ENSINO À DISTÂNCIA

O novo ensino à distância. Por Arnaldo Niskier

… Cinco cursos serão obrigatoriamente presenciais (Direito, Medicina, Odontologia, Psicologia e Enfermagem). Haverá novas regras para a qualificação do corpo docente, funcionamento das sedes e polos de educação à distância, forma de avaliação dos alunos e parcerias.

ENSINO À DISTÂNCIA

Não há dúvida de que havia necessidade de uma boa mexida no sistema de ensino superior à distância. Chegamos a um número exorbitante, com cursos oferecidos a 40 reais mensais. Como sobreviver a isso?

Assim, o MEC divulgou as novas regras para a modalidade, agora dividida em três partes: presencial, com professores e alunos no mesmo lugar; presencial síncrona mediada, à distância, mas com os alunos podendo interagir com professores ou tutores; à distância propriamente dita, em que as aula podem estar gravadas e acessadas a qualquer momento.

E define também três tipos de curso, pela combinação dessas três modalidades: presencial com 70% de aulas presenciais; semipresenciais, com pelo menos 30% de aulas presenciais e mais de 20% síncronas medidas; e à distância, com pelo menos 10% de aulas presenciais e 10% de aulas síncronas mediadas.

Além disso, cinco cursos serão obrigatoriamente presenciais (Direito, Medicina, Odontologia, Psicologia e Enfermagem). Haverá novas regras para a qualificação do corpo docente, funcionamento das sedes e polos de educação à distância, forma de avaliação dos alunos e parcerias.

É claro que isso tudo provocará enorme impacto nesses cursos, com a redução do número dos seus alunos. Prevê-se que dos 4,9 milhões de 2023 o número desça para 2,8 milhões pelas novas regras, com 217 mil indo para cursos presenciais e 1,9 milhões para a nova modalidade semipresencial. Haverá uma grande redução na procura desses cursos, afetando principalmente os mais pobres, mas é provável que se obtenha um ensino de melhor qualidade.

Na verdade, o resultado de todas essas alterações em princípio é altamente positivo. Houve deterioração na qualidade dos cursos e isso foi altamente prejudicial. Era preciso tomar alguma providência – o que exigia uma série de medidas emergenciais, que acabou sendo feito pelo próprio Ministério da Educação.

Agora, devemos esperar pelos resultados das alterações estruturais.

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Arnaldo Niskier - Editora Vozes

Arnaldo NiskierImortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Licenciado em Matemática e Pedagogia pela UERJ. Professor  aposentado da Universidade do  Estado do Rio de Janeiro. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ. Honoris Causa da Universidade Santa Úrsula.Comendador do Superior  Tribunal do Trabalho.

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