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Vacina cura? Por Meraldo Zisman

VACINA CURA?

MERALDO ZISMAN

É espantosa a crença do povo, muito estimulada pela mídia, de que a vacinação resolverá o problema da pandemia. Advirto de pronto que — aqui no Brasil — a maioria acredita erroneamente que todas as pletoras midiáticas sobre a corrente virose são frutos de nossas desavenças políticas. No entanto, acontecem também na imprensa internacional. Advirto ainda que as epidemias e ocorrências assemelhadas não são contingentes acidentais. Diria até, fazem parte da história ou do pouco que ela nos ensinou.

Retomo ao conceito médico de vacinação, o de injetar um pouco dos vírus ou bactérias agressoras, ou de componentes devidamente atenuados do micro-organismo causador de uma doença, numa tentativa de aumentar a imunidade do paciente contra o seu agente etiológico. Até agora, o que sei ou compreendo como médico não especialista nos assuntos da Epidemiologia é que a vacinação é uma grande arma contra as infecções virais ou bacterianas principalmente quando as diferenças sócias são abismais, até dentro de um mesmo país de acordo com a região. O Brasil é um grande exemplo mundial da eficiência de um bom sistema vacinal.

 A doença denominada Covid-19 é – em comparação com algumas pandemias como a gripe espanhola que registraram cerca de 50 milhões de mortes –  menos assustadora, apesar do valor de cada vida humana.

 Não obstante, há um clamor internacional pela aplicação de quarentenas e vacinas cuja eficácia e segurança ainda não foram corroborados, alguns dizem:  dado o açodamento dos laboratórios em vender vacinas e com isso lucrar como nunca; anunciou-se nesta semana que um dos laboratórios espera faturar 15 bilhões de dólares com a venda de imunizantes. O que me remete ao termo ‘medicina financeira’, pois nesse caso parece que o que importa é o lucro, e não tratar ou salvar vidas.

Tal conceito agride frontalmente um dos princípios básicos da Medicina, baseado nos ensinamentos de Hipócrates: “Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”. E vacinas desenvolvidas e sem seguir os conselhos científicos oficias poderão de fato causar resultados falhos ou até negativos.

Recomendo, primeiro, cautela. Nunca a desesperação de impasses noticiosos.

 A vacinação pode evitar o aumento das infecções, mas por difícil poder ser universal, em pouco reduzirá o número de doentes ou de mortes, o que só poderá ocorrer naturalmente quando seja atingido a um alto percentual de contágio ou adaptação do vírus tornando-o de menor virulência.

Pouco se fala da adaptação da malignidade do agente. O vírus não sobrevive com a morte de seu hospedeiro se tornam menos agressivos ou de menor virulência:  é a capacidade que um agente biológico tem em produzir efeitos graves ou fatais no hospedeiro.  Está relacionada com a sua capacidade de multiplicação no organismo infectado, produção de toxinas, entre outros fatores. Portanto, a virulência de um determinado agente pode ser determinada pelos coeficientes de letalidade e gravidade:

A vacinação não é a solução do problema; a vacina é “apenas” parte do problema.

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Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Álvaro Ferraz.

 

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