CAMINHOS

[ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG DA ROSE –
https://blogdarose.band.uol.com.br/ – GRUPO BANDEIRANTES
Edição de 17 de março de 2023]

O PT precisa escolher se vai governar tentando aplicar princípios socialistas no Brasil ou se vai aceitar que a democracia só é possível dentro de um capitalismo que não seja selvagem nem de compadrios.

A decisão (monocrática?) do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, de baixar por decreto o limite de juros que um banco pode cobrar em empréstimos consignados (que são descontados diretamente na folha de pagamento) vai nessa direção do socialismo capenga. Os bancos não vão se meter em negócios que podem lhes dar prejuízos.

Quando a atual Constituição estava sendo elaborada, nos idos de 1988, a comissão encarregada de legislar sobre matéria financeira aprovou um projeto de lei que obrigava todos os bancos a terem, no máximo, 12% de lucro ao ano. O projeto era do PC do B que fez a maior festa com a aprovação, com manchetes em jornais do partido e discursos na tribuna louvando o feito.

Claro que a coisa ainda não estava decidida, o projeto teria de passar pelo plenário da Assembleia Constituinte, onde foi fragorosamente derrotado. Mas ele foi suficiente para dar uma ideia de como a esquerda tenta, sempre, solapar o capitalismo para, num caos econômico, tentar golpear a democracia e implantar a tão sonhada “ditadura do proletariado”, que só tem ditadura e nenhum proletariado.

Não sou desses radicais de direita que vêm o perigo comunista em qualquer esquina, mas baixar juros de empréstimos bancários por decreto, sem consultar os maiores interessados e o próprio governo a que pertence, é coisa típica de uma esquerda que parou no tempo e ainda pensa que pode chegar ao poder estragando um país.

Antes dessa “genialidade” de Carlos Lupi, o ministro do Trabalho, Rogério Marinho, tentou jogar na praça a ideia de que o trabalhador foi tremendamente prejudicado com a reforma trabalhista que, diga-se, nem foi lá essas coisas. Mas serviu para incentivar um tipo de trabalho que não estava previsto nas arcaicas regras que regem a relação trabalhista no Brasil. O resultado, segundo dados do próprio governo, foi a criação de 4 milhões de novos postos de trabalho, de motoristas e motoboys a trabalhadores autônomos em home office, diminuindo os custos de folhas de pagamento e de despesas nas sedes das empresas.

Claro que os sindicatos – quase todos ligados a partidos de esquerda – protestaram e, com a chegada do PT ao poder e da colocação de um ex-sindicalista no Ministério do Trabalho, a tentativa de voltar ao passado ganhou corpo. E ela ocorreu também sem avisar seu superior ou os encarregados das finanças do Brasil.

Por essas e outras, o brasileiro deve ficar atento a esses esbirros autoritários, que já não fazem mais sentido numa sociedade moderna. Os lucros dos bancos são excessivos, mas o caminho para mudá-los é conseguir fazer o Brasil se desenvolver de modo sustentável, tarefa em que o governo tem alta responsabilidade.

E os trabalhadores por aplicativo e autônomos devem ter alguma rede de proteção social, mas a discussão passa sempre pelos maiores interessados – empresários e trabalhadores – e não por ministros autoritários e sindicatos que têm como objetivo um triunfo da esquerda mais radical no poder.

Sem definir o rumo ideológico de uma vez por todas, o PT continuará sem conseguir cumprir suas promessas de campanhas, pois sem um cenário tranquilo e sem sobressaltos jurídicos e sociais, o Brasil pode encontrar alguma luz no fim desse escuro túnel que estamos atravessando.

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Edmilson Siqueira é jornalista. Atualmente, na Rádio e TV Bandeirantes de Campinas. Colaborador diário do Blog da Rose

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*Artigo publicado originalmente no Blog da Rosehttps://blogdarose.band.uol.com.br/

1 thought on “Caminhos oblíquos. Por Edmilson Siqueira

  1. Caro Edmilson
    O país não anda para a frente e, sim em círculos, retornando sempre para o passado, ao sabor do presidente e seu grupo do momento.
    Nos livramos do anterior que queria a volta aos anos de governo militar e caímos no colo de outro que prega o governo sindical, que existiu em passado recente.
    Triste pais que não tem políticos com ideologia para o povo e sim pessoas que se assenhoram do poder para locupletar-se, como personificava bem o personagem Justo Verissimo de Chico Anísio.
    Fica uma pergunta simples: se o pagamento do empréstimo consignado é líquido e certo, pois será descontado diretamente na fonte, não poderia existir pelos bancos estatais meios de baratear o custo desse dinheiro?
    Bancos alegam que não podem ter prejuízo – o que é correto em qualquer negócio – e nos altos juros embutem o custo de captação e os tais “devedores duvidosos”; na transação consignada não existe o “devedor duvidoso”.
    Apenas uma divagação, mas o que resta mesmo é a sensação de falta de planejamento em qualquer governo que esteja no poder e, pessoas totalmente despreparadas tomando decisões atabalhoadas.

    Inté!

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