dos males o menor

Dos piores males, o menor. Por Edmilson Siqueira

…Não vou votar em nenhum dos dois, no primeiro ou segundo turno, e a tal da terceira via parece que já foi pro o espaço, mas a infelicidade hoje é tanta em termos de governo, que qualquer possível mudança, mesmo com o pai de todos os corruptos no poder, seria melhor que essa desgraça chamada Jair Messias Bolsonaro…

dos males o menor

Quando Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002, e eu vi um todo sorridente e feliz Fernando Henrique Cardoso lhe passar a faixa presidencial, senti o que milhões de brasileiros deviam estar sentindo: os avanços todos conseguidos até aquele ano iriam para o espaço. Havia a Carta de Recife, na qual Lula jurava amor eterno ao Plano Real e a outras conquistas na área econômica para apaziguar o mercado – sua provável eleição, alguns meses antes, fizera os preços subirem, a inflação disparar e a taxa Selic chegar a 25% no fim de dezembro e subir até 26% em junho de 2003. Mas quem garantia seu cumprimento?

Henrique Meirelles no Banco Central era uma espécie de garantia além da Carta de que os remédios para conter a inflação e diminuir a Selic seriam todos empregados conforme mandam os manuais. Só que a gastança própria dos governos de esquerda sempre maiores do que a arrecadação, a interferência em toda área econômica e nas agências reguladoras, o fortalecimento de estatais com dinheiro do Tesouro, a criação de novas estatais, os olhares românticos para ditaduras de esquerda no mundo e as lambanças do Itamaraty no planeta entre outras coisas, fizeram com que a diminuição da Selic fosse mais lenta e gradual do que a volta à democracia pregada pelo penúltimo ditador, general Ernesto Geisel.

Só em julho de 2009, no meio do terceiro ano do segundo mandato de Lula, é que a taxa deixou de ter dois dígitos, com o Banco Central cravando 9,25%, um ponto percentual a menos que a anterior.

 Agora, em pleno 2022, com as declarações de Lula sobre o teto de gastos, sobre o fim da independência do Banco Central, sobre o controle da política de preços da Petrobras, sobre o “controle social da mídia” que é um eufemismo para a censura pura e simples, e outras declarações de petistas históricos sobre a reversão da privatização da Eletrobras (se Bolsonaro conseguir privatizar, o que é meio difícil), podemos caminhar, até o fim do ano, para mais uma escalada da inflação e da Selic.

Não bastasse esse destino inglório, há os fatores externos que estão infernizando os países que mais se atrasaram no combate à covid 19, como o Brasil sob Bolsonaro: a peste continua matando (as duas, a doença e o governo) e a guerra que a Rússia do ditador Putin resolveu fazer, saudoso que deve estar do seu amado chefe Joseph Stálin, que encareceu o petróleo, os adubos e acabou com os humores do comércio mundial.

 A pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira mostra a possibilidade de Lula ganhar no primeiro turno. E, claro, se a possibilidade aumentar – e as pesquisas influenciam sim parcela do eleitorado que vota em quem vai ganhar – vamos ter de volta os temores que já tivemos, com reflexos na economia.

Pois de uns dias para cá vem crescendo uma sensação que eu jamais pensei que um dia sentiria. É que o governo Bolsonaro superou tanto todas as piores expectativas que eu tinha dele, que um governo corrupto como será o de Lula, mas com algumas parcas esperanças – talvez ele não transforme o Brasil numa Venezuela, talvez ele não censure a imprensa, talvez ele e seus asseclas parem de roubar tanto  (my God! Não acredito que estou escrevendo isso!), talvez a economia volte, aos poucos a patamares civilizados, talvez depois de Lula o brasileiro perceba que perdeu mais quatro anos e não o reeleja (ai!), que só a possibilidade de enxotar o atual inquilino do Planalto para o ostracismo que ele merece e, quem sabe, para uma prisão por uns 30 anos, começa a me dar um certo alívio.

 Não vou votar em nenhum dos dois, no primeiro ou segundo turno, e a tal da terceira via parece que já foi pro o espaço, mas a infelicidade hoje é tanta em termos de governo, que qualquer possível mudança, mesmo com o pai de todos os corruptos no poder, seria melhor que essa desgraça chamada Jair Messias Bolsonaro.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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