WE CAN - CHINA -EUA

We can?!… Por Aylê-Salassié Quintão

WE CAN?!…

– Recuperar o tempo perdido: como, com quê e com quem? –

AYLÊ-SALASSIÉ QUINTÃO

… chama mesmo a atenção o fato de que, enquanto todos distraíam-se com o protagonismo das eleições americanas, algo impactante passou quase despercebido.  A aprovação do 14º Plano Quinquenal (FYP) 2021-2025, na quinta sessão plenária do 19º Comitê Central do Partido Comunista da República Popular da China…

WE CAN

A eleição de Joe Biden, democrata, à presidência dos Estados Unidos, indica um reposicionamento na política externa de metade dos países do mundo, cujos chefes de Estado foram contaminados pelo nacionalismo, o liberalismo extremado e as sandices do republicano Trump, que permanece no Poder até 20 de janeiro. O próprio governo norte-americano deverá retornar aos tempos de Obama. Começar tudo novamente. O Brasil não estará imune das consequências pela conivência de Bolsonaro com Trump.

O caminho Obama todos conhecem – respeito aos direitos humanos, universalização dos planos de saúde, combate ao terrorismo, crescimento da economia. Mas, chama mesmo a atenção o fato de que, enquanto todos distraíam-se com o protagonismo das eleições americanas, algo impactante passou quase despercebido.

 A aprovação do 14º Plano Quinquenal (FYP) 2021-2025, na quinta sessão plenária do 19º Comitê Central do Partido Comunista da República Popular da China, encerrada na quinta-feira (05-10), estabelecendo novas metas de desenvolvimento social e econômico que, entre outros objetivos, procura consolidar a China como a principal contraparte à hegemonia dos EUA no planeta, inclusive, do ponto de vista militar e tecnológico. A China caminha para uma nova era em sua história, frisou o presidente chinês Xi Jinping,

 O 14º FYP dá continuidade ao 13º Plano Quinquenal, comprometendo-se a ajudar o progresso comum de todos os países do mundo. Para isso, já estendeu acordos comerciais para 120 países e 30 organizações regionais e financiamentos a grandes projetos de infraestrutura em 138 países. Sua representação na economia mundial elevou-se de 15,5% para 16,3% nos últimos cinco anos. A renda per capita interna aumentou 39,9%. A erradicação da pobreza absoluta no seu território beneficiou 10 milhões de famílias em um ano. Investiu-se pesado na educação, na saúde e na autossuficiência em ciência e tecnologia: o digital 5G (rapidez nas informações) espalhou-se e já se trabalha com a ideia do 6G. Esses dados são da embaixada brasileira na China. O consumo interno já responde por 60% do crescimento econômico. Ninguém aumenta preço na China à sua revelia.

 Hoje, não existe País que tenha políticas macroeconômicas tão bem definidas como a China, nem mesmo a Rússia, que inspirou o 1º Plano Quinquenal. Os russos enviaram técnicos a Pequim de Mao Tse-Tung para ajudar a introduzir o planejamento na economia chinesa, assim como os americanos fizeram com o Brasil nos anos 50.  Mao captou mensagem de Stálin, e fechou o País para balanço por quase 40 anos. Ignorou até o lugar que lhe cabia no Conselho da ONU.

 Após a fundação da República Popular da China, em 1949, a economia do país passou por um período de recuperação. Em 1953, o governo central lançou seu primeiro FYP (1953-1957), que visava mudar o país de agrícola para industrial avançado, com foco na indústria pesada. E mudou! Com a economia planejada e sem a interferência dos políticos predadores, a Rússia recuperou-se e a China deu um salto no desenvolvimento.

 Tinha à frente de sua economia pessoas totalmente concentradas nos planos de desenvolvimento. Nenhum prêmio Nobel.  Cumpriria a etapa primeira do desenvolvimento, criando uma indústria nacional forte. Os próximos cinco FYPs destacariam o desenvolvimento agrícola e industrial para amenizar as carências internas de alimentos. Os planos deram continuidade ao desenvolvimento industrial pesado, que avançou em direção à tecnologia, e colocou os chineses na lua.

No último FYP os chineses tiveram um crescimento médio do PIB em torno de 10º, registrando índices anuais próximos de 14 por cento. Nele já se projetava a China como a primeira economia do mundo. Caminha para acontecer. Já desbancou os Estados Unidos como o primeiro parceiro comercial de muitos países, inclusive o Brasil.

A moeda chinesa, o yuan, ultrapassou o Euro em 2014, convertendo-se na segunda moeda mais utilizada no financiamento do comércio mundial, depois do dólar. Projeções na economia indicam que, nos próximos anos, a China será o maior investidor internacional do mundo. O renmimbi – o nome da moeda corrente – poderá tornar-se um dos eixos determinantes. Os seus ativos globais triplicaram, passando de quase seis e meio trilhões de dólares a vinte trilhões de dólares, o que fortalece a sua posição econômica global.

 A projeção do 14º Plano é um crescimento médio de 5% ao ano, projetado para 15 anos, significa que os chineses estão prevendo anos muito promissores e, para não serem surpreendidos pelo esgotamento de alguns setores produtivos, uma pandemia e até com uma guerra, mostram uma certa modéstia ao fixar a taxa de crescimento econômico. Os índices da economia chinesa nesse período vai se aproximar de 50 %. Para quem trabalha com trilhões, é algo de se assustar.

 Biden e seus aliados terão de conviver neste cenário. E o Brasil? É preciso encontrar logo alguém que pense, acredite no planejamento e tenha competência para executar, com seriedade, um modelo de desenvolvimento econômico e social autônomo, antes que novos aventureiros venham a assumir a chefia do Estado. Getúlio tentou planejar, JK e os militares executaram.

Não dá para ficar bem com as partes predadoras. Os eleitores precisam entender isso. Estamos no final de mais uma década perdida.

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Aylê-Salassié F. QuintãoJornalista, professor, doutor em História Cultural. Vive em Brasília

 

 

 

 

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