America MG

A Série A faz mal ao América. Blog do Mário Marinho

America MG

Vinha tudo bem.

O América fez excelente campanha na Série B do ano passado e se classificou para a Série A.

Só não foi Campeão Brasileiro por um pequeno detalhe: perdeu o título no último jogo.

Teve excelente participação na Copa do Brasil e chegou até às semifinais. Não ganhou título, mas recebeu uma boa bolada da CBF para alimentar seu combalido cofre.

Mas, aí veio a Série A.

E tudo começou a desandar.

A derrota de ontem para o Palmeiras, 2 a 1, foi a quarta derrota em cinco jogos.

Somos o segundo colocado na classificação, vista a tabela de baixo para cima.

Para quem não conhece o futebol mineiro, vou explicar por que a Série A faz mal ao meu América.

O futebol mineiro se divide em duas eras: AM e DM.

AM: antes do Mineirão. DM: Depois do Mineirão.

Até a inauguração do Mineirão, em 1965, o futebol mineiro tinha o seguinte ranking por ordem de grandeza: em primeiro lugar, isolado, o Atlético; em segundo, mas, bem lá atrás, o América; em terceiro, também bem lá atrás, o Cruzeiro.

Pouco antes da inauguração do Mineirão, o Cruzeiro era presidido pelo empresário Felício Brandi.

Homem de grande visão, Felício Brasil anteviu que o novo estádio seria a redenção do futebol mineiro.

E preparou o Cruzeiro para tanto.

Lembro-me que, em 1966, começando minha carreira de jornalista, fui entrevistar o presidente do Cruzeiro em sua antiga sede, no bairro Barro Preto.

Em determinado momento da entrevista, Brandi colocou a mão nos meus ombros e me disse:

– Menino, escreve aí: eu vou transformar o Cruzeiro num time nacional. Nada desse negócio da imprensa de fora de Minas, ao se referir ao Cruzeiro, ser obrigada a colocar: “Cruzeiro de Minas Gerais”. Só haverá um Cruzeiro.

Na época, havia o Cruzeiro que era a terceira força do Rio Grande do Sul. Daí, a necessidade de identificar qual o Cruzeiro estava sendo noticiado.

Não deu outra.

No final daquele ano, o Cruzeiro aplicou sonora e escandalosa goleada no Santos de Gilmar, Zito, Coutinho, Pelé e Pepe: 6 a 2 no Mineirão, em jogo pela Copa do Brasil.

No jogo de volta, o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e etc. venceu por 3 a 2, no Pacaembu e conquistou seu primeiro título nacional.

O Atlético se manteve graças à força de sua enorme torcida. O América caiu para o terceiro lugar.

Se fosse a classificação de uma corrida de F1, Atlético e Cruzeiro receberiam a bandeirada de chegada com diferença milimétrica. Já o América chegaria em segundo, 3 ou 4 voltas atrás.

O América, se não é hoje um time pequeno, ele está pequeno.

Eu sei que o meu sobrinho, Flávio Marinho, vai ficar bravo comigo, mas vou escrever aqui o que já disse a ele: o lugar do América é na Série B.

Lá ele se dá bem; lá ele faz bonito.

Para ficar na Série A, é preciso de uma estrutura que o América não tem.

De uma política interna de dirigentes com consciência do tamanho do América e com a capacidade para aglutinar dirigentes e somar valores para um planejamento que dê ao América, ao meu América decacampeão mineiro, a estrutura necessária.

Caso contrário: será sempre assim: sobe num ano, desce no outro.

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Façanha

Do Bragantino

Não foi uma vitoriazinha qualquer essa do Bragantino.

Foi sobre o todo poderoso Flamengo. E mais: foi no Maracanã.

E foi uma jogo cheio de emoções.

O Bragantino saiu na frente com um belo gol de Aderlan.

O Flamengo empatou e virou, 2 a 1, com dois gols de Rodrigo Muniz.

Ramires marcou e empatou, 2 a 2.

No último lance da partida, Chrigor fez 3 a 2 e botou o Bragantino na liderança do Brasileirão.

Liderança efêmera, é verdade, porque no jogo da noite o Athletico PR venceu seu xará de Goiás e assumiu o primeiro lugar na classificação.

No clássico paulista, o Santos venceu o São Paulo, 2 a 0, na Vila Belmiro.

 Veja os gols do domingo.

A Globo

pisou na bola

Conheço e convivi com o Fausto Silva desde os seus tempos de repórter de campo da rádio Jovem Pan.

De lá foi para a Globo na metade nos anos 1970 e começou sua vertiginosa e merecida subida.

Trabalhando na Globo, comandou o programa de auditório Balancê. Começou a trabalhar como repórter no Estadão, ao lado do Jornal da Tarde, onde eu chefiava valorosa equipe de Esportes. Nessa época, estreitamos mais nosso conhecimento.

Daí, Faustão pulou para a televisão: Perdidos da Noite, um programa muito louco, apresentado na Record e depois na Bandeirantes.

Até que veio o convite da Globo.

Comandou, durante 30 anos, o líder de audiência Domingão do Faustão.

Há pouco tempo, foi comunicado pela Globo que seu contrato, que terminaria no fim deste ano, não seria renovado.

Por um acordo entre as partes, Faustão ficaria comandando o Domingão até o último domingo de 2021, conforme também o contrato então em vigor.

Mas, talvez a Globo pensasse que o Faustão se aposentaria. Ledo engano. Pintou o oportuno convite da TV Bandeirantes.

A época de Faustão como repórter de campo

Faustão aceitou e assinou.

Notícia desse tamanho logo vaza.

Faustão nunca confirmou publicamente, mas todo mundo sabia que seu destino era a Band.

Aí, a Globo se deu conta da tremenda mancada: deixar no ar o Faustão com seu programa líder de audiência e aumentando ainda mais essa audiência com a perspectiva de um programa de despedida. Poderia significar levar para a Bandeirantes seu público e até patrocinadores.

Assim, a Globo resolveu tirá-lo do ar.

Quem conhece os meandros da televisão, garante que a Globo pagou bela e pesada multa por isso.

Portanto, não há ilegalidade nenhuma no que fez.

Mas foi imoral não deixar que o artista-jornalista que lhe garantiu tanta audiência durante tantos anos não tivesse a oportunidade de se despedir de seu público.

Tremenda pisada na bola.

Tremenda falta de respeito com o grande profissional que o Faustão sempre foi.

joão abel on Twitter: "fausto silva, repórter, entrevistando @anterogreco, editor de esportes, na redação do estadão anos 1980… "
Fausto Silva, repórter, entrevistando @anterogreco , editor de esportes, na redação do estadão/anos 1980

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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