DE SEIS FOI DEMAIS NEYMAR

De seis foi demais! Blog Mário Marinho

DE SEIS FOI DEMAIS NEYMAR

Existem derrotas e derrotas.

Agora, perder de 6 a 0, ser massacrado e ouvir a própria torcida gritando olé e virando as costas para o campo de jogo – aí, é demais.

A explosão de Neymar após o jogo, o choro convulsivo, o abraço apertado e demorado no ombro amigo do técnico Fernando Diniz é comovente, mesmo para o irreverente Neymar com sua imagem desgastada, desacreditada por muitos torcedores – embora, sabe-se, no Brasil, que ele é ainda o craque que restou de uma época, pródiga do futebol brasileiro.

E, convenhamos, o Vasco não é esse time arrasador. Aliás, entrou em campo no Morumbis, nesse domingo, na Zona de Rebaixamento do Brasileirão, da qual saiu graças à vitória.

Goleadas fazem parte da turbulenta vida do futebol.

Mesmo os grandes, como um time que tem Pelé, podem sofrer goleadas.

Não me esqueço a primeira vez que tive o prazer de ver o time do Santos ao vivo e de perto – literalmente de perto porque eu estava à margem do gramado do Mineirão, foi naquela noite de quarta-feira, 30 de novembro de 1966.

Era o primeiro jogo da decisão da Taça do Brasil daquele ano.

De um lado, o Santos de Gylmar, Pelé, Carlos Alberto, Dorval. Um time temido no mundo inteiro.

Do outro lado, o desafiante, o Cruzeiro de Raul, Piazza, Dirceu Lopes, Natal, Tostão – ilustres desconhecidos em busca da fama.

E prováveis candidatos a mais uma impiedosa goleada que se avizinhava.

O Público pagante no Mineirão foi de 77.325 pagantes.

Para surpresa desses quase 80 mil presentes ao Mineirão, foi o Cruzeiro que saiu na frente, com o lateral Zé Carlos marcando contra e colocando os mineiros na frente.

Foi um acidente, sim.

Mas quatro minutos depois Natal fazia 2 a 0.

E a enfiada se seguiu: Dirceu Lopes aos 20 e aos 39, Tostão aos 42 – todos no primeiro tempo, deixavam boquiabertos os torcedores.

O Santos foi para o vestiário com sonoros 5 a 0 nas costas.

Ah!, mas o grande time de Pelé iria reagir. Isso não ficaria assim.

E não ficou.

Toninho, o goleador, marcou dois gols, aos 6 e aos 9 minutos. Coube a Dirceu Lopes marcar aos 27, e encerrar a goleada: 6 a 2.

Era difícil acreditar que isso estava acontecendo.

Nos corredores do Mineirão, após o jogo, o tonitruante presidente do Santos, Athiê Jorge Couri, vociferava para quem quisesse ouvir:

– Isso não vai ficar assim. A vingança na semana que vem será terrível!

Na outra quarta-feira, em noite chuvosa no Pacaembu, Santos e Cruzeiro mais uma vez duelavam.

Aos 23 minutos Pelé fez 1 a 0 e ao 35 Toninho marcava: 2 a 0.

Parecia que a virada iria acontecer.

Mas, aos 18 do segundo tempo, Tostão cobra falta e marca: 2 a 1.

Era o início da reação mineira.

Dez minutos depois, Dirceu Lopes empatava: 2 a 0.

E o que ninguém esperava aconteceu aos 44 minutos do segundo tempo: Natal, numa jogada espetacular com Tostão, fez o gol da vitória.

São decisões e goleadas que marcam a vibrante história do futebol.

Cabe ao Santos juntar os cacos, aprender com os erros e seguir em frente.

A lição fica claro: Neymar é craque, mas, não o bastante para ganhar um jogo sozinho.

Veja os gols do Fantástico:

https://youtu.be/gwPF_rTZvR4?si=BNZy7UBBMNhiB97I

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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