Entre Napoleão Bonaparte e os canaviais. Por Angelo Castelo Branco

Entre Napoleão Bonaparte e os canaviais 

Angelo Castelo Branco

– Há bagaço de cana obstruindo a democracia  –

A atividade agrícola predominante ao longo de toda a formação socioeconômica de Pernambuco é responsável por uma tão medonha cultura predatória que nada escapou de suas garras insaciáveis.

O poder tirano da cana de açúcar destruiu a mata atlântica, promoveu a desordem ecológica eliminando cursos de água e a vida silvestre, alterou o clima, estimulou o mercado da escravidão, concentrou riquezas nas mãos de poucos e disseminou a miséria e o sofrimento na semi-extinta zona da mata.

A dependência do senhor do engenho e do destino de exércitos de famintos, doentes e analfabetos, deu origem a uma cultura paternalista fortemente impregnada até hoje. E que se manifesta claramente nas decisões eleitorais.

O cenário em que vivemos remete a um episódio protagonizado por Napoleão Bonaparte diante das pirâmides do Egito. Do alto dessas pirâmides quarenta séculos vos contemplam, disse ele aos seus soldados. 

O sentimento de inferioridade social ressurge quando o poder da máquina pública promete benefícios à maioria fragilizada e vítima da falta de escolaridade, desqualificada para o mercado de trabalho.

As consequências são dramáticas: políticos populistas despreparados, desprovidos de formação adequada e alienados. A democracia está travada ou contida em imaginários currais de votos. As ideias são barradas pelas porteiras culturais envelhecidas.

Há hoje um abismo na comparação da qualidade de vida entre o colonizador de Lisboa e o colonizado do Recife. Esses indicadores inquietam a capacidade crítica do pernambucano.

O cenário em que vivemos remete a um episódio protagonizado por Napoleão Bonaparte diante das pirâmides do Egito. Do alto dessas pirâmides quarenta séculos vos contemplam, disse ele aos seus soldados.

Do alto dessas colinas de verdes canaviais vos castigam 500 anos de pobreza e preconceitos, podemos nos dizer em nossas metáforas de neo-ibéricos colonizados.

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Resultado de imagem para Angelo Castelo Branco, jornalistaAngelo Castelo Branco – Jornalista. Recifense,  também advogado formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Com passagens pelo Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Diario de Pernambuco, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, como editor, repórter e colunista de Política.

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