Mais do mesmo. E pior. Por Edmilson Siqueira

MAIS DO MESMO. E PIOR

EDMILSON SIQUEIRA

Se nada for feito para brecar o projeto destruidor de vidas do presidente, o atual Congresso Nacional será cúmplice do maior assassinato em massa que o Brasil já teve. O impeachment hoje é uma necessidade básica para esse país que agoniza.

Pela Crusoé, fico sabendo que o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, teve carreira acadêmica pífia e, como médico, se prestou a bajular políticos para galgar postos que dependiam mais do Q.I. – quem indica – do que do quociente de inteligência propriamente dito. Um de seus padrinhos já para a conquista da presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia foi ninguém menos que Flávio Bolsonaro, de quem ele se aproximou quando percebeu que o deputado federal, pai do futuro senador, poderia ser o próximo presidente da República.

Talvez a situação fique ainda pior, já que o general trapalhão tentava manter a pose para disfarçar a incompetência e, embora fosse uma figura tragicômica em meio à pandemia e na qual ninguém mais acreditava, o atual ministro Queiroga, em seu jaleco, pode passar alguma confiança. Só que sua incompetência como médico já é do conhecimento de todos. Se Pazuello não sabia muito bem o que fazer e obedecia ao roteiro macabro do chefe e suas crias maldosas, Queiroga vai revestir seus pronunciamentos com o verniz do diploma de médico e poderá passar uma confiança maquiada fazendo com que mais pessoas acreditem que ele está certo, mas pode ser apenas um disfarce para a verdadeira missão que o carrasco do Brasil lhe deu.

E mesmo que nada mude, pior já ficará: os números da tragédia, diante da inércia do Ministério da Saúde e do incentivo presidencial ao desdém pela ciência, só aumentam, e estão na iminência, depois de lotar leitos convencionais e UTIs, de lotar cemitérios e provocar filas de caminhões frigoríficos a preservar não carnes várias para nosso consumo e sim a carne morta de milhares de corpos de brasileiros que, se eram fortes para enfrentar a covid, não conseguiram vencer a sanha assassina de um presidente psicopata.

Enquanto o Brasil tiver que conviver com esse governo, as pilhas de cadáveres serão paisagem constante à nossa volta. Como o povo consciente – que hoje é maioria – não pode sair às ruas para intimidar os políticos e obrigá-los a agir, estamos nas mãos de um bando de parlamentares que, mesmo sabendo do genocídio em curso, continua a olhar mais para o próprio bolso e tenta se valer da desgraça geral para ter ganhos políticos e financeiros.

Se nada for feito para brecar o projeto destruidor de vidas do presidente, o atual Congresso Nacional será cúmplice do maior assassinato em massa que o Brasil já teve. O impeachment hoje é uma necessidade básica para esse país que agoniza.

Há sinais, apenas sinais, de que o Centrão já começa a entortar o nariz para as consequências nefastas da política bolsonarista. A nomeação de um nome alheio à indicação dos parlamentares que apoiam o governo andou causando algum estrago, embora, ainda, não suficiente para uma rebelião.

A principal consequência na qual os atuais adesistas prestam bastante atenção é a perda da popularidade do ocupante do Planalto. Reduzida hoje a menos de 30% do eleitorado, já há estudos que indicam que os bolsonaristas que fecham os olhos à desgraça e seguem o falso mito em qualquer circunstância não passam de 14%. É um alento.

Mas nosso Congresso, pelo menos sua maioria, não é de desdenhar um ministério de porteira fechada, um bom cargo para um apadrinhado e, muito menos, de recusar dinheiro das emendas parlamentares das quais o governo dispõe aos bilhões de reais. Enquanto a caneta Bic de Bolsonaro tiver tinta, esses políticos sem qualquer pudor ou senso de responsabilidade que, repito, formam a maioria, continuarão a rejeitar qualquer proposta que mude radicalmente o cenário que lhes é favorável.

Mas algumas declarações de políticos importantes no esquema do toma-lá-dá-cá mostraram que há uma remota possibilidade de um rompimento com o projeto assassino de poder do qual hoje eles fazem parte. Não é muito diante da gigantesca tragédia que estamos vivendo e que precisa de medidas urgentes – a principal delas a retirada do poder das mãos do presidente genocida.

O impeachment conduziria à presidência o vice Hamilton Mourão, um general que, pelas suas declarações e atitudes, nos parece muito mais sensato e de comportamento completamente oposto ao do titular.

Nele repousam hoje as parcas esperanças de milhões de brasileiros que não querem virar estatísticas fúnebres nas mãos de um psicopata alheio à dor humana.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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