2026:

https://youtu.be/r6mz_zj9IW4?si=VUtRWX-FVwYYgJqK


Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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