ESTUDANTES

AGÊNCIA BRASIL

… A atual crise é administrativa e por reformas na estrutura dos liceus e colégios. Não tem palavras de ordem libertárias mas exige reformas nos prédios escolares, mais professores, melhor ensino e segurança nas classes…

ESTUDANTES

Quem se interessa por educação, está acompanhando a crise atual na França, envolvendo estudantes de ginásios e colégios. E alguns mais idosos, como eu, se perguntam se a atual rebelião estudantil tem alguma coisa a ver com a revolta de Maio de 68?

Acompanhei esse movimento estudantil ainda em São Paulo, na redação da sucursal da Última Hora do Rio, que eu chefiava, na rua São Luís, em frente à praça do Patriarca, em São Paulo (A UH do Samuel Wainer). Quando cheguei em Paris, em agosto, já havia passado um ano, era 1969, a França já voltara à normalidade.

Mas numa tentativa de ligeira comparação entre Maio 68 e Setembro-Outubro 2026, vejo enormes diferenças: Maio 68 paralisou a França, uniu movimentos estudantis com sindicatos e movimentos operários e envolvia principalmente universitários. Maio 68 era uma revolta ideológica da juventude contra a sociedade e os hábitos e comportamentos arcaicos da época. Soprava o vento do maoismo, os jovens queriam liberdade sexual e o amor livre. Depois da ocupação da Universidade de Nanterre, na periferia, com a liderança do líder anarquista Daniel Cohn-Bendit, os universitários retornam a Paris e ocupam a Sorbonne.

A invasão pela Polícia com expulsão dos estudantes fez o movimento ganhar todo o Quartier Latin. A violência policial provoca a greve em todas as universidades parisienses e, no dia 13 de maio, é quase uma revolução com uma greve geral mobilizando operários que se unem aos estudantes, em manifestações pelas principais ruas e avenidas parisienses. Seguiram-se aumentos salariais, resistência , o primeiro-ministro Pompidou balança, o general De Gaulle se sente ameaçado, com razão, porque seria derrotado num plebiscito no ano seguinte e teria de se retirar do poder.

Mas os estudantes conseguiram reformas na Universidade e a França entrou na era da modernização, com o surgimento da luta pelo direito das mulheres, o direito ao aborto e um diminuição da influência da igreja católica.

A atual crise é administrativa e por reformas na estrutura dos liceus e colégios. Não tem palavras de ordem libertárias mas exige reformas nos prédios escolares, mais professores, melhor ensino e segurança nas classes. Depois das manifestações, o primeiro-ministro francês anunciou na televisão ceder os estudantes em todas reivindicações como mais professores e reformas nos prédios escolares. Isso implicará num aumento nos salários dos professores, uma das profissões mais mal pagas na França.

A vitória da dinastia Bolsonaro no 1.Turno

…Uma boa parte disso é consequência de má informação, mas para cerca de 30% desses eleitores foram determinantes a influência e a orientação de igrejas e pastores evangélicos…

Esse o destaque internacional, enquanto no Brasil a apuração dos votos no Primeiro Turno Eleitoral mostrou o fracasso das sondagens ou prévias eleitorais, que fizeram Lula, o PT e os petistas descuidarem da necessidade de uma campanha eleitoral mais decisiva, acreditando numa vantagem eleitoral inexistente. Havia essa intenção nos institutos promotores das sondagens ou houve erro na escolha dos entrevistados? Fica a pergunta, não há resposta.

A realidade hoje é a necessidade do presidente Lula conseguir mais de três milhões de votos entre os que se abstiveram de votar dia 4. Vai conseguir? Não é impossível, mas será bem difícil.

Caso contrário, tudo quanto foi feito no passado, não só durante os governos de Lula e do PT, mas inclusive de Vargas, em favor dos trabalhadores, dos estudantes, das mulheres e dos estudantes poderá ser retirado em nome do empreendorismo, de gastos supérfluos, de incentivo à preguiça, sempre se achará uma justificativa.

Nas redes sociais, muitos se surpreendem com o suicídio eleitoral de pobres, pretos, pardos, mulheres, idosos votando contra as leis e medidas que lhes tinham ajudado a viver melhor, a ter melhores escolas para seus filhos, a ter remédios, assistência médica, hospitalar.

Uma boa parte disso é consequência de má informação, mas para cerca de 30% desses eleitores foram determinantes a influência e a orientação de igrejas e pastores evangélicos. Alguns comentaristas mais sensíveis nas redes sociais falam em ingratidão, mesmo sem citarem leis ferindo a laicidade do país, como a Marcha para Jesus e declarando indevidamente a cultura gospel como manifestação da cultura brasileira, permitindo que os produtos decorrentes como música, espetáculos, teatro, literatura, artes visuais sejam livres de impostos.

Se Lula não conseguir o apoio popular necessário no segundo turno, dia 25, o país ficará em mãos de uma família, a família Bolsonaro, poderemos dizer de uma dinastia, e, segundo promessa de Flávio Bolsonaro já feita ao ministro Marco Rubio, do governo Trump, perderá também sua independência e soberania.


Algumas referências:

Le Monde
https://www.linternaute.com/actualite/guide-histoire/1790790-mai-68-ses-causes-et-ses-consequences-photos-et-dates-cles/

https://www.bing.com/search?pglt=297&q=Jounal+Le+Monde+enDirecte%2C+lycees%3A+Sebastien+Lecornu+annonce+cinq+chantiers&cvid=328a6badab564c98be4d9c0044fcdd3c&gs_lcrp=EgRlZGdlKgYIABBFGDkyBggAEEUYOTIHCAEQ6wcYQNIBCjEwOTE1MGowajeoAgiwAgE&FORM=ANNTA1&PC=U531

https://www.msn.com/pt-br/noticias/other/deputada-estadual-mais-votada-de-sp-apresentou-projetos-de-lei-que-repetem-textos-de-outros-pol%C3%ADticos-e-erra-at%C3%A9-a-pr%C3%B3pria-cidade/ar-AA2dHCBc?ocid=msedgntp&pc=U531&cvid=6ac69d3ad04e454c8c03b6254ce4e8f8&ei=27

https://www.bing.com/news/search?q=brasil+247+uma+derrota+desastrosa&FORM=EWRE

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  • Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –

https://www.youtube.com/@rpertins


Rui Martins – Direto da Suiça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI

 

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