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Ilustração: Benjamim Cafalli

Arrááá, tem assunto além do julgamento. E também.

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Ilustração: Benjamim Cafalli

 Arrááá, o assunto é outro!

No julgamento só zapeadas, visita mais detida quando a detenção estiver para ser detetada. O tema é a mudança nas apresentações dos telejornais globais e a marca deixada por antigos apresentadores dos velhos tempos das TVs Tupi,, atual SBT, Paulista, hoje Globo, e Record, e o comportamento dos espectadores em relação a eles.

O motivo foram detalhes lidos em uma das muitas entrevistas dadas por William Bonner, que se despede do “Jornal Nacional” e irá para o “Globo Repórter” – menos para aquele brogue, lá será repórter – que me chamou a atenção. Disse ele que “A especulação é assim, pode surgir a toda hora; ainda que não houvesse nenhuma coincidência, um calendário, coisa alguma, haveria especulação. Porque se há uma coisa que eu aprendi é que a verdade já não importa mais. No universo regido pelas redes sociais, o que vale é a versão. E por mais absurdo que seja, as versões mais absurdas florescem”.

Hostilizado por extremistas à esquerda e à direita que o identificam com o que não gostam na  “Globo-Lixo” faz uns 10 anos que ele vem para São Paulo dirigindo seu carro, foge da Ponte Aérea para evitar problemas.

Antigamente jornalistas eram maltratados ou assassinados pela ditadura militar. Em um caso, com ajuda de outro jornalista. Foi o que aconteceu com Vladimir Herzog, diretor de Jornalismo da TV Cultura (SP), preso depois de uma vergonhosa campanha feita por Cláudio Marques, do “Shopping News”, que chamava o telejornalismo da emissora de TVVietcultura. Vlado foi preso e “suicidado” no DOI-Codi em 25 de outubro de 1975.

O que segue são as minhas lembranças dos telejornais, suas aberturas sonoras, seus apresentadores.

A abertura sonora do Repórter Esso era marcante, seguida de um de seus slogans: “O Primeiro a Dar as Últimas” e “Testemunha Ocular da História”. Se a musiquinha tocasse antes da hora normal, um susto, algum fato grave tinha acontecido. Era apresentado na TV Tupi por Kalil Filho, voz marcante, ar simpático e só assim era visto, não se fazia ideia de qual era sua posição politica. O programa teve outros apresentadores, durou até 1970.

Na TV Paulista havia o “Mappin Movietone”, apresentado por Roberto Corte-Real, mas tenho pouca lembrança do programa no canal. Lembro bastante quando mudou para a Record apresentado por Antonio Del Fiol e Ney Gonçalves Dias. Este, tempos depois, passou a ser associado à direita e sumiu, mas não foi linchado como acontece atualmente.

Na Globo, à noite, havia o “Jornal Internacional”, apresentado Heron Domigues, um ex-Repórter Esso no rádio na praça do Rio de Janeiro. Linda voz, jeitão simpático, apreciador do ex-presidente Richard Nixon, morreu de enfarte logo depois de anunciar a renúncia dele à Presidência dos EUA. O enfarte foi atribuído à renúncia.

Houve muitas figuras marcantes no Jornalismo da TV associadas ora à esquerda, ora à direita, Newton Carlos e Boris Casoy, por exemplo. Mas ambos eram respeitados.

Muitos dos que se tornaram famosos na Globo começaram em outras emissoras, caso de Bonner, Carlos Nascimento, Chico Pinheiro, Lilian Witte Fibe, Marília Gabriela, ou saíram da Globo, casos de Joelmir Beting e Carlos Nascimento.

Jornalismo nas TVs sempre foi, para usar uma expressão do já ido jornalista esportivo Roberto Avallone, “polêmico”. Não se pode esquecer que o Jornalismo da Globo, sempre foi criticado pela esquerda por apoiar a ditadura, ou mesmo depois, no caso da manipulação do debate entre Fernando Collor e Lula na disputa presidencial de 1989 para favorecer o primeiro. Por ordem de Roberto Marinho, Walter Clark mandou editar o debate e foi apresentada uma versão prejudicial a Lula. Armando Nogueira, diretor de Jornalismo, indignado, protestou, foi encostado e um ano depois saiu da Globo. Agora, que está mais equilibrado, passou a ser atacado pela direita.

Antes, discordava-se, mas não se atacava fisicamente. A situação chegou à violência atual devido a dois fatores: o “nós contra eles” que ganhou companhia do “eles contra nós” e as redes antissociais, que proporcionaram à obtusodidade uma velocidade de propagação incontrolável.

Hoje, não se questiona ninguém, não se discutem ideias, agride-se, cancela-se, lincha-se.

Selvageria ao extremo.

 A depender deles, a História estará perdida

 Estando perto daquela perigosa idade em que se começa a esquecer qual foi o café da manhã, recorri ao Google e à Wikipedia na tentativa de recuperar nomes de programas a que assistia e de seus apresentadores. Que tragédia! Que irritação.

 Ao Google não basta desconhecer, tem de irritar. Digita-se um nome e lá vem o abusado “Você quis dizer XPTO”. Não, eu quis dizer exatamente aquilo que escrevi! E segue um monte de baboseira sem relação com o buscado. E é enorme a quantidade de assuntos dos quais nunca ouviram falar.

 A Wikipédia, de outro lado, não muda o escrito, mas erra muito. Grafias erradas e, pior, informações erradas. Nela consta que Richard Nixon foi “empessegado” em vez de haver renunciado. E tem uma incomodação, a cada vez que é consultada pede uma doação. Tá bom, se melhorar, merecerá.

 Barrabás, tomara que o “Alemão” não me afete, pois se depender da “memória” deles…

 Puxa, nada como um dia depois do outro!

Há exatos 61 anos o “O Estado de S. Paulo”, ou o “Estado”, não tinha ganhado o apelido de “Estadão” ainda, fez o oposto do que está na linha fina do editorial de ontem: “Início do julgamento de Bolsonaro e corréus no STF é o fim da indulgência com o golpismo que manchou a história republicana do País e a afirmação da força da Constituição sobre seus inimigos”.

Apoiou com todas as forças o golpe militar de 1º de abril de 1964 e a interferência norte-americana para salvar o Brasil do “comunismo” existente só nas cabeças dos reaças. E demorou para se arrepender.

Pra não dizer que não falei do julgamento

A mentirada das defesas foram de tal grandeza que narizes pinoquiais quase furaram a tela da minha TV.

Quis homenagear o cliente e dánô-se

O causídico do deputado Alexandre Tramagem, ex-diretor-geral da Abin, tentou uma tramagem e levou um chega pra lá da ministra Cármen Lúcia.

O engraçadinho tentou tratar voto impresso e voto auditável como sendo sinônimos. Levou na testa: “Vossa Senhoria sabe a distinção entre processo eleitoral auditável e voto impresso, porque repetiu como se fosse sinônimo e não é, porque o processo eleitoral é amplamente auditável no Brasil, passamos por uma auditoria e para que não fique para quem assiste a ideia de que não é auditável. Uma coisa é a eleição com processo auditável, outra coisa é o voto impresso. Uma coisa é a eleição com processo auditável, outra coisa é o voto impresso. O que se fez foi o tempo todo dizer que precisava de voto impresso, que tem a ver com o segredo do voto, a lisura e a rigidez do direito de cada cidadã e cidadão votar só de acordo com o que ele pensa e ninguém saber disso.”.

Tomô, ixpértchinho?

A cassação não foi à toa!

O advogado do almirante Garnier, parte do chamado núcleo 1 da tentativa de golpe, o que prometeu documentadamente tropas à disposição, o cassado ex-senador Demóstenes Torres, o cúmplice de Carlinhos Cachoeira, disse uma barbaridade que será difícilmente será ultrapassada: “É possível gostar do ministro Alexandre de Moraes, e, ao mesmo tempo, gostar do ex-presidente Bolsonaro? Sim, sou eu essa pessoa.”.

Só é possível em duas condições, incompatibilidade total com Ética e Moral e a desonestidade intelectual em todo o seu vigor.

Pero, não precisa explicar, só quero entender: como é possível que figura obtenha da OAB o direito de advogar?

E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais…

É sério isto, Arnaldo? Pode isto, Arnaldo???

O jurisconsulto do ajudante de (des)ordens do golpista-mor, Mauro Cid, teve atuação (in)digna do que se chama de causar vergonha alheia.

 Ao ministro Cristiano Zanin dedicou “extraordinário” advogado antes de ser nomeado ministro do STF. O ministro Luiz Fux mereceu quase um pedido de casamento: “Ministro Luiz Fux, sempre saudoso, sempre presente, sempre amoroso, sempre simpático, sempre atraente, como são os cariocas, é uma honra muito grande, uma satisfação imensa.”.

Quando foi puxa-sacar o ministro Flávio Dino com “Vossa excelência está acima disso, veio lá do Norte, com a elegância, com a sabedoria, tudo que a gente precisa ter aqui”, logo após o “pedido” a Fux, levou uma gozação: “Eu quero dizer que eu não aceito nada menos do que isso.”.

Fico pensando no que um Sobral Pinto da vida acharia disso tudo…

Ô dó!

Qui peninha… O prisioneiro estabular está fraquinho e também não irá ao julgamento amanhã, disse ontem a defesa.

Canastrão!

Ausências que preencherão lacunas

 A PPUB, aglomeração da pior espécie de dois partidos, decidiu que todos os seus acólitos devem entregar seus cargos no governo Lula até o fim do mês.

Os ínclitos inúteis ministros Fufuca (Uau!), do Esporte, e Sabino (ladino), do Turismo, foram avisados, ou saem ou seráo saídos do grupelho.

 Resta aguardar para saber de onde sairão.

Ele sendo ele ao extremo

O escorregadio sem personalidade definida governador de SP, Tarcínico Desfeitas, ao que parece, amealhou cúmplices para pôr em votação na Câmara dos Deputados a anistia do obviamente a ser condenado golpista-mor, estupidez que, mesmo que aprovada, será obstada pelo STF. A súcia só está jogando para a bozolândia.

Há um aspecto positivo a ser considerado se a pesquisa que mostra 60% serem contra a patranha. Pode ser o fim da quadrilha bolsonalha, apesar de o mirandeiro considerar isso o famoso wishful thinking.

Mais chuva no molhado

Eles gostam mesmo é de enganar. Criam as faixas azuis para motos e não fiscalizam. Os motoqueiros continuam a barbarizar dentro e fora delas. E a morrer.

Espalham radares, multam por excesso de velocidade e o que se vê? Porscheiros bêbados com dezenas de multas não pagas, licenciamento vencido, dirigindo em excesso de velocidade e matando.

Agora o Ministério dos Transportes vem  com o lenga-lenga de baixar o limite de velocidade em muitas ruas do país para 30 km/h. Na rua da minha casa é o limite, mas o carro que passa mais devagar por aqui em geral está a mais de 40. Todos têm certeza que será mais fácil ganhar sozinho na Mega Sena (sic) que ser pego (a triste reforma ortográfica que só veio para confundir tirou o chapéu diferencial) por um guarda de trânsito.

Fiscalizar, parar o infrator, a única solução efetiva, não passa pela cabeça deles.

 Até sexta!

Amanhã é dia das Implicâncias do Cacalo.

(CACALO KFOURI)

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1 thought on “Arrááá, tem assunto além do julgamento. E também.

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