Ilustração: Benjamim Cafalli
Implicâncias: hifens, acentos, caixas-altas e baixas

O “Implicâncias 2, a Missão” começa com uma autoimplicância, um erro cometido no “Mirando” de ontem. Não é Lilian Witte Fibe, é Lillian, com dois lês, cara-pálida! Agora, seguem-se as outras.
Como os estadãonicozinhos apanham dos hifens! Seja por desconhecimento gramatical, seja por carência raciocinal, levam uma surra diária nos textos do diário. Desconhecem o sentido do hífen antes de geral. Um x-geral significa que existem vários “xises” e que o geral é o mandante deles. Fácil perceber, então, que Assembleia Geral da ONU não é adornada pelo tracinho, só existe uma e não várias aglomeradas nela. Mas eles insistem em enfeitá-la.
Foi só mencionar e lá veio uma: “Medida impede participação da Autoridade Palestina e da OLP na Assembleia-Geral, em setembro”. Acho que já contei. Tempo atrás mandei um aviso, o respondente disse que o hífen estava certo… Inhorantes convictos com algumas exceções, voltemeia um não EUA ops! usa.
No caso da direção-geral acham que não precisa: “De acordo com a Direção Geral de Cooperação Internacional, …”. E onde não tem, põem: “Vias de trânsito local ficam em Itaim-Bibi”. É Itaim Bibi, onde morei de 1953 a 2004 e nunca trombei com o tracinho. Tem mais: “A narrativa não-linear, as belas imagens,”. Os não X não têm desde janeiro de 2009, mas eles não sabem até o dia 27 de agosto de 2025. Triste ver informantes não se informarem.
Mais trapalhadas com o tracinho e com a grafia: Ele será substituído por César Tralli, de 54 anos, que será ainda um dos editores executivos; no caso da Globo News”. Falta o hífen e o escriba, pelo jeito, não vê TV ou é muito desatento, pois o certo é GloboNews…
Esta aqui é linda, relaxante para os olhos, terrível para a Gramática: “O clube informou que o valor arrecadado com a venda da camisa, de cor azul clara,”. O problema será encontrar a cor, pois a que existe é azul-claro… Miséria pouca é bobagem, erro na concordância e falta do devido tracinho mortal para eles.
Um negrito fez falta em outro dia: “O Para cada pessoa que entrava naquele quarto de UTI pediátrica, o pequeno Arthur já abria um sorrisão.”. Leitor madrugativo, levei uns minutos pra entender que não é “O Para”…, que era só um enfeite que esqueceram de escurecer.
E as cheganças, então? Ninguém mais chega a/ao, chega-se em/no. Perdeu-se a noção que em/no é o meio de transporte usado para chegar ao destino. Contaminou até o educado ministro da Fazenda Fernando Haddad: “Essa operação é exemplar, porque ela conseguiu chegar na cobertura do sistema, no andar de cima do sistema”. Um fato curioso: o g1 corrigiu na chamada, “Haddad diz que megaoperação contra PCC conseguiu chegar ‘ao andar de cima’ do crime organizado”. Já o UOL deixou pra lá: “’Conseguimos chegar no andar de cima do sistema’, diz Haddad sobre operação”.
Também no UOL um exemplo de desconhecimento: “A redução da velocidade máxima é uma hipótese, mas também há outras alternativas em estudo”. Não, cara-pálida, opções. Alternativas resumem-se a duas opções, o famoso “ou”.
Aforamente a dificuldade que os caras-pálidas têm de lembrar os nomes de estados e municípios que não têm artigo. No “Estadãozinho” é obrigatório errar, é sempre “no” Guarujá. Já Mato Grosso e do Sul dependem do dia, às vezes viram no também. No UOL é uma constante: “Yuri Ramirez morava no Mato Grosso do Sul”. O curioso é que antes do Tocantins tem e eles usam de…
No “Estadãozinho”, uma pérola regencial, “Segundo a polícia, ele foi responsável em levar…”. Por, nem pensar, né? Também nele, não sabem a diferença entre abreviação e sigla: “(…), Henrique Meirelles disse à Coluna que a reação do Federal Reserve (FED) às interferências de Donald Trump só reforçam a independência e credibilidade do órgão.”. É Fed, desconhecente, abreviação de Federal, viste?
Na “Folha”, pra não deixarem ele sozinho, uma pisada no tonfa: “Militar da rota, o coronel diz que encontrou um amigo triste e “indignado com tudo o que estão fazendo com ele”. Taí um fato a respeito do qual não se arrota, é Rota.
Os uólicos fazem pior, erram na chamada de capa, no título da matéria aberta, e não notam que no texto está certim:
Na capa: “’CVM fraca e punição desigual favorecem crimes’, diz professor da UERJ”
Na matéria aberta: “PCC: ‘CVM fraca e punição desigual favorecem crimes’, diz professor da UERJ”
No texto: “(…), professor da Uerj (Universidade Estadual do RJ), ao UOL News,”
Os geúnicos também desconhecem a reforma ortográfica: “De hacker mirim a bilionário: como o único não-herdeiro entre os 10 jovens mais ricos do Brasil fez fortuna”. Desde janeiro de 2009 herdeiros e não herdeiros não herdam o tracinho.
Naquele brogue (descrição no fim do texto), os erros de sempre. O errador apanha do “copia e cola” e das caixas. Ele copia, muda o texto e esquece de apagar o que estava no release recebido: “O grupo a empresa induzia os consumidores a erro ao prometer “proteção completa por 12 horas,”. Grupo ou empresa, decida-se!
Já em relação à caixa, entra sua outra faceta, a de MrC: “’Profissão repórter’ expõe falhas na proteção infantil no Brasil após denúncia de Felca sobre ‘adultização’ de crianças”. Repórter em cxb expõe falha na escrita, é em cxa. Mas, pelo jeito, nunca assistiram ao programa.
Falta de critério é uma das características marcantes do escriba: “No dia 2 de setembro, a alfaiataria Sarto Cavalieri”. Caramba, é o nome do negócio, Alfaitaria Sarto Cavalieri. E esta, então: “(…), a Rua passará a ter um polo gastronômico,”. Por que em alta se não tem o nome?
Sua parceira, mistake, é solidária, não deixa ele errar sozinho.“Empreendimento de ocupará uma área de 2,1 hectares na Praia do Marceneiro”. É que, mistake. “A nova unidade está prevista para inaugurar em março de 2026.”. Não, escriba, para ser inaugurada, ela não vai inagurar nada, viste?
Ela é muito atenta e caprichosa como se pode ver. No mesmo texto: “Entre os convidados confirmados estão Chico Caruso, Aroeira, Sergio Augusto e Martha Alencar.” Dois parágrafos abaixo: “(…), Sergio Cabral, Henfil, Ziraldo, Paulo Francis, Millôr Fernandes e Sérgio Augusto,”.
Ambos os Sérgios são enfeitados, diferentemente de do ex-tudo hoje senador Moro que eles sempre adornam.
Esta nota – seria essa nota apud o errador – é um CQD da falta de padrão, cuidado e conhecimento de regras gramaticais do pessoal do brogue, texto da sua zelosa mistake. No título, temos ‘O agente secreto’ em cxb: “Trilha sonora de ‘O agente secreto’, com Wagner Moura, é destaque na abertura do Festival Musimagem”
No repertório, além de ‘O Agente Secreto’, estarão trilhas nacionais e internacionais de filmes como ‘Central do Brasil’, ‘Jango’, ‘O Amor nos tempos de Cólera’, Chocolate’, ‘Exterminador do Futuro’, entre outros. Cadê a primeira aspa em Chocolate?
Logo abaixo do título, na linha fina, ‘O Agente Secreto’ e a falta de lógica caixal em ‘O Amor nos tempos de Cólera’. Em qualquer lugar normal, estaria ‘O Amor em Tempos de Cólera’.
(…), com acompanhamento da Orquestra de Câmara da Associação Livre de Música e Artes Integradas de São Paulo (ALMAI-SP). Aqui, manda a regra que seja Almai-SP.
(…),’O Agente Secreto’, estarão trilhas nacionais e internacionais de filmes como ‘Central do Brasil’, ‘Jango’, ‘O Amor nos tempos de Cólera’, Chocolate’, ‘Exterminador do Futuro’, ‘Pequena Miss Sunshine’, ‘Shrek’, ‘Pluft’ e A turma da Mônica: Laços’, entre outros. . Cadê a primeira aspa antes de A turma etc.?
Todos os nomes devem, segundo as normas, estar ornados com aspas duplas, as simples estão reservadas para títulos, linhas finas e interiores da duplas. Aforamente a repetição do erro em Tempos de Cólera e o nome certo do filme é “Turma da Mônica”. Ah, pode ser “de” e “do” Cólera, dependendo da vontade do freguês. Linguinha exata, não?
Segundo o ECAD,… Segundo o “Volp”, Ecad.
(…), com a presença dos compositores Mateus Alves (Bacurau e O Agente Secreto), Antonio Pinto (Senna, Central do Brasil e Cidade de Deus) e Beto Villares (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias; Xingu; Cidade Baixa). Aqui todos os nomes perderam as aspas.
O mais triste é ver o jefe deixando seus subordinados insubordinados assinando por ele. Os erros têm impressões digitais, é fácil saber qual dos dois cometeu. “Do jeito que está, já já o ‘PIB do crime’ vai aparecer na lista dos… mais ricos do país”. Já, já, caramba.
Aqui uma falta de chapéu em têm, é plural, e um exemplo de confusão entre alhos e bugalhos: “No Largo do Machado os bandidos tem uma estratégia montada para cometer delitos diários. Suas ações são divididas em horários específicos pelos menores infratores, aliados a outros maiores, receptores dos produtos roubados em suas ações delituosas”. Existe um termo específico para os que recebem produtos afanados, receptadores. Ah, tem mais: “Segundo ela, a praça e morada de diversos infratores,”. Levaram até o acento em “é”!
E é assim nota após nota, erração desenfreada dia após dia.
Os narrantes tenísticos do SporTV cansam minha beleza. Três a zero neste – quando não nesse – primeiro set… Em que outro seria, oh, ás no falante, se não fosse aquele que está na telinha?!
Assim como a arte de bem escrever é cortar palavras – de autoria indeterminada e com muitas indevidas – a de bem narrar é não dizer o óbvio, caramba. Tentem aprender com Raul Tabajara e seus parceiros Paulo Planet Buarque e Flávio Iazetti, um trio inesquecível e inigualável, se é que sobrou algum registro. Rui Viotti, principalmente no tênis, Luiz Noriega e seu parceiro Orlando Duarte. Nenhum deles berrava, falava o óbvio, todos sabiam que a TV tinha sido inventada, que as pessoas estavam vendo o que era exibido. Não era mais rádio.
Falando em TV, ou melhor, vendo TV, que mancada, GloboNews!

Mãe de mulher torturada e fomos enganados? Vocês é que estão, ela foram enganadas, caramba.
Imaginaram um médico cuidando de seus clientes do jeito que esses escribas tratam as letrinhas? Carnaval nas funerárias.
(CACALO KFOURI)
Legenda para “O blog do Ancelmo Gois”
Jefe: ele.
Errador, Mister Caixa, Mister Crase: o editor Nelson Lima Neto
Mistake, Miss Caixa, Miss Crase: a editora Fernanda Pontes


Desculpaê, mas hífens, segundo o Volp, tem acento.
….Não, a palavra “hifens” no plural não tem acento, apenas a palavra “hífen” no singular tem acento. A palavra “hífen” é uma paroxítona terminada em “n”, e a regra de acentuação exige acento para paroxítonas com essa terminação. Já no plural, “hifens”, a palavra se torna uma paroxítona terminada em “ens”, e essa terminação não leva acento em paroxítonas.
A civilidade e a precisão da resposta atestam a integridade e a qualidade jornalística praticadas na coluna. Obrigado, Marli. Você foi muito gentil.
Eu que agradeço a você. Saiba que estou aqui, sempre, atenta. Beijão!