eleições vêm aí

Moleques petulantes

Eleições… O que dói mesmo é ver moleques petulantes e ignorantes eleitos com milhões de votos para a deputação federal. 80% dos “influenciadores” que se candidataram conseguiram eleger-se, mostrando o caminho das pedras àqueles que sonham com o enriquecimento fácil à custa de negociatas e maracutaias.

eleições vêm aí
Moleques petulantes

Daqui do outro lado do oceano, consigo ouvir o burburinho que se alevanta de Pindorama à aproximação do segundo turno das presidenciais. Parece até que o destino do Brasil será definido pelo voto de domingo. É verdade que, em nosso regime, um presidente pode muito. Só que não pode tudo.

Dia 4 de outubro o voto dos eleitores já definiu os integrantes da Câmara e de boa parte do Senado. Para esses, o resultado é definitivo, não há segundo turno possível. Os candidatos da ultradireita, em grande parte aninhados na agremiação do senhor Valdemar Costa Neto, já dão a grande tendência dos próximos quatro anos: um Congresso recurvado fortemente à direita.

Seja qual for o presidente escolhido domingo, ele terá pela frente um Parlamento (bem) à direita. Se Bolsonaro jr. vencer, estará com a faca e o queijo na mão para completar a obra que o pai deixou pela metade. Se o vencedor for Lula, ele terá de buscar no Centrão os votos que lhe faltam para aprovar projetos de seu interesse. Assim mesmo, não será fácil.

O que dói mesmo é ver moleques petulantes e ignorantes eleitos com milhões de votos para a deputação federal. 80% dos “influenciadores” que se candidataram conseguiram eleger-se, mostrando o caminho das pedras àqueles que sonham com o enriquecimento fácil à custa de negociatas e maracutaias.

Para que serve ter trabalho elaborando projetos e programas, se é tão mais simples instalar-se diante do celular e gravar qualquer bobagem para se tornar conhecido. Qualquer coisa serve, quanto mais escandaloso o assunto, melhor efeito fará.

Se já faz tempo que o Brasil tinha deixado de ser o país da esperança, vai-se tornando aos poucos um país sem futuro, um arremedo de teocracia espandongada, com um povo representado no Congresso por moleques irresponsáveis e por adultos mal-intencionados.

No domingo, vamos ao voto. Mas o mal já está feito.

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JOSÉ HORTA MANZANO – Escritor, analista e cronista. Mantém o blog Brasil de Longe. Analisa as coisas de nosso país em diversos ângulos,  dependendo da inspiração do momento; pode tratar de política, línguas, história, música, geografia, atualidade e notícias do dia a dia. Colabora no caderno Opinião, do Correio Braziliense. Vive na Suíça, e há 45 anos mora no continente europeu. A comparação entre os fatos de lá e os daqui é uma de suas especialidades.


 

 

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