SUPREMO ESTRAGADO

Um supremo estragado. Por Edmilson Siqueira

UM SUPREMO ESTRAGADO

EDMILSON SIQUEIRA

…de hoje em diante, um Brasil com gente morrendo nas ruas por culpa de um governo conduzido por um presidente genocida e com corruptos dos mais altos escalões andando livremente por aí, roubando o dinheiro dos impostos, matando indiretamente tanto quanto a praga da covid e sendo protegidos pelos capas pretas…

POÇO - ESTRAGADO

Ainda indignado pela decisão do STF de livrar a cara do chefe do maior esquema de corrupção que o Brasil já teve, inicio esse artigo já visualizando a vergonha que nosso país vai passar perante o mundo. Mais uma vergonha, aliás, só que essa é muito maior que todas as outras. Agora se trata de livrar da punição para sempre (não haverá tempo de nova sentença antes da prescrição de quase todos os crimes) grandes e poderosos corruptos que, pegos com a boca na botija, conseguem, mercê manobras que destoam completamente do modo de se fazer prevalecer a Justiça, se livrar não só de suas penas, mas de todo o processo que custou caro à nação e que deu grandes esperanças ao povo brasileiro que os sujos políticos e empresários formadores de quadrilhas para sangrar os cofres públicos, iam, finalmente, pagar pelos seus crimes.

A decisão da inacreditável segunda turma desse tribunalzinho que só tem superior no nome, teve lances teatrais protagonizados por esse juiz de quem um dia a história se incumbirá. Gilmar Mendes, há poucos anos, era um bravo defensor da Lava Jato, de suas investigações e até elogiava o juiz Sergio Moro. Bastou a operação chegar a seus amiguinhos do PSDB (ele foi nomeado para o STF por Fernando Henrique Cardoso, lembrem-se) e sua conduta em relação à caça aos corruptos mudou completamente.

Começou a descobrir erros em investigações e na atuação do juiz em processos que ele mesmo havia elogiado. E passou a soltar todo e qualquer delinquente cujo habeas corpus lhe chegasse às mãos, talvez para justificar um novo modus operandi e disfarçar que só estivesse fazendo favores a determinados corruptos.

Para chegar ao ponto em que se chegou hoje, a coisa foi ainda pior. Basearam seus julgamentos – os três que votaram contra Moro, inclusive Carmen Lúcia que, a partir de hoje não engana mais ninguém – se valeram de provas totalmente ilícitas, que só entrariam num julgamento caso vivêssemos numa ditadura mais obscura que o Terror de Stálin na Rússia dos anos 1930. Conversas roubadas por um hacker cujo destino seria o lixo por imprestáveis sob todo e qualquer aspecto judicial, serviram para embasar a condenação de um juiz cujos processos foram analisados pela segunda e terceira instância e nada neles foi encontrado que o desabonasse.

Mas Lewandowski (um juiz do PT a quem deve favores e os paga sempre), Carmen (que mudou o voto na cara dura, sem enrubescer) e Gilmar, que nem merece mais qualquer adjetivação em relação ao seu caráter, formam agora a nova vergonha internacional brasileira. A decisão, que será cantada em prosa e verso pela imprensa petista e pelos puxa-sacos da esquerda ao redor do mundo, entrará para os anais jurídicos como um descalabro cometido pela mais alta corte de justiça do Brasil. Servirá de exemplo negativo para o mundo e estigmatizará o país como o paraíso dos ladrões dos cofres públicos e de outros cofres também.

Mas o cenário é pior ainda, pois estamos em meio a uma pandemia que já ceifou, nas últimas 24 horas, mais de 3.200 vidas, num novo e tétrico recorde desse país que não se cansa de ser o primeiro em todos os piores índices sociais que há por aí. E essa tragédia foi favorecida por um governo que, não contente em ser o pior de todos os tempos, faz questão de matar cada dia mais brasileiros, numa sanha genocida sem paralelo na história.

A esse circo de horrores pandêmico se junta agora o circo togado dos juízes que se arvoram a criar a própria justiça e usá-la do modo que mais lhes convém.

Assim, teremos, de hoje em diante, um Brasil com gente morrendo nas ruas por culpa de um governo conduzido por um presidente genocida e com corruptos dos mais altos escalões andando livremente por aí, roubando o dinheiro dos impostos, matando indiretamente tanto quanto a praga da covid e sendo protegidos pelos capas pretas de um tribunal que de supremo não tem mais nada.

Não há fundo do poço para o Brasil. Só há o poço, do qual jamais sairemos.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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1 thought on “Um supremo estragado. Por Edmilson Siqueira

  1. Pelo destempero mostrado por Gilmar Mendes, a Lava Jato não deve ter chegado APENAS aos seus amiguinhos do PSDB, não! (cadê a nossa “imprensa investigativa” e os hackers – agora legalizados – que não vão “a fundo” nesse assunto?)
    P.S.: Dna. Carmen me deu uma verdadeira ducha fria, digna de um lava jato…

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