terras-raras

Ilustração: Benjamim Cafalli

Intolerâncias|41: terras-raras. Com hífen. Aquele tracinho.

terras-raras
Ilustração: Benjamim Cafalli

 Jornalistos e jornalistas, sendo vocês muito atarefados, sem tempo para aprimorar seus conhecimentos, o “Intol” desta semana fez uma pesquisa a fim de poupar-lhes trabalho na tentativa de que passem a errar menos.

Vejam o que traz o grande “Aurélio”: terras-raras Substantivo feminino plural.
Agora, o pai de todos do idioma, o “Volp”: terras-raras s.f.pl.

Deu pra notar o tracinho? Será que assim deixarão de ser raros os que escrevem certo?

 Como combinado, enxugado. Só duas notinhas: o “Estadãozinho” adotou definitivamente dois erros no seu idioma particular, Theatro Municipal sem o devido agá e Assembleia Geral, qualquer que seja, com o indevido hífen. O “UOL”, por exemplo, perguntou: “Por que delegação brasileira sempre abre a Assembleia Geral?” Não é sempre, se for notícia no “Estadãozinho” será A-G…

Estadônicozinho, pensumpouco: “Mesmo largando em último, o piloto holandês precisou de 14 voltas para deixar seus concorrentes para trás e terminar a disputa em primeiro lugar em 35 minutos de prova.”. Percebeu? Não falta nada? Um “só” antes de precisou pra ornar com mesmo?

Viva, na edição de domingo (20): “Opresidente Lula embarca hoje para uma viagem curta para a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.”. Sem hífen, aleluia, irmáuns! Triste ilusão, foi distração. Na segunda… “Petista chega aos EUA para participar da Assembleia-Geral da ONU e se reunir com políticos americanos e líderes globais”. O indevido tracinho voltou. Aparece mais uma vez no texto.

Meus sais! Dããã… “Ela foi socorrida ao Hospital Municipal Rocha Faria, mas morreu na unidade.”. E levada “no”, né, uólico? Pense, pense, não dói!

A GOL tem companhia: “Estatal italiana assume controle da Telecom Itália e se torna controladora indireta da Tim no Brasil”. TIM, caramba, sigla de três letras, uólico. O nome da área é com as três em alta, é o nome, não é sigla. Será tão difícil assim prestar atenção?

 O “Intol” quer se enxugar, mas eles não deixam! O capista lê o título da matéria para chamar na capa e causa um desastre: “Como investigação de envolvimento do PCC no transporte público chegou ao Milton Leite”. Tira vereador, deixa “ao” e viola uma regra básica, não se usa artigo antes de nome de pessoas: “Como investigação sobre envolvimento do PCC no transporte público chegou ao ex-vereador Milton Leite”. Em sendo do “Grupo Globo”, vai ver o geúnico está procurando uma vaguinha naquele brogue em que todos são íntimos de todo mundo.

 Outra que não dá pra não tratar: “Ele seria socorrido pelo Corpo de Bombeiros a um hospital da região.”. O “seria”, no caso, cabe, não tinha sido ainda, mas socorrido a um??? Como é possível tal absurdo constar de textos de um jornalista?

 Xiii, bagunçaram tudo mais do que já está. No Conexão GloboNews, “tanto o apresentante como o comentante chamaram o ministro Edson Fachin de Alexandre Fachin”. Lapso freudiano?

 No “SP1”: “Boa tarde a todos os que nos acompanha…” E o eme que tem de acompanhar também onde foi parar?

 

No “SP2”:

 E quando será devolvidabadada? Tombada serve?

 Na TV por embromatura

 Reprises às centenas e só filmes dublados em espanhol no “Eurochanel” não bastam, chegou uma novidade:

A repetição da série “NCIS” pela enésima vez deu um brinde aos assinantes em uma das reprises, legendas em espanhol!

 Blog do Ancelmo

 Jefe: Ancelmo Gois
Miss Caixa/mistake: Fernanda Pontes
Mister Caixa/errador: Nelson Lima Neto
Vaga-Lume: Camila Araujo

 Errador, o inaugurante da semana no brogue: “ao ponto de tornar-se, em maio de 1949, o primeiro deputado cassado da história brasileira por quebra de decoro parlamentar,”. Ao ponto é jeito de pedir a carne, caramba. É a ponto, viste? 

 Eta nóis… “Os participantes recebem salário-mínimo, auxílio-transporte e alimentação,”. Não aprende nem que a vaca tussa – e olha que ela tosse! Errador, o salário é sem hífen, com descreve quem é mal pago! 

 Nova moda no brogue, eco: “A Justiça do Rio de Janeiro nomeou um novo inventariante para o espólio da cantora Angela Roo Ro,”. Tá sobrando “o”, mais abaixo, em nota da mistake, tem de novo.

 Vejam esta raridade! “Veja este caso.”. Miracolo, miracolo, ele acertou!!! 

Errador não perdoa! “A Orquestra Maré do Amanhã prepara uma homenagem especial ao Queen, a histórica banda britânica,”. Preste uma homenagem à Gramática e escreva certo: banda, à Queen, viste?

O anônimo deve ser amigão do Trajano: Primeira vez: “A partir das 13h deste sábado (19), o jornalista e escritor carioca José Trajano lança o livro “Abarracamento” na livraria  Folha Seca,”; Segunda vez:“A partir das 13h deste sábado (19), o jornalista e escritor carioca José Trajano lança o livro “Abarracamento” na livraria  Folha Seca,”. Publicou duas vezes a nota pra ninguém deixar de ver. 

Que anônimo inventivo! Antes, só no Francês existiam palavras com dois acentos: “textos acadêmicos e um pósfácio de Frei Betto,”. Posfácio, cara-pálida.

Mistake, mistake… “Esse mês celebra-se o Setembro Verde,”. Pra você, ESTE mês é o Setembro Vermelho… Este é raro entre os da mistake, os iguais do errador vão ficar sem apontamento, rara é a vez que não comete.

 Com eco: “OO Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (SEIOP),”.  Uau, só faltou crasear… Tira um, tira? Aproveitando as ensanchas, Seiop e Cide, quatro vezes errado.

 Mistake, falta um verbo aí ou sobram que já: “’Terra Prometida’, livro do jornalista Sérgio Ramalho e da vereadora Rosa Fernandes, conta a história da região que já ocupada por imigrantes europeus e nordestinos antes de ser dominada pelo tráfico”. Já era ou fora que já!

Hein? “7O ator Paulo Betti colocou à venda seu apartamento encravado no topo do Alto da Boa Vista.”. Mistake, noves f ops! 7 fora, viste?  “Esse ‘elevadinho’ dentro da sala para que Darcy pudesse ter mais visão à distância,”. “Essa crasezinha” não tem lugar sobre o “a”, escriba. A distância não está determinada.

 Dio mio!!! “Desse total, 274 atingiram mulheres cisgêneras, transexuais e travestis.”. Mistake é forte candidata ao “Prêmio Criativa do Ano”! Inventou gênera! Gênero no masculino, gênera do feminino!!! Genial! Cisgênero, caramba!

Criativa mesmo: “Trecho da via em Nova Iguaçu ficará fechado para carros das 6h ás 14h”. A crase mudou, agora é acento agudo!

Está em nome do jefe, mas tá na cara quem é o verdadeiro autor: “A prisão foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de 10 salários-mínimos a uma entidade voltada ao combate ao preconceito racial.”. Sem hífen! Errado de novo mais à frente.

 A falta de atenção à enésima potência: “”Nosso mais sentido, solidário e fraternal abraço à família do nosso Zu, meu querido amigo desde os tempos inesquecíveis que compartilhamos na Maison du Brésil, em Paris, no início da década de 1960.” (João Cândido Portinari, filho do pintor Cândido Portinari).”. Trata-se de mensagem lamentando a morte, no dia 22, do jornalista Zuenir Ventura. É óbvio que o texto foi enviado por meios digitais com Candido sem circunflexo nos dois casos, mas o atento escriba que escreveu no lugar do jefe não notou. Certamente não conheceu o Mestre Zu.

Jefe, um segredinho: “na categoria “não-ficção” na edição do ano 2000.”. Mestre Zu, que tanto elogiou, conhecia a reforma ortográfica, ele não usava hífen depois do não.

 O “Intol” será enxugado. Deixarão de ser apontados erros corriqueiros – mas quê, de qualquer forma, desmerecem os jornalistas que os cometem – repetidamente cometidos. As edições estão ficando muito grandes. Chega de hífens sobrantes e faltantes, idem com acentos em nomes, erros nas caixas de siglas. Agora, só os mais graves. Por exemplo, as suspeições insuspeitas e os que tornem incompreensível o que se tentou informar.

 (CACALO KFOURI) 

 

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