futebol tecnológico

O futebol tecnológico. Blog do Mário Marinho

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Já se vão longe os tempos do treinador de futebol como senhor absoluto do time e dos gramados.

Tempos dos irmãos Moreira (Zezé, Ayrton e Aimoré), Vicente Feola, Lula (aquele do Santos de Pelé), Yustrich (apelidado de Homão), Osvaldo Brandão, Rubens Minelli e outros.

Naqueles tempos havia o Diretor de Futebol. A Comissão Técnica era formada pelo Técnico, o Auxiliar Técnico, o Médico, o Preparador Físico.

Na sequência, criou-se o Vice-Presidente de Futebol que ficava acima do Diretor de Futebol.

A Comissão Técnica foi ampliada: os times passaram a contar com pelo menos dois auxiliares técnicos, dois médicos, dois preparadores físicos e por aí foi.

Com a Internet, foi incorporado o Analista de Desempenho. É um profissional (que tem sua equipe) e que analisa o desempenho de seus jogadores e dos adversários. Faz um trabalho especial para os goleiros: estatísticas sobre cobradores de pênaltis.

No aspecto preparo físico os times ganharam profissionais que estudam o desgaste físico dos jogadores e até sugerem a não escalação de determinado jogador por estresse físico.

Havia também os olheiros, já que a comunicação era bem precária. Surgiram então esses profissionais, geralmente ex-técnicos, que viajavam para as pequenas cidades em busca de revelação, de joias que pudessem ser lapidadas.

Agora, com os clubes se transformando em SAF (Sociedade Anônima de Futebol), surge um novo profissional: o Analista de Mercado.

Em reportagem de hoje o Estadão informa que assim que comprou o Botafogo o biliardário norte-americano John Textor, ao invés de procurar jogadores para reforçar o elenco o time de Mané Garrincha, procurou logo um Analista de Mercado.

Como as grandes empresas que investem nas bolsas, o Analista de Mercado no futebol vai analisar o produto que tem nas mãos (o elenco) e coordenar as mudanças (dispensas e contratações).

No caso do Botafogo, o profissional contratado foi Alessandro Brito que traz em seu currículo a formação do atual elenco do vencedor Atlético Mineiro.

Esse trabalho recebeu o nome de Scout.

Scout é uma palavra inglesa com um monte de significados:

Batedor (no sentido de quem vai à frente da caravana), escoteiro, explorador, escuta,

sentinela avançada, olheiro. Como verbo, pode ser traduzido por patrulhar, observar, vigiar, refutar etc.

Enfim, o Analista de Sistema será um olheiro mais requintado, mais refinado, mais profissional.

Sinal dos tempos.

O

Olheiro

JOÃO AVELINO
JOÃO AVELINO

Naqueles tempos jurássicos de comunicação precária, muita gente boa ganhou dinheiro garimpando revelações por esse mundão do futebol.

Um deles foi João Avelino.

João Avelino carregava o apelido de 71.

O excelente repórter Sérgio Baklanos afirmava que o apelido se devia a uma aposta ganha por João Avelino que, numa sentada, comeu 71 esfihas.

Outros diziam que João Avelino vivia repetindo que 1971 seria o ano de sua consagração. Puro folclore, embora em 1971 ele tenha feito excelente campanha dirigindo a Portuguesa de Desportos.

Certa vez, perguntei a ele qual a razão de seu apelido.

– É simples, respondeu, quando fiz o Tiro de Guerra, meu número era 71.

João Avelino (mineiro da cidade de Andradas, onde nasceu em 1929) teve seu primeiro emprego profissional no Atlético Mineiro, onde foi auxiliar técnico de 1951 a 1955. Passou por diversos clubes, fez história, deixou ensinamentos, frases e morreu em São Paulo, em 2006, aos 77 anos de idade.

Algumas de suas frases:

– O grande segredo é que não há segredo.

– Futebol não é força, é jeito.

– Tem jogador que só entra na área em dia de pagamento.

– Hoje, jogador não dá vexame na mesa, sabe falar, mas lá no campo…

– Vamos jogar no esquema do guarda-chuva: abrir no ataque, fechar na defesa.

– Sou um grande técnico, só me falta o rótulo.

– Não falo cinco idiomas, só entendo futebol. É pouco pra Seleção.

Deixou saudade.

Outro bom frasista foi Gentil Cardoso.

Pernambucano, nasceu no Recife em 1906 e morreu no Rio de Janeiro, em 1970, aos 64 anos.

Talvez a sua mais famosa e icônica frase seja:

– A bola de couro; o couro vem da vaca; a vaca gosta grama; então, joga rasteiro meu filho.

A frase era usada quando via jogador dando chutão e mandando a bola para os céus.

Outras frases:

– Daqui pra frente, quero todo mundo indo pra cima e chutando a bola pra dentro da área de qualquer ângulo. Sabe como é: contra time pequeno, bola na bunda é pênalti.

Gentil Cardoso foi o criador da expressão Zebra, empregada no sentido de um resultado inesperado no futebol.

Segundo a história, a zebra foi empregada pela primeira vez quando ele dirigia o forte time do Vasco da Gama que iria enfrentar no pequeno Olaria no fim de semana. Um repórter perguntou a ele qual era a chance do Olaria. E ele respondeu:

– É mais fácil dar a zebra no jogo do bicho do que o Vasco Perder.

Para quem não sabe, o Jogo do Bicho usava animais para facilitar a sua compreensão. Assim, avestruz era número 1; Águia o 2, Cachorro, o 5; Coelho era o 10; 17, o macaco; 21 o Touro e o último número era a Vaca, 25.

Portanto, não havia zebra.

Outra frase de Gentil Cardoso:

– Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governos.

A frase foi dita em 1952. Gentil dirigia o Vasco e havia muitos dirigentes mal satisfeitos com o trabalho dele. Porém, o Vasco foi campeão e campeão em cima do rival Flamengo.

Com o título, Gentil Cardoso saiu carregado pelo povo.

Então, proferiu a frase.

Foi demitido pouco tempo depois.

zebraflash - Fisherfield Childcare
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR) ____________________________________________________________________

 

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