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Relaxar. E rir, rir, rir. Coluna Carlos Brickmann

rirEDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 4 DE AGOSTO DE 2021

Desemprego de quase 15% da população? Bobagem: o ministro pôs a culpa no IBGE. Quase 600 mil mortos na pandemia? Bobagem: o ritmo se reduziu, morrem menos de mil por dia, no máximo o equivalente a cinco desastres do avião da TAM em Congonhas. Preços da comida multiplicados? Bobagem: quem comia carne nem lembra mais como era, quem comia frango come ovo, quem comia ovo irá, um dia desses, receber a nova Bolsa Família.

O Governo tem coisas mais importantes a fazer: por exemplo, condecorar a primeira-dama Michelle Bolsonaro com a Medalha do Mérito Oswaldo Cruz, destinada a pessoas com atuação destacada “no campo das atividades científicas, educacionais, culturais e administrativas” que obtêm “resultados benéficos à saúde física e mental dos brasileiros”. Além de sua esposa, Bolsonaro condecorou seus ministros da Educação, Comunicação, Turismo, Relações Exteriores. Outros beneméritos homenageados são os presidentes da Câmara e do Senado. E que é que fizeram para receber esta bela homenagem, com o nome de Oswaldo Cruz, pai da vacinação no Brasil?

O ministro do Turismo, por exemplo, levou cinco assessores para reunião internacional, onde havia três vagas para o Brasil, incluindo a dele. Um bom passeio é benéfico à saúde física e mental de qualquer pessoa, e os caronas são brasileiros. Foi este ministro que, na sanfona, fazendo a trilha sonora de Bolsonaro, destroçou a Ave Maria, alegrando quem odeia música.

 E Michelle?

A primeira dama é um motivo de orgulho para seu marido presidente. Pois não é que, percebendo como o frio maltratava os moradores de rua, foi à luta e conseguiu 148 agasalhos para doar aos pobres? Como o passarinho jogando água com o bico num dos incêndios da Amazônia, ela fez sua parte. Foi de coração, fez o melhor que pôde. E conseguiu 148 agasalhos (número oficial) sozinha, sem ter sequer um Queiroz para ajudá-la.

Tudo sozinha, apenas com os meios de que dispunha: carro oficial, seguranças e motorista.

 A patriota

É a terceira condecoração que a esposa de Bolsonaro recebe em seu Governo. Já ganhou a Medalha da Vitória, que normalmente é concedida a quem contribuiu para divulgar a coragem dos soldados que combateram o fascismo na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, participou de conflitos internacionais defendendo o Brasil ou integrou missões de paz. Foi agraciada com a Ordem do Mérito da Defesa, destinada a homenagear quem prestou “relevantes serviços ao Ministério da Defesa ou às Forças Armadas do Brasil”. E agora recebe a Medalha do Mérito Oswaldo Cruz, categoria Ouro, a mais alta.

O caro leitor não sabe o que foi que Michelle fez para receber as medalhas? Vá pesquisar, uai! Este colunista é que não vai combater sua ignorância sobre o tema – até porque também não sabe.

 A recordista

O fato é que Michelle tem mais medalhas do que a olímpica Rebecca.

 O recordista

Ciro Nogueira, o novo e todo poderoso chefe da Casa Civil de Bolsonaro, assumiu o cargo e deixou a cadeira no Senado para sua suplente – a própria mãe. Ciro joga o jogo: nos 26 anos em que foi deputado e senador, nomeou o pai, a mãe e os quatro irmãos para, digamos, trabalhar a seu lado. A família acima de tudo – que belo exemplo de amor ao lar! Ciro merece o que vem por aí: é um superministro, como antes dele foram Sérgio Moro e o Posto Ipiranga Paulo Guedes.

Seu único problema é, como eles, pensar que manda.

 Fazendo as contas

O senador gaúcho Luis Carlos Heinze, do PP, da tropa de choque do presidente, se orgulha de dizer que trabalha muito e faz 300 ligações de celular por dia. A menos que seja como o João Doria ou o José Serra, que dormem quatro horas por noite, Heinze deve ficar acordado 16 horas diárias, a média dos seres humanos. E vamos às contas: mesmo que seja The Flash e consiga fazer ligações de no máximo três minutos, ficará 56,75 minutos por hora no celular.

Em que tempo consegue realizar o restante de suas atividades básicas – decorar o que o Gabinete do Ódio manda repetir, trabalhar em projetos para o país, dedicar-se àquilo que o presidente chama de discursos e o resto do país apelidou de número dois, traçar um espeto corrido, tomar um chimarrão, vestir-se? Um fenômeno.

 Inculta Flor do Lácio

O governador João Doria inaugurou o Museu da Língua Portuguesa (uma beleza: bem melhor do que o que pegou fogo, e que já era muito bom) e convidou todos os ex-presidentes da República, mais os presidentes de todos os países de língua portuguesa. Marcelo Rebelo, de Portugal, e Jorge Fonseca, de Cabo Verde, vieram. Angola mandou o ministro da Cultura. Temer e Fernando Henrique compareceram. Sarney teve um problema de saúde.

Bolsonaro, Lula, Dilma, Collor? Esse negócio de cultura é chato!

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2 thoughts on “Relaxar. E rir, rir, rir. Coluna Carlos Brickmann

  1. Brickmann, como todos os morríveis, também comete seus erros. Ele nos informa agora que João Doria e José Serra dormem quatro horas por noite, o que não tem a menor chance de ser verdade. Serra, vulgo Nosferatu entre cebrapistas e peessedebistas em geral, simplesmente não dorme de noite, aliás, seu turno de trabalho mais movimentado, sempre rondando os bancos de sangue da cidade. E Doria, que diz trabalhar demais durante o dia (pelo povo de SP, claro), só tem a noite para planejar a próxima traição, que ele põe em prática a qualquer hora do dia ou da noite – ou seja, não dorme nunca.

  2. “Fazendo as contas”
    Uma atividade, no mínimo, o Heinze consegue fazer simultaneamente às outras, sem prejuízo da eficiência: o “nº 2”, que não requer o uso das mãos… E que políticos fazem em público, sem nenhuma cerimônia!

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