Em busca do tempo perdido. Blog Mário Marinho

A Seleção Brasileira entra em campo amanhã, 25 – atenção para o horário: 7 horas da manhã – na longínqua Austrália, contra a fraca Seleção Australiana, à procura de um caminho, um novo caminho que possa levar o nosso futebol às glórias do passado.
Há um tempo, um longo tempo, que foi perdido de 2002 até os dias de hoje.
Não há um culpado por esse desvio.
Na verdade, culpados somos todos nós que nos deixamos levar pela bela conquista de 2002 e pensar que, daí para frente, seríamos imbatíveis.
Bastava falar no pentacampeão que a vitória já estaria garantida.
Sim, a culpa é de todos, mas num ponto menor do torcedor que pouco pode influenciar nos destinos da Seleção e se deixa levar, por muito amor, pela paixão.
Culpados são aqueles que, nesse longo intervalo de tempo, usaram e abusaram da Seleção.
Vaidade, esquemas de corrupção, malandragens e até assédio sexual existiu nesse tenebroso passar do tempo.
Em 2025, o médico e empresário Samir Xaud, nascido em Boa Vista/Roraima, em 25 de fevereiro de 1984, com pouca experiência na área de administração esportiva foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Futebol.
No seu perfil, na Wikipedia, constam alguns processos relativos às suas atividades como médico e empresário.
Pouco antes de sua eleição na CBF, ele havia sido eleito presidente da Federação Roraimense de Futebol, em substituição ao seu pai que comandou a Federação durante 40 anos.
Foi Xaud que fechou a negociação com Carlos Ancelotti para dirigir a Seleção Brasileira.
Uma boa contratação, válida tentativa de sair da mesmice das trocas de técnicos da Seleção, e um nome de respeito mundial.
Na Copa do Mundo deste ano, nos Estados Unidos, a participação do Brasil foi um fiasco.
Decepção principalmente para os torcedores menos avisados que se deixam levar pela emoção despertada pela Amarelinha de que Zagallo falava com muito orgulho.
Agora são outros tempos.
Mas, imagino eu, que o principal trabalho de Ancelotti é convencer os nossos jogadores de que não somos os melhores do mundo.
Precisamos baixar a nossa bola, nossa arrogância.
Não sei como ele fará isso sem diminuir nos jogadores a necessária confiança para defender a Seleção Brasileira.
E, claro, convencer também os torcedores.
Esse recomeçar pode estar num bom caminho: serão três jogos – dois contra a Austrália e um contra a Índia.
Como se vê, os riscos são, aparentemente, pequenos.
Mas há espaços para as tentativas, para as experiências, para o melhor conhecimento dos jogadores e o relacionamento dentro da Seleção.
É aquele negócio de saber se o jogador tem espírito, tem vontade, respeito, gana, raça para defender o amado manto.
Porém, rezemos para que Ancelotti não precise do tempo que levou o escritor francês Marcel Proust a escrever sua obra prima que dá título a este blog: “Em busca do tempo perdido”.
Passaram-se 14 anos entre o primeiro volume e o último.
Quatorze anos, sete volumes e mais de quatro mil páginas.
Não temos pressa, mas também nem tanto tempo.
Queira Deus.
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

Pois é… 2002, justamente o ano em que decidi parar de assitir futebol.