O novo pós pandemia. Blog do Mário Marinho

O NOVO PÓS PANDEMIA

BLOG DO MÁRIO MARINHO

Fico admirado – e até torço para que estejam certas – com o número de pessoas que acreditam que o mundo será outro pós pandemia.

Fala-se, com muita segurança e insistência, que haverá um novo tudo. Novo mundo, novas pessoas, nova vida.

Eu, sinceramente, não acredito.

O Mundo já passou por diversas outras tragédias, pandêmicas ou não, e o pós é uma repetição do antes.

Há um momento em que a solidariedade ainda permanecerá em alta. Mas, depois, aos poucos, vai voltando ao normal.

Foi assim (pelo que pude ler) depois da 1ª Guerra Mundial, depois da Gripe Espanhola, depois da 2ª Guerra Mundial, e depois da Gripe Asiática (essa eu me lembro, foi mais ou menos em 1955).

Assim, pode-se perguntar: e o futebol, como será?

Também, em minha visão, dentro de um ano será absolutamente normal.

Visão contrária à minha tem o editor de Esportes do Estadão, Robson Morelli.

Em sua coluna dessa segunda-feira, ele tem visão um tanto apocalíptica.

Acha que nosso futebol com péssimo nível técnico, finanças seriamente abaladas apresentará espetáculos ruins. Como consequência, prevê, a televisão pagará menos, o que agravará a crise econômica.

A crise técnica não oferecerá aos dirigentes a saída de vender jogadores para o exterior, já que o produto é ruim e não encontrará mercado.

Finalmente, para completar o desastre, o torcedor se afastará insatisfeito com o baixo nível técnico.

Não comungo com esse pensamento.

Concordo que o nível técnico está baixo.

Mas, esse não é um problema de agora.

Nem mesmo um problema que afastará o torcedor.

Simplesmente porque o torcedor é movido a paixão. E paixão não obedece à lógica. Paixão não é racional.

Há alguma racionalidade no deslocamento de 30-40 mil pessoas de São Paulo para o Rio, como aconteceu com os corintianos em 1976, para dar força ao seu time numa semifinal de Brasileirão?

Não era nem disputa do título!

Há algum sentido racional no deslocamento de 15-20 mil pessoas de São Paulo a Tóquio para assistir a final do Mundial, aquele de 2012? Mesmo sendo uma final?

Mesmo sendo uma final, são 20 mil quilômetros, cerca de 30 horas de viagem!

Loucura, pura loucura. E, como se sabe, não há lógica na loucura.

O futebol brasileiro, verdadeiro futebol brasileiro, no ano passado foi o Flamengo. Os outros 19 (Série A, claro) foram coadjuvantes.

O Flamengo teve média de público e 53 mil torcedores por jogo, contra 23 mil da média geral.

Como em termos de contratações, de novas atrações nada mudou do ano passado pra hoje, a tendência é que o quadro se mantenha, se mantidas forem as condições de temperatura e pressão.

O público voltará porque o futebol corre em nossas veias.

Domingo desses, nesse isolamento, acabamos de almoçar, eu e a minha caríssima metade que heroicamente me acompanha há 51 anos, assistimos a um filme pela tevê.

Acabou o filme, por volta das 16 horas, e ela, desconsolada, reclamou:

– Domingo sem futebol é um saco! Vamos ter que assistir a mais um filme?

É assim que se sente o torcedor.

O torcedor é aquele que assiste a jogo de qualquer time; que para à beira de um campo de várzea, um terrão, pra ver, ainda que por poucos minutos, a bola rolar.

A audiência da televisão estará garantida. A média do vinte e poucos mil torcedores por jogo se repetirá assim que os portões forem liberados.

Enquanto seguimos aplaudindo o grande Flamengo, estaremos sempre à espera que um novo Neymar possa pintar por aí.

Afinal, diz o samba que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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