Nasce um craque? Coluna Mário Marinho

Nasce um craque?

COLUNA MARIO MARINHO

As comparações, de um modo geral, tendem a ser perigosas. No caso do futebol, então, é muito arriscado.

Milhares de novos pelés foram apontados por jornalistas, torcedores e apaixonados pelo futebol e nenhum deles chegou perto sequer do Rei que, como o Rei Momo, é o primeiro e único.

Mas, na atual conjuntura do futebol brasileiro, com pouquíssimos craques (se é que eles realmente existem), vamos dar crédito e encher de esperança o futuro com a atuação do jovem Igor (será que é necessário mesmo chamá-lo de Igor Gomes? Pra diferenciar de quem?).

Para evitar exageros, digo e repito que estou só apontando felizes coincidências e não vaticinando o futuro. Até por que não tenho a menor vocação pra mãe Dinah.

Vamos, por tanto, aos fatos.

Na noite de 7 de março de 2001, uma quarta-feira, O São Paulo entrou em campo para decidir o título do torneio Rio-São Paulo jogando contra o carioca Botafogo.

No primeiro jogo, no Maracanã, o Tricolor venceu por 4 a 1 com gols de Carlos Miguel, Luís Fabiano 2 e França. Rodrigo marcou para o Fogão.

O São Paulo, que jogava pelo empate, já que a diferença de gols não contava, entrou em campo com Roger; Jean, Rogério Pinheiro e Wilson; Belletti (Reginaldo Araújo), Fabiano (Cacá), Cláudio Maldonado, Carlos Miguel (Júlio Batista) e Gustavo Nery; Luís Fabiano e França.

Aos 39 minutos do primeiro tempo, Donizete fez Botafogo 1 a 0.

Na volta dos times para o segundo tempo, os 71 mil torcedores que pagaram ingresso se surpreenderam com a informação do serviço de alto falantes: Sai Fabiano, entra Cacá.

Ninguém conhecia esse garoto prestes a completar 19 anos e rosto imberbe ainda marcado por algumas espinhas.

Pois foi esse jovem que virou o jogo, marcando os dois gols que deram a vitória por 2 a 1 e o primeiro título do Rio-São Paulo para o Tricolor.

Cacá cresceu, se transformou em Kaká, participou da campanha do penta campeonato mundial na Copa de 2002, transferiu-se para a Europa e em 2007 foi eleito o melhor do mundo, deixando Lionel Messi em 2º lugar e Cristiano Ronaldo em 3º.

Igor está apenas começando, mas fez os 2 gols da vitória (2 a 1) sobre o Ituano, pelo Paulistão. Tem o mesmo jeito jovem e jovial de Kaká.

Terá muito chão pela frente mas, quem sabe?

Eu me lembro que em 1999, comentava para a TV Gazeta de São Paulo o campeonato paulista sub 20, um jogo no Pacaembu, e fiquei admirado pelo futebol do camisa 8 do Tricolor, chamado Ricardo.

Pedi mais informações ao repórter de campo. Ele me trouxe.

– O nome dele é Ricardo Izecson dos Santos Leite. Ele nasceu em Brasília, no dia 22 de abril de 1982.

Dois anos depois, ele foi escolhido a revelação do Paulistão. Eu fui à festa de entrega dos troféus e encontrei um garoto tímido, meio encolhido num canto do salão, que discretamente se aproximou de mim:

– Seu Mário Marinho eu tenho até hoje a fita daquele jogo que o senhor me elogiou naquele jogo do sub 20. Muito obrigado.

Era o Ricardo, que se transformou em Cacá e depois no Kaká melhor do mundo.

Boa sorte, Igor.

Fim de semana do Paulistão – O Palmeiras ficou no empate com o Novorizontino, lá na distante Novo Horizonte (408 quilômetros da capital paulista). Vai definir sua classificação no jogo de volta, senta quarta-feira, no Pacaembu.

Em sua briga – ou birra – com a Federação Paulista, o Verdão reclama que o gol do Novorizontino nasceu de uma jogada irregular. Bobagem, a jogada foi normal como mostraram as repetições do lance.

O Santos passou pelo RB Brasil, 2 a 0, num belo e bem disputado jogo. A vitória torna-se mais importante ao se lembrar que o RB teve a melhor campanha da fase de classificação do Paulistão.

O Corinthians foi a Araraquara, 280 km da Capital, também conhecida como Morada do Sol, e voltou de lá com um empate.

A exibição foi tão fraca que o sincero técnico Fábio Carille, ao final do jogo, declarou que tinha dúvidas se seu time merecia mesmo o empate. A decisão será na quarta-feira, na casa corintiana, em Itaquera.

No Rio, jogaço – Foi um Fla-Flu digno dos velhos tempos. Isso, em termos de garra, de vontade em campo e até no resultado final: 3 a 2 para o Flamengo. É preciso ressaltar que o Flu entrou em campo com um time quase que só de reservas.

Mas houve muita emoção e até confusão e quase agressões ao final do jogo.

Foi tão bom, que Flamengo e Fluminense voltam a se enfrentar nessa quarta-feira, graças a um regulamento muito esquisito. No outro jogo, Vasco x Bangu.

Minas Gerais – O Galo, que hoje completa 111 anos, passou fácil pelo Tupinambás, 3 a 1, e já está classificado para as semifinais.

Está ao lado do Cruzeiro que despachou o Patrocinense, 5 a 0, e do Boa que se classificou vencendo o Tombense nos pênaltis. A última vaga será decidida entre o América, tão mineiro quanto esse escriba, contra a Caldense, nesta noite, na capital dos belos horizontes.

Veja os gols do Fantástico.

Ah!, e temos
Seleção Brasileira

O adversário desta terça-feira, 26, nesse amistoso, será a Checoslováquia. No sábado, empatamos com a Seleção do Panamá, 1 a 1, num jogo irritantemente ruim.

A Seleção anda tão mal que, no dia seguinte, no Clube que frequento, o Continental Parque Clube, ninguém falou desse jogo.

A rodinha eu se forma após o tênis do domingo, gastou o tempo em assuntos outros, os mais variados, menos Seleção Brasileira.

Dá até tristeza, mas ninguém tá ligando para esse nosso time atual, cuja camisa Amarelinha já foi tão respeitada mundo afora….

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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