sabores do empate

Sabores do empate. Blog do Mário Marinho

sabores do empate

O futebol é feito de emoções geradas pela alegria e tristeza.

E também pelos lugares comuns usados à vontade pela Imprensa que os repassa aos torcedores. Estes assimilam e, de um modo geral, passam a usar.

Um dos mais antigos, sem dúvida, é o famoso “futebol é uma caixinha de surpresa”. Às vezes é chamado também de esporte bretão.

O primeiro gol é logo chamado de abertura da contagem; ao final do jogo fecham-se as cortinas; se o treinador não consegue satisfazer a toda a torcida diz-se que é impossível agradar a gregos e troianos… e por aí vai.

Tem o famoso sabor do empate.

Originariamente, o “sabor” do empate é o ponto conquistado.

Mas às vezes pode ser também dos dois pontos perdidos.

É nesse caso que se enquadram Palmeiras e São Paulo e seus respectivos empates.

No Allianz Parque, o Palmeiras, vice-líder, recebeu o Juventude, 15º colocado.

Depois da classificação para a final da Libertadores, era de se esperar um Verdão arrasador em cima dos gaúchos.

É verdade que os gaúchos saíram na frente com o gol de Castilho logo aos 5 minutos.

Mas, é claro, o Palmeiras vai dar a volta por cima, sonharam os palmeirenses usando velho chavão.

O empate veio aos 28 minutos para dar mais esperanças.

Mas assim terminou.

Como líder, o Atlético havia vencido o Internacional no sábado, e era necessária a vitória para não deixar o Galo se distanciar.

Como ela não veio, agora são 10 longos pontos que separam o Galo do Verdão.

A Chapecoense é lanterna do Brasileirão com apenas 11 pontos ganhos; dos 23 jogos que disputou, empatou 8, perdeu 14 e tem apenas uma vitória.

Presa fácil para o São Paulo que vem tropeçando no Brasileirão, não é?

Bem foi assim também que imaginou o técnico Hernán Crespo. Antes do jogo, ele confirmou isso em entrevista:

“Somos melhores que nosso adversário e temos a obrigação de vencer”.

Mas o que se viu em campo foi um São Paulo jogando um futebol quadradinho, repetindo os mesmos e muitos erros e os poucos acertos.

O elenco do São Paulo não é dos mais ricos. Mas, também, não paupérrimo como seus números indicam.

O Tricolor está em 13º lugar com 28 pontos ganhos, resultado de 6 vitórias, 10 empates e 7 derrotas.

É muito pouco para a exigente torcida.

Mas é que o time fez por merecer dentro de campo.

O técnico Hernán Crespo conquistou a torcida ao levar o time ao título de campeão paulista logo no começo da temporada, interrompendo um longo jejum de quase 10 anos sem nenhuma conquista.

Mas o futebol é feito de conquistas. E não foi isso que aconteceu ao São Paulo, eliminado na sequência da Copa do Brasil e da Libertadores.

Sobrou o Brasileirão, título já impossível, mas, pelo menos, a classificação para a Libertadores do ano que vem.

Mas do jeito que o time está jogando esse sonho vai ficando cada vez mais distante.

E o trabalho do técnico Crespo vai sofrendo cada vez mais críticas.

Ontem, o perigoso e rápido atacante Rigoni marcou o gol do Tricolor e depois perdeu mais duas chances incríveis.

Apesar disso, ele é o mais efetivo dos atacantes. Mas, no segundo tempo, depois de sofrer o gol de empate, Crespo fez modificações no time e Rigoni foi deslocado para a ponta direita.

Um erro claro: o goleador tem que ficar mais perto da área.

Salta aos olhos também a falta de jogadas ensaiadas.

Se o time não tem craques em profusão na sua escalação, aí é o momento de aparecer o trabalho do técnico, com jogadas ensaiadas, principalmente nas bolas paradas. Mas isso não se vê no São Paulo.

E, para terminar com alguns chavões, Crespo, que cantou vitória antes do jogo “deu com os burros n`água”; e a vitória, que “cairia como uma luva”, explodiu como uma bomba em seu colo e “consternou profundamente” a torcida que já está “cansada de contabilizar perdas”…

Se para Palmeiras e São Paulo o “empate teve o amargo sabor da derrota”, para o Corinthians o 2 a 2 com o Bragantino, em Bragança, foi como uma música. O Timão, 6º colocado, estava perdendo por 2 a 0 até os 40 minutos do segundo tempo, quando conseguiu o empate com o Braga que é o 5º colocado.

Vale o registro: o meu América não tomou conhecimento do Cuiabá, lá no Mato Grosso, e venceu por 2 a 0, dando assim importante e longo passo para se distanciar da pegajosa Zona do Rebaixamento.

Veja os gols de ontem:

https://youtu.be/peh2uyK7Hkk


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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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