Ansiedade generalizada. Por Meraldo Zisman

Ansiedade generalizada

 Meraldo Zisman

Insegurança gera medo e o medo suscita ansiedade. O sentimento de ansiedade é a resposta do corpo e da mente ao medo difuso

Ansiedade, aflição, angústia, tormento, tortura, consternação, são aqui definidos como uma preocupação exagerada que gera sintomas como tensão, medo ou pavor de que algo de mal possa acontecer, levando ao surgimento de sintomas físicos (tremores, taquicardia, sudorese aumentada, insônia, etc.).
Existem várias formas de ansiedade. Os sintomas da ansiedade podem se manifestar em nível físico, como a sensação de aperto no peito e tremores ou em nível emocional, como a presença de pensamentos negativos, preocupação ou medo. Geralmente surgem vários sintomas ao mesmo tempo. Fico apenas com a modalidade generalizada.
Transtorno de ansiedade generalizada (T.A.G.) é um quadro psiquiátrico designado pelo CID 10 (Classificação Internacional das Doenças), sob o número – F41.1 , que afirma:
De acordo com levantamentos epidemiológicos, a prevalência estimada de distúrbio de ansiedade generalizada na população geral dos Estados Unidos é de 3,1% e, ao longo da vida, ocorre em 5,1 a 11,9% dos adultos. A prevalência na Europa pontual é de 1,7 a 3,4% e, ao longo da vida, em torno de 4,3 a 5,9%. A prevalência é aproximadamente duas vezes mais elevada entre as mulheres em comparação com os homens, e é o distúrbio ansioso mais comum na população idosa.
Prevalência é um termo utilizado em epidemiologia que significa a proporção de casos existentes numa determinada população, num determinado momento temporal.
Insegurança gera medo e o medo suscita ansiedade. O sentimento de ansiedade é a resposta do corpo e da mente ao medo difuso.  
Somos tomados pela ansiedade quanto à nossa posição alcançada na vida, por mais anônima que seja. Qualquer pessoa, quando ameaçada por suspeitas, entra em ansiedade. Sendo seres humanos e mortais, qualquer um de nós possui alguma coisa que não conta: um fato, um pequeno deslize, que escondemos e tememos que seja descoberto.
Por mais que façamos uma imagem positiva de nós mesmos, o recurso à racionalização ou à intelectualização não é suficiente para apagar a culpa ou relativizá-la.  E assim tentamos nos convencer de que existem, em nosso caso, motivações justas, circunstâncias atenuantes. Todo mundo se julga socialmente adequado e moralmente justificado. Refiro-me não exclusivamente aos políticos, mas às mais diversas profissões. Comerciantes, empresários, funcionários públicos, gerentes, executivos, empregados, desempregados, incluindo todos os níveis da escala social. O pequeno delito, fabricado ou verdadeiro, ocorre. E como nada é mais perigoso do que cair na mão de um denunciante, o medo de que alguém descubra esse delito torna-se cada vez mais “democrático”, pois desafio quem não tenha cometido uma pequena fraude (ou muitas), no decorrer da vida.
Nem é necessário mentir ou procurar nas fichas de qualquer chefatura de Polícia, basta uma simples fotografia para incriminar qualquer pessoa viva, rica ou pobre. Letrado ou analfabeto. Empregado ou desempregado.
Basta ver os noticiários que 90% do tempo são preenchidos pelas delações premiadas ou despremiadas para qualquer um ficar de orelha em pé, ainda mais com a dimensão astronômica da corrupção nacional.  Revoltar-se também é uma modalidade de amedrontamento.
É suficiente levantar o prontuário de um motorista, que nem precisa ser profissional, e saber das multas para taxá-lo de atravessado. Dirigindo alcoolizado. E, se for de alguém importante, está feita a festa. Nem precisa procurar muito, está plantado o que denomino suspeita genérica, que sempre leva à ansiedade por denuncismo. Basta ligar um fato real com uma denúncia, e o infeliz suspeito já está condenado. O repórter nem precisa se dar o trabalho de mentir, ele junta à realidade a conveniência de seu empregador. Caso seja um juiz, promotor, profissional de saúde, é terrível. E, se o suspeito for uma pessoa importante, melhor ainda, pois se consolida um novo caso de ansiedade por suspeita genérica ou generalizada. Mesmo sem nenhuma denúncia, a expectativa de ser descoberto é ansiogênica só em pensar. Imagine se acontecer.
Não tenho número exato, mas acredito que o aumento da venda de ansiolíticos deve estar bombando no Brasil, nessa crise pela qual passamos. A suspeita atinge a todos, indiscriminadamente. Basta ver os noticiários que 90% do tempo são preenchidos pelas delações premiadas ou despremiadas para qualquer um ficar de orelha em pé, ainda mais com a dimensão astronômica da corrupção nacional.  Revoltar-se também é uma modalidade de amedrontamento.  Velando a saúde coletiva do brasileiro médio, advirto: cuidado com denuncismos exaltados. Os ataques de pânico e as crises de ansiedade são apenas uma resposta do corpo a essa situação de estresse, de insegurança.
 A depressão é o passo seguinte. Mesmo não faltando medicamentos como se noticia na Venezuela do Maduro, a ansiedade é considerada o Mal do Século. Não vamos aumentar a casuística nacional. Os Senhores da Mídia deveriam ser mais cautelosos na propagação da notícia. Não somente as epidemias da Zica ou outros surtos provocam pânico na população. Tenho esperança de que saberemos mais uma vez ter a calma suficiente para atravessarmos esses momentos. 
A ansiedade e o medo não são bons conselheiros. Calma, minha gente. Cada vez mais os profissionais dos noticiosos devem ser mais cuidadosos.

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23/02/2011. Credito: Cecilia de Sa Pereira/DP/D.A Press. Recife/PE. Vida Urbana. Materia sobre a visita do presidente nacional da Associacao dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, o brigadeiro Helio Goncalves a sede dos Diarios Associados PE. O brigadeiro esteve acompanhado pelos senhores Eudes Souza Leao e Meraldo Zisman (NA FOTO).

Meraldo Zisman – Médico, psicoterapeuta. Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive em Recife (PE).

 

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