mãos na taça

Com as duas mãos na Taça. Blog do Mário Marinho

mãos na taça

Em situações como essa, é comum afirmar que o time está com a mão na Taça.

Mas, no caso específico do Galo, pode-se dizer que está com as duas mãos.

Não só pelos 4 a 0 que é um placar quase impossível de ser virado, mas, também, e principalmente, pela superioridade técnica do campeão Brasileiro sobre seu adversário.

Ficou patente no Mineirão, ontem,  que o Galo não levantou a Taça do Brasileirão a toa. Não foi um título que caiu do céu.

Foi um título conquistado com muito, muito mérito.

E o Athletico Paranaense, que tem apelido de Furacão, não passou de uma doce brisa.

Entrou em campo com uma estratégia tanto bem definida como muito perigosa: jogar na defesa e esperar o milagre de uma bola no ataque.

É sabido que quando você recua o seu time, atrai para sua área o adversário.

E chamar para sua cozinha um adversário da força do Galo é dar chance para o azar.

Os 4 a 0 até que ficaram de bom tamanho para os dois Atléticos.

O Mineiro vai a Curitiba sossegado. Tá com tudo e não tá prosa.

Já o Paranaense bota as mãos para o céu e agradece: poderia ser de muito mais.

É aquela situação do time do interior que está sendo goleado. Depois de levar o quarto gol, o presidente grita desesperado para o técnico:

– Arrecua os arfo, arrecua os arfo pra evitar a tragédia.

Mas a tragédia já estava mais do que consumada.

Se você tem menos de 50 anos, certamente não sabe o que quer dizer “arfis”.

Antigamente, o futebol usava muitas expressões de sua língua de origem, o inglês.

Goleiro, por exemplo, era chamado de “Golkeaper”.

O time era escalado nos jornais como “Team”.

Ficou impedido? Não, não era banheira, era “offside”

Os laterais eram chamado de “Half direito” e “Half esquerdo”.

O torcedor pronunciava “alfo esquerdo” e “alfo direito”.

Daí, o apelo dramático do presidente:

– Arrecua os arfos, arrecua os arfos.

Festa do Galo em Portugal

O texto que se segue foi escrito pelo meu sobrinho Bruno Peixoto, atleticano que mora em Portugal.

Bruno é mineiro e há cerca de uns quatro anos foi morar em Portugal. Lá estabelecido, voltou ao Brasil para se casar com a bela Mônica e, claro, a levou para Portugal. Há dois anos nasceu Murilo, o mais novo atleticano da família.

Veja, nas linhas abaixo, como foi a conquista e a comemoração do bicampeonato brasileiro pelo Galo em terra lusas, num texto do Bruno Peixoto que teve a colaboração do também atleticano Thiago Lisboa que vem a ser o presidente do Portogalo, o Consulado do Galo em terras de Camões (www.consuladodogalo.com.br )

 “De acordo com o art. 12º do Estatuto Social do Clube Atlético Mineiro, “a diretoria poderá criar e regulamentar CONSULADOS e embaixadas, inclusive nomear seus respectivos cônsules, sub-cônsules e embaixadores, para atuarem como canais de comunicação, objetivando incentivar campanhas sociais, angariar novas receitas, torcedores e ainda aproximar a comunidade das atividades do clube, dentre outras atividades”.

Todavia, devido a inexistência de Consulados montados pelo clube, os próprios torcedores organizaram-se e criaram, em Setembro de 2015, as redes sociais e os canais de contato denominadas “Consulados do Galo” que apenas vieram a ser oficialmente reconhecidos pelo clube cerca de 2 anos mais tarde.

O engajamento dos torcedores é constantemente incentivado pelos membros das respetivas comissões organizadoras. Seja através das redes sociais, seja através dos grupos do WhatsApp ou mesmo nos encontros, todos são convidados a participar.

Um Consulado do Galo é, por definição, um ponto de encontro oficial de torcedores do Galo, em bares mundo afora, com crianças, jovens, adultos, sempre em clima familiar. Nosso foco, enquanto Consulado, é reunir atleticanos, celebrar e fomentar a atleticanidade. Ver os jogos, mesmo que não sejam todos. E divulgar nas redes sociais, atraindo mais pessoas. Os últimos números recolhidos pela gestão dos Consulados pré-pandemia indicavam números expressivos tais como: +de 120.000 seguidores no Twitter, +80.000 no Facebook ou +9.000 participantes em mais de 60 grupos de WhatsApp, fora um número aproximado de 2000 encontros por 4 continentes, somando mais de 50.000 atleticanos reunidos pelo mundo!

O Consulado do Portugalo teve origem numa página de Facebook criada em 2014, para tentar reunir Atleticanos em Lisboa. A ideia surge a 30/05/2013, quando Victor defende o penalti contra o Tijuana, é santificado, e um dos fundadores não se contém em casa, já passava das 4 da manhã, acordando toda a família.

O primeiro encontro oficial aconteceu mais de um ano depois. Realizar os encontros não é uma tarefa tão fácil quanto parece ser dado as diversas condicionantes relativas à transmissão, local, horário etc. Fatores complicadores principalmente para quem está fora do país. Um consulado representa uma cidade. O Portugalo está sediado em Lisboa e a nossa missão é reunir os Atleticanos que residem em Lisboa e região, bem como os turistas que possam por aqui estar de passagem.

Nossa bandeira:

Nosso brasão:

Reunir as pessoas, encontrar um bar que transmite o jogo, criar os eventos e resistir a todas as cornetadas, é para poucos. Hoje contamos com 7 membros na Comissão de Apoio, dentre eles restando apenas um membro fundador.

Nossa oficialização veio com um certificado, emitido pelo Clube Atlético Mineiro e entregue pelo Rodolfo Gropen (na época Presidente do Conselho Deliberativo do clube) no segundo Encontro Europeu dos Consulados do Galo, realizado em Lisboa em 2017, onde foram oficializados também outros consulados europeus. Este encontro durou 3 dias e reuniu mais de 300 atleticanos vindos de 8 países e 3 continentes.

Tivemos ainda a honra de conseguir organizar uma sessão exclusiva para exibir o filme Lutar, Lutar, Lutar, dirigido por Sérgio Borges e Helvécio Marins Jr, que esteve presente. Naquele dia, disse: “nunca vi tanto homem grande chorando junto”. Ainda não havia visto nada.

Atualmente somos quase 200 pessoas em um grupo do WhatsApp e mais vários outros atleticanos que entram em contato através das redes sociais. Nossos encontros são, muitas vezes, condicionados pelo fuso horário. Dificilmente fazemos encontros oficiais quando o jogo se inicia após as 21:30 (horário do Brasil), a diferença horária varia. Podem ser 3 ou 4 horas conforme a época do ano.

Pudemos perceber a presença nos encontros aumentando exponencialmente juntamente com a qualidade do futebol apresentado pelo Galo e, consequente, subida – permanência – no topo da tabela.

Contra o Juventude foram 95 torcedores, contra o Fluminense 155 e contra o Bahia incríveis 200 pessoas se reuniram no Lisbon Burger House (localizado em Benfica). Somos apaixonados, mas esperamos até o último minuto para poder gritar: É campeão!

Durante todo o jogo meu corpo não conseguia se expressar, mal cantava. A atenção era toda para o jogo. Quando o Bahia fez o primeiro gol, todos contaram em incentivo ao Galo, uma forma de acreditar que aquela energia estava sendo transmitida aos jogadores dentro de campo. No segundo gol, um silêncio ensurdecedor tomou conta do local.

De nada adiantou, o Galo pressionou, Cuca coloca Nathan e Sasha e eles mudam o jogo. Passe do Nathan para o Sasha, penalty! O bar explode em vibração com a possibilidade de iniciarmos a nossa virada, mais uma, mais um jogo sofrido. O grito de “Eu acredito” toma conta do bar e o Galo continua a pressionar.

Em mais uma noite iluminada, Keno acerta um chute espetacular, indefensável. Gol, partida empatada. A pressão foi contínua e todos tínhamos uma certeza: “O Bahia não vai aguentar”.

Nathan, mais uma vez cria a oportunidade para mudar o jogo. Com passe certeiro para o meio, encontra Keno que, recebe e chuta para o gol. A virada enfim acontece. Agora é controlar a expectativa para o fim do jogo.

6 longos minutos de espera e ansiedade. Ao fim do jogo era possível presenciar todos os tipos de reações: choro livre, gritos ensurdecedores, saltos, abraços, vibração… Eu demorei a acreditar. Mãos na cabeça, olho na tela, jogadores comemorando, não vejo ninguém e não ouço nada. Aos poucos, volta o som, reaparecem todas as 200 almas encarnadas a vibrar, gritar e comemorar. Todos com lágrimas nos olhos, com um grito engasgado agora colocado pra fora.

O Galo é BICAMPEÃO!”

Mônica, Murilo e Bruno

Apito final no Consulado:

E Lisboa continua em festa com a vitória do Galo, 4 a 0, sobre o Athletico Paranaense.

Mais uma Taça a caminho.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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