SUPERLIGA

A Liga que morreu antes de nascer. Blog do Mário Marinho

SUPERLIGA

O futebol é um negócio.

O futebol é um excelente negócio.

É o esporte mais popular do mundo. Jogos da Copa do Mundo são vistos por um público do tamanho da população do Mundo: sete bilhões e meio de pessoas.

Daí, são dirigentes com ou sem competência que fazem fila para dirigir times de futebol.

No Brasil, o esporte mantém cerca de 150 mil pessoas empregadas anualmente.

A cada dia que passa o futebol se torna mais profissional.

A pontos de alguns torcedores, saudosistas, lamentarem: “Ah!, futebol era o de antigamente, quando os jogadores jogavam por amor ao Clube.”

Mera colocação saudosista, pois o futebol desde 1932 é profissional no Brasil.

Antes disso, vigorava uma espécie de amadorismo marrom: alguns jogadores, craques em seu time, aceitavam “ajuda” para vestir a camisa de um Clube.

Quando foi adotado o futebol profissional no Brasil, o Paulistano que era o maior Campeão Paulista com 11 títulos, acabou com seu Departamento de Futebol.

Era inconcebível para os dirigentes do Paulistano pagar alguém para vestir, defender e honrar a camisa de seu Clube.

Nos anos 1910, a rigorosa Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos, a Federação Paulista de Futebol da época) expulsou do campeonato estadual de 1916 o time de origem inglesa Scottish Wanders.

Houve uma denúncia de que o time praticava o profissionalismo.

Uma rápida investigação descobriu que, após, os jogos, jogadores e dirigentes se reuniam em um bar para beber e… distribuir entre eles o dinheiro da renda.

Um escândalo!

Os ingleses-escoceses foram banidos da competição e, em seu lugar, entrou o Palestra Itália que mais tarde seria o Palmeiras.

Nada contra o profissionalismo.

O jogador de futebol é um profissional altamente especializado. Um artista. Ele tem um dom natural ao qual se aliam bom preparo físico e cuidados especiais – estou falando do bom profissional.

Ninguém imagina que Roberto Carlos, Chico Buarque de Holanda, Beatles, Ray Conniff, ninguém imagina, repito, que algum deles vá se apresentar de graça, apenas por amor à arte.

Mas um grupo europeu resolveu olhar para o futebol enxergando muito mais os cifrões do que a bola.

Assim, criaram uma super liga que seria disputada por 20 dos maiores times da Europa. Desses, 15 seriam fundados. Os outros cinco seriam convidados.

Detalhe: os fundados jamais cairiam. Somente os outros cinco correriam riscos.

No mesmo dia do anúncio, jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores, além da Imprensa, começaram a bombardear os 12 primeiros que se interessaram – Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham (Reino Unido); Milan, Inter de Milão e Juventus (Itália); e Atlético de Madri, Barcelona e Real Madrid (Espanha).

A Super Liga distribuiria uma grana imensa para os clubes. Grana jamais vista no futebol. Mas é só isso o futebol, o dinheiro?

Houve até o pronunciamento do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, ameaçando punição para os times ingleses que participassem.

Um a um os clubes foram saindo, seguindo os seis ingleses que foram os primeiros.

As razões são simples.

Deixa-se de lado um dos princípios básicos do futebol: a disputa dentro de campo.

Esses 15 fundadores formariam uma elite que jamais seria ameaçada pelo rebaixamento.

Essa ameaça, pelo menos por enquanto, está descartada.

O futebol e nós torcedores agradecemos.

Negócio, sim; mercantilismo, não.

O desnecessário

sofrimento

Torcedores do Palmeiras devem estar até agora procurando entender por que foi necessário tanto sofrimento para vencer o fraco Universitário ontem à noite, em Lima, capital do Peru.

O Verdão chegou fácil aos 2 a 0.

No segundo tempo, o time, parece, resolveu dar-se folga e resolveu passear em campo.

O Universitário, que não é bom, mas não é bobo, cresceu em campo.

Marcou dois gols e empatou o jogo.

Somente aí, o Verdão de seu conta que estava jogando fora uma vitória fácil em seu jogo de estreia na Libertadores 2021.

Foi à luta e, aos 49 minutos do segundo tempo, conseguiu o gol da vitória, marcado pelo jovem Renan.

Essa é uma situação que acontece com frequência no futebol. O time abre dois gols de vantagem e acha que já venceu o jogo.

Esse 2 a 0, frequentemente, traz surpresas.

Foi por pouco, Verdão.

Veja os gols da quarta-feira:

 

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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