Eleitores volúveis e voláteis. Por Adilson Roberto Gonçalves
Eleitores… no curto intervalo entre uma pergunta e outra, mudam de opinião e passam a escolher. Aqui não se aplica a margem de erro, pois se está olhando o dado absoluto da resposta, considerando que a metodologia foi adequada, ou seja, o mesmo entrevistado respondeu à pergunta sobre o primeiro e o segundo turnos.
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Os institutos que fazem o levantamento da opinião pública e do eleitorado realizam pesquisas baseadas em modelos estatísticos que permitem, após a devida estratificação social, econômica, por gênero, escolaridade e muitos outros aspectos, inferir a vontade do eleitor no momento, com margens de erro relativamente estreitas. Assim, são entrevistadas entre 1000 e 2000 pessoas e os resultados finais carregam margens de desvios de cerca de 2 pontos porcentuais. Como são retratos instantâneos, não faz sentido premiar as instituições que realizam a coleta de dados em função de “acertarem” ou “errarem” o resultado real que advirá das urnas. Mas há, sim, questionamentos que podem e devem ser feitos quanto à amostragem utilizada nas sondagens e a forma como as entrevistas são conduzidas.
Por exemplo, à parte da discussão acerca da escolha que o paulista faz de seus governantes, a mais recente pesquisa Genial/Quaest para São Paulo apresenta um dado instigante. No primeiro turno, 28% dos entrevistados (que são cerca de 460 pessoas) correspondem ao não voto (indeciso, nenhum, em branco, nulo), isso quando são apresentados cinco candidatos até então anunciados. Quando os mesmos entrevistados são perguntados em relação ao segundo turno, com apenas dois candidatos, o percentual de não voto diminui para 20%. Ou seja, 8% dos entrevistados – que são os mesmos em relação ao primeiro e segundo turnos –, correspondente a cerca de 130 pessoas, não conseguem escolher entre cinco, mas escolhem entre dois candidatos. Ou seja, no curto intervalo entre uma pergunta e outra, mudam de opinião e passam a escolher. Aqui não se aplica a margem de erro, pois se está olhando o dado absoluto da resposta, considerando que a metodologia foi adequada, ou seja, o mesmo entrevistado respondeu à pergunta sobre o primeiro e o segundo turnos. Tal indecisão e volatilidade constituem um fato sociológico e demográfico interessante, se for extrapolado para o intervalo de três semanas entre os dois turnos eleitorais.
Uma possibilidade é a alta rejeição dos candidatos que, reduzindo para apenas dois, aflora o sentimento do eleitor/entrevistado em não deixar um deles ganhar, porque o outro é pior, aumentando o percentual de votos no segundo turno em relação ao primeiro.
O comportamento é semelhante em outros estados e fica a sugestão para os especialistas da área um estudo aprofundado para avaliar se há correlação entre a variação do não voto e o índice de rejeição ou mesmo da sensação de, ainda que de forma simulada, a decisão de votar em alguém se dá pela obrigação de comparecer pela segunda vez às urnas.
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– Adilson Roberto Gonçalves – pesquisador da Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista. Vive em Campinas.
