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Esperançar por todos os espaços. Por Adilson Roberto Gonçalves

Esperançar … Os atores que trabalham para tirar nossa esperança são vários. Do palanque ao púlpito, de bets aos boatos, de tigrinhos a togados, muitos têm interesses pessoais, familiares e financeiros para que a extrema direita volte ao poder e promova, segundo o que eles próprios propõem, o desmonte do Estado Social. 

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Na chamada mídia impressa tradicional, Ruy Castro é um dos poucos que consegue conciliar coerência política, vasto conhecimento cultural e humor inteligente em suas colunas. Recentemente ele repetiu uma posição própria de que nunca elogiou governos, defendendo o direito de assim fazer (“Coluna com opinião”, Folha de S. Paulo, 16/10). Um pouco de lucidez é importante nestes tempos em que estão normalizando os ataques à Constituição e falas idênticas às que um serzinho austríaco proferiu quase um século atrás. Discordar sim, mas ser censurado é um risco que passamos a correr a depender do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.

 Os atores que trabalham para tirar nossa esperança são vários. Do palanque ao púlpito, de bets aos boatos, de tigrinhos a togados, muitos têm interesses pessoais, familiares e financeiros para que a extrema direita volte ao poder e promova, segundo o que eles próprios propõem, o desmonte do Estado Social.

Um desses atores chama a atenção por sua presteza e dedicação. O governador Tarcísio de Freitas tem se dedicado quase integralmente à campanha de Flávio Bolsonaro, mesmo sabendo-se que seria um forte candidato à Presidência em 2030, concorrente, portanto, do filho mais velho da familícia. Mas pode haver algo que não vislumbramos ainda: concorrer ao governo fluminense, voltando a suas origens, na tentativa de repetir o feito de Leonel Brizola, o único até aqui eleito governador por dois estados distintos. Estaríamos já antevendo desesperanças espraiadas daqui a quatro anos.

 Mas, apesar da maré contrária, esperançamos em todos os espaços e devemos ter nossas utopias, por que não? Naquele mesmo “jornalão” da capital paulista, lemos as reflexões de Caetano W. Galindo de que o “Brasil sempre existiu como utopia, mesmo antes de existir como nação” (22/10), buscando mesclar a etimologia das palavras com as histórias de um lugar paradisíaco que poderia ser o nosso país. O artigo, corajoso e necessário, é uma eminente utopia para evitarmos a iminente distopia que se avizinha.

Coragem vem do coração e não nos deve corar, mas nos aprontar para a colheita da vida, feito o que nos ensinou Cora Coralina.

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Perfil ambiental e político – Adilson Roberto Gonçalves –  pesquisador da  Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista.  Vive em Campinas.


 

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