O Brasil bom, sem governo. Coluna Carlos Brickmann

O BRASIL BOM, SEM GOVERNO

COLUNA CARLOS BRICKMANN

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 10 DE FEVEREIRO DE 2021

 Chega de brincar: um grupo de gente séria decidiu, com seu dinheiro, dar um jeito de vacinar logo, até setembro, toda a população do país. O objetivo é vacinar, sem se preocupar com trololós de políticos nem com eleições. Feito o serviço, pronto: o grupo volta a suas atividades e os políticos que discutam a largura das calças dos rivais. O movimento é o Unidos pela Vacina, comandado pela formidável Luiza Helena Trajano, do Magazine Luíza, e seu grupo Mulheres do Brasil, somando também empresários e entidades mais preocupados com saúde pública do que com eleições.

Os empresários doarão todas as vacinas ao SUS. Frase de Luiza Trajano: “Nosso objetivo é vacinar todos até setembro deste ano. A gente não discute política, não procura culpado. Discute, sim, como levar a vacina a todos”. A ação, além de trazer vacinas, inclui ajuda na produção, com apoio logístico e contribuições para resolver problemas da Fiocruz e do Instituto Butantan. “Queremos usar nossa experiência, nossa força, para ajudar a destravar os problemas. Coisas que demorariam um mês queremos resolver em 15 dias”, diz Marisa Cesar, CEO do Mulheres do Brasil. Isso se junta a pesada campanha publicitária nacional em favor da vacinação, em parceria com redes de TV, para reduzir a resistência à vacina.

O premiadíssimo publicitário Nizan Guanaes, entidades como a Febraban (bancos) e outras devem participar do esforço conjunto.

 As moças da chuva

Talvez as florestas em chamas sejam uma imagem mais rara no futuro. Quatro moças brasileiras, entre 23 e 25 anos, desenvolveram um projeto de chuva artificial que está entre os finalistas do NASA Space Apps Challenge, patrocinado pela agência espacial americana. The Walking Cloud (a nuvem que anda) chama a atenção também por usar materiais baratos, encontrados facilmente no mundo inteiro, e basear-se apenas em energia renovável.

Larissa Nery, 25 anos, e Isabella Moresco, 24, engenheiras de petróleo; Gabriela Raquel Pereira, 23, designer; e Natália Cunha, 24, urbanista e arquiteta, criaram o equipamento. Com base em dados de temperatura e de umidade fornecidos pela NASA, são identificadas regiões onde os incêndios serão mais prováveis. Soa um alarme, e um drone da NASA a energia solar é programado via satélite para encontrar o local. De noite e no começo da manhã, quando é maior a umidade do ar, o drone abre a malha de bioplástico que se enche de gotas de orvalho. Nos períodos mais secos do dia, as gotas caem no solo, umedecendo a camada orgânica seca onde o fogo começa.

 É bom prevenir

Apaga uma queimada? Não – mas atua na prevenção, já que conter o fogo é mais difícil do que evitar que comece. Não é complexo, nem caro: pode ser usado em qualquer lugar do mundo (os dados da NASA sobre condições atmosféricas são públicos), com equipamentos amplamente disponíveis.

 Mudando de assunto

O ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que já foi levado ao espaço pela NASA e até ganhou o apelido de Astronauta, está sendo citado aqui porque talvez assim o clipping de imprensa lhe seja levado e ele saiba que algo interessante está sendo feito por brasileiros. Só calar-se fica chato.

 Resistir, como?

Acredite se quiser: o senador Nelsinho Trad confirmou em entrevista em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que está sendo cogitado para assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional. O irmão do senador, deputado Fábio Trad, pediu-lhe que não aceite cargo nenhum: o pai de ambos, Nelson Trad, foi preso e torturado durante a ditadura tão elogiada por Bolsonaro, que também homenageou publicamente alguns torturadores. Mas nada como uma chapa branca no carro: Nelsinho Trad não pode resistir a ela.

 Vice fora

Ui, ui!!!!! O presidente Bolsonaro não quer mais que seu vice, o general Mourão, participe de suas reuniões com ministros. E coragem para dizer isso, cara a cara, ao general? Ele preferiu, em vez de convocar o Ministério para a reunião, chamar ministro por ministro, deixando o general de fora. Já faz tempo que Bolsonaro e o vice estão de mal, mas as relações parecem piorar dia a dia. Só falta o Gabinete do Ódio iniciar os ataques ao vice-presidente.

 Bolsonaro mal na fita

A pesquisa XP/Ipespe de fevereiro talvez explique por que Bolsonaro, de repente, virou adepto de dar uma ajuda aos que enfrentam maiores problemas econômicos com o coronavírus: o presidente vai perdendo posições. Quem acha sua gestão ruim ou péssima passou de 40 para 42% em um mês (OK, está na margem de erro, mas os demais índices confirmam a queda). Quem vê seu governo como bom ou ótimo caiu de 32 para 30%. A mais longo prazo: quem achava seu governo ruim ou péssimo, em outubro, eram 31%; agora são 42%. A principal queda ocorre entre quem ganha até dois mínimos.

___________________________________________________
CURTA E ACOMPANHE NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK
______________________________________________________________
ASSINE NOSSA NEWSLETTER NO SITE CHUMBOGORDO (www.chumbogordo.com.br)
___________________________________________________
COMENTE:
carlos@brickmann.com.br
Twitter:@CarlosBrickmann
www.brickmann.com.br

5 thoughts on “O Brasil bom, sem governo. Coluna Carlos Brickmann

    1. Vivemos mesmo numa época de mal entendidos… Mas eu “marquei” nessa. Não entendo piadas nem em português, quem dirá em inglês!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter