Ilustração: Benjamim Cafalli
Implicâncias #3: defesa da escrita correta

ERRAMOS!
Pra começar, implicando com o implicante! Um erro de concordância cometido na edição anterior, eu me enganei, elaS foram enganadas, caramba!
Mãe de mulher torturada e fomos enganados? Vocês é que estão, elas(!!!) foram enganadas, caramba.
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Ói nóis de novo aqui traveiz com as implicâncias. Serão mesmo implicâncias ou é inconformismo devido ao fato de profs serem incapazes de usar adequadamente sua ferramenta de trabalho?
Os estadôcosinhos insistem no hífen inexistente, “emendas ampliaram aval para lotes em Itaim-Bibi”. Quem aprenderá primeiros, eles, que não tem, ou os geúnicos, que é Pix? “BC anuncia limites para transferências via PIX e regras mais rígidas para autorização de novas instituições”; “PIX bate recorde e registra 290 milhões de operações em um dia”; “BC anuncia limites para transferências via PIX e regras mais rígidas para autorização de novas instituições”. Será que a turma não usa e, por isso, não viu como está no app?
Mais deles: “O suspeito foi atingido no pescoço e no peito e foi socorrido à Santa Casa”. Deve ter morrido, deveria ter sido socorrido na…. Outro infeliz: “O motorista, identificado como Longato, foi socorrido ao Hospital São Camilo, mas não resistiu aos ferimentos. ”. Este pagou pelo erro no atendimento.
Aqui uma homenagem do g1 ao “Estadãozinho”: “A perícia e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados. ”. Médico-Legal sem hífen não é legal.
Este caso é um exemplo clássico de vaselinismo e distração. Na capa: “Operação da PM contra facção no Rio tem 6 suspeitos mortos”. Suspeitos, reparem bem. Na matéria: “Operação em Senador Camará deixa 6 mortos; criminosos fizeram pastor e criança reféns”. No texto inteiro os “suspeitos” do título são chamados de bandidos, criminosos.
O g1 segue derrapando: “Ricardo Jardim foi preso preventivamente, após investigação da Polícia constatar que ele matou mulher. ”. Notar bem, constatar. Entonces, a derrapada: “A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (4), Ricardo Jardim, 66 anos, suspeito de assassinar uma mulher e deixar parte do corpo”. Suspeitaram o constatado!
UOL, uol, uol, uol, uol! “Parte dos presentes no estádio viraram de costas durante a execução do hino de Israel”. Never in the life, bro! Foi uma parte que virou, caramba!
Uma boa do “Estadãozinho” é esta: “EFICIÊNCIA DE ALACARA Z.”. Pena que no caso do escriba foi ineficiência, trata-se de Alcaraz, o Carlos, o campeão do US Open.
Também nele. O problema é saber se foi o autor, escreve bem, ou se foi o editor… “Quando passa-se a aviltar nossa soberania para tentar obter a anistia, não se pretende pacificação”. Barrabás, um dos dois desconhecentes, quando se passa!
Mais duas e clássicas: “Manifestantes desafiam toque de recolher e ateiam fogo em prédios e casas de políticos; ”. “Alguns sugeriram que o Congresso peruano seria melhor representado por um rato ou uma barata. ”. Ateiam a, incendiário do vernáculo. Mais bem, escriba, basicão.
Esta aqui no “Todos a Bordo” é de lascar: “A compra do assento extra deve ser feito”. Em boa escrita, compra é feita, cara-pálida.
Um fato que chama a atenção é a prestação de homenagens em que fica comprovado que o homenageante não conhece bem o homenageado. A prova está nesta edição do Jornalistas&Cia. No título: “Morre Luís Fernando Verissimo, do texto e traço com olhar atento e fina ironia”. Na linha fina: “A colaboração desta semana, sobre Luiz Fernando Verissimo”. Não é o máximo? Erraram duas vezes, Luís e Luiz e é Luis!
Em outro ponto da edição, mais um erro, Maurício de Sousa em vez de Mauricio.
Tem mais e é de lascar: “Ciro Nogueira apresentou uma fonte que afirmou que o parlamentar teria recebido propina para apoiar no Congresso interesses de facções criminosas relacionadas ao setor de combustíveis. ”. Não é poético afirmar que teria? Caem lágrimas…
Este caso é pior, trata-se de erro na grafia do nome de um cronista do próprio jornal. Aconteceu na “Folha de S.Paulo”.
Publicou um texto em que o herói é o seu colunista Antonio Prata e o enfeitou com um chápeu, apetrecho de que não gosta: “Escritor Antônio Prata ensina a fazer churrasco em ‘Eu Cozinho, Tu Cozinhas’”. Indica que o autor não lê o jornal em que trabalha…? O time daquele brogue não lê e não vê nada do Grupo Globo, erra todos os nomes, quem sabe consegue um frilinha lá…
Nossa querida mistake, daquele brogue, o do Ancelmo Gois, é uma grande colaboradora, jamais passa em branco: “Vereadores derrubam o veto do prefeito e falam da importância da agricultura de Santa Cruz tem sabor inconfundível”. A autoria do texto também é … Cadê o “que” que tem de estar aí? “No texto, Zico diz que reconhece a importância do cultivo do aipim por ser um dos alimentos mais conhecidos do Brasil pois trata-se de um prato típico indígena”. Sabe que na escrita típica é “pois se trata”?
Outra colaboração mistakeosa: “Um dos jogadores teria provocado o time adversário, que estava perdendo a partida, ao fazer um gesto de choro. A situação se agravou quando um adolescente branco respondeu com uma atitude racista: (…). O aluno responsável pelo ato foi expulso. ”. Dois mais dois são cinco! Caramba, teria? A situação se agravou por que teria? O responsável foi expulso por que teria? Pode um trem desses?
Mais! “Esta é a sétima residência que a atriz de 78 anos contribui para o Retiro”. Criativa que é, achou uma variação de socorrido ao, doar e contribuir…. Doou, escriba!
Um dedo indisciplinado… “A montagem celebra o romance entre o maestro e compositor Francisco Mignone, que completaria 128 anos s, ”. Ssssss…
Já o errador espirrou e virgulou: “Vítima foi transferida para Dalian, na China, onde, foi diagnosticada com pneumonia”. Cercou o onde, escriba?
O jefe resolveu dar uma força para os comandados: “determinou que ambas participarão de forma remota por videoconferência uma vez que as acusadas estão presas preventivamente. Na ocasião, serão ouvidas as testemunhas de defesa e realizados os interrogatórios dos acusados. ”. Jefe, por que ambas e acusadas viraram acusados?
Claro, ela não poderia faltar, a turma do Info!

Fellini húngaro! No caso deles não se trata de Tico e Teco em coma, é a falta deles. Como é que pode não notar que fizeram a sinopse de um filme e publicaram o elenco de outro? O filme apresentado foi o húngaro “Adoção”. O de Fellini é “A Trapaça”.
(CACALO KFOURI)
Legendas para “O blog do Ancelmo Gois”
Jefe: ele.
Errador, Mister Caixa, Mister Crase: o editor Nelson Lima Neto
Mistake, Miss Caixa, Miss Crase: a editora Fernanda Pontes

Ok, Cacalo. Excelente como sempre. Mas esta última imagem está de amargar. Já vi foto de óvni com resolução melhor que esta.