PÊNALTI

Gustavo Gomes vibra com o gol da vitória

O pênalti. Blog do Mário Marinho

Gustavo Gomes vibra com o gol da vitória

O pênalti é um momento crucial no jogo.

Eu me lembro que no meu tempo de garoto, naqueles jogos de várzea, campo de terra, ao ser apitado um pênalti (o que era muito difícil), a molecada toda corria para trás do gol onde seria cobrada a penalidade.

O juiz, mesmo aqueles chamados de “juiz de barranco” catado ali na hora, parecia esperar que a meninada chegasse para não perder tão importante ocasião.

Tão importante, que o filósofo ludopédico Neném Prancha cunhou frase histórica: “O pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do Clube, de terno e gravata”.

O que é tachado como falta capital contra o goleiro, poucos sabem, foi uma invenção de um goleiro.

Foi no campeonato inglês, por volta de 1890. Naquela época as faltas cometidas dentro da área, eram cobradas no local onde aconteceram.

As faltas perto da pequena área se tornavam impossíveis de serem convertidas em gol, pois o time colocava dentro da meta todos os 11 jogadores. Não sobrava espaço para a bola entrar.

Inconformado com essa situação, o goleiro William McCrum, do modesto Milford FC, enviou carta aos responsáveis pelo futebol na Irlanda propondo que a falta dentro da área fosse sempre cobrada a uma distância de 12 jardas (cerca de 11metros) do gol.

Um ano depois de muitas discussões, a regra do pênalti passou a fazer parte das regras oficiais do futebol.

Neste domingo, na Vila Belmiro, os torcedores tiveram chance de assistir a uma cobrança histórica.

Aos 22 minutos do segundo tempo, o zagueiro santista deu um tranco faltoso em Marcos Rocha. O juiz ficou em dúvida e consultou o VAR que, acertadamente, mostrou a ilegalidade.

Portanto, pênalti a favor do Palmeiras que se via em dificuldades de passar pelo Santos. Até ali, o jogo estava 0 a 0.

É evidente que a torcida do Palmeiras vibrou. Afinal, tem no seu time o exímio cobrador de pênaltis Rafael Veiga que, nas últimas 24 cobranças, não perdeu nem uma: 100% de aproveitamento.

Mas, há sempre uma primeira vez na vida.

Assim, Veiga correu para a bola com a costumeira confiança. Bateu e… a bola foi na trave. Veja o lance:

https://youtu.be/g3ZElP0Bvrw

Normalmente, quando uma cobrança de pênalti é desperdiçada, o time que a sofreu ganha moral e cresce em campo.

Mas, se isso aconteceu com o Santos, foi por rápidos instantes, e logo o Palmeiras colocou ordem em sua casa, voltou a dominar o jogo e acabou fazendo 1 a 0, gol de Gustavo Gomes, de cabeça.

Mas, quem nunca perdeu um pênalti na vida? Somente aqueles que nunca cobraram.

Como é o caso, por exemplo, de Rivelino, aclamado “Reizinho do Parque” que nnuca se aventurou a cobrar uma penalidade. Levou o Corinthians a muitas vitórias, é considerado por grande parte da torcida como o maior craque que já vestiu o sagrado manto alvinegro, mas, nada de cobrança de pênalti.

Não há dúvida que Pelé foi o maior jogador de futebol do mundo.

Será que ele já perdeu algum pênalti?

Já. E não foi um só.

Pelé cobrou pelo menos uma centena de pênaltis ao longo de sua carreira. E ele não era o único cobrador oficial do Santos: no começo da carreira, revezou com o ponta esquerda Pepe, chamado de “Canhão da Vila”.

Mais tarde, o revezamento foi com Carlos Alberto, lateral direito e capitão do time.

Consta que Pelé perdeu pelo menos 24 cobranças.

O Blog Jornaleiros (www.jornaleiros.blogspot.com ) diz que o primeiro pênalti perdido por Pelé foi contra o Jabaquara, em 17/10/1956, um de seus primeiros jogos pelo time profissional do Santos. O goleiro Fininho, do Jabuca, defendeu.

O segundo perdido foi num amistoso em Belo Horizonte e a cobrança foi defendida pelo goleiro Arizona, do Atlético, em 30/01/1958. O amistoso foi vencido pelo Galo: 5 a 2)

Depois de ser campeão do mundo, em 1958, Pelé perdeu um pênalti, contra o Corinthians, que o goleiro Cabeção defendeu. Foi no dia 07/12/1958 – o jogo terminou 6 a 1 para o Santos.

Alguns dos pênaltis perdidos por Pelé:

https://youtu.be/ebef1ojpqm8

Outro exímio cobrador de pênaltis do futebol brasileiro Zico, também já perdeu. E perdeu pênalti importante.

Foi na Copa do Mundo de 1986. O adversário era a França e o jogo eliminatório.

Jogo duro. 0 a 0. Pênalti a favor do Brasil. Com a maior naturalidade, Zico pegou a bola e colocou na chamada marca da cal ou marca fatal.

Tomou a distância costumeira. Correu e bateu rasteiro, mal, no canto esquerdo do goleiro Joel Bats que fez defesa.

O jogo terminou 1 a 1 (gols de Careca e Michel Platini) e a decisão foi para a cobrança de tiros livres diretos a partir da marca penal, como é definido no regulamento da Fifa.

Na decisão, Zico voltou a cobrar pênalti e marcou. Mas, o Brasil acabou perdendo nas cobranças de Sócrates e do zagueiro Júlio César.

E assim, voltamos para casa mais cedo.

Zico era cobrador oficial do Flamengo com incrível índice de acerto.

Após a cobrança na Copa, muito se falou que havia sido o primeiro pênalti perdido por Zico.

Balela, um ano antes, num amistoso Flamengo e CSA, em Maceió, o Galinho perdeu uma cobrança. Aliás, muito parecida com a cobrança na Copa: também no canto esquerdo do goleiro.

Veja a cobrança de Zico na Copa do México:

https://youtu.be/tggWbclF_tU

Parece que a única certeza é esta: só nunca perdeu um pênalti quem nunca cobrou.

Eis os gols do Fantástico:

https://youtu.be/bEDbcKIOrt0

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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