Nasce um Camisa 9

Nasce um Camisa 9 -  Guilherme William Silva Inácio

Nasce um Camisa 9. Blog Mário Marinho

Nasce um Camisa 9
Nasce um Camisa 9 –  Guilherme William Silva Inácio

Alguns números de camisa se tornam históricos pelos feitos de seus donos e até se tornam lendas pela fértil imaginação dos fãs.

Assim, número 1 tornou-se símbolo da camisa do goleiro e um número um tornou-se símbolo do goleiro fora de série: Gylmar.

Embora nosso futebol tenha sido rico em laterais, como Carlos Alberto Torres e Djalma Santos, nenhum deles acabou se tornando símbolo da posição. Nem mesmo Roberto Carlos com toda a potência que tinha nos pés.

A camisa número 7 teve dois ocupantes históricos e diferentes entre si: Garrincha e Julinho.

O craque do Botafogo entortava seus marcadores com seus dribles desconcertantes; Já Julinho foi um grande ponta direita que driblava em velocidade.

As camisa 8 e 11 tiveram também seus ocupantes que marcaram época: Didi e Gérson usaram a número oito e até hoje são lembrados por sua atuação.

A camisa 11 teve Zagallo em duas Copas, 1958 e 1962, mas, brilhou mesmo, com Romário. O Baixinho era centroavante, mas, gostava do número 11. E foi assim que chegou aos mil gols.

As camisas 9 e 10 são um caso à parte.

Antes de falar sobre os dois, vamos dar um passeio na história.

As camisas começaram a ter número de forma experimental, na Austrália, em 1911.

A Inglaterra adotou oficialmente a numeração em 1928.

No Brasil, a numeração foi introduzida em 1947.

No mundo todo, a numeração passou a ser obrigatória a partir da Copa do Mundo de 1950.

Bem antes da numeração, um craque brasileiro que poderia ter sido o Camisa 9, tornou-se mundialmente famoso: Leônidas da Silva, a partir da Copa de 1938.

Ademir Menezes também foi um centroavante goleador antes e depois da obrigatoriedade da numeração.

O gol. Esta é, na visão do torcedor, a obrigação do centroavante.

Na Copa de 1958, Vavá, de origem um meia armador, um camisa 10, tornou célebre a camisa 9 e ganhou o apelido de Peito de Aço.

Na verdade, ele tinha técnica, mas o que prevaleceu foi sua imagem de rompedor de defesas adversárias.

Em 1962, ele foi novamente titular, bicampeão do mundo, e desfilou seu futebol desde o pernambucano Sport, onde foi revelado em 1948, e também pelo Vasco da Gama, Atletico de Madri, Palmeiras até encerrar sua carreira na Portuguesa-RJ, em 1969.

Nosso futebol foi sempre rico em camisas 9: Roberto Dinamite, Fred (revelado pelo meu América), Careca, Ronaldo Fenômeno, Tostão (que inspirou o goleador Careca), Adriano, até chegarmos aos dias de hoje, com Gabigol e Richarlison.

Mas,o destaque principal dos dias atuais é o centroavante Kaio Jorge, do Cruzeiro, atual artilheiro do Brasileirão com 15 gols.

Se o Gui Negão é uma promessa, o Kaio Jorge, parece, já é uma realidade.

E ninguém, mas ninguém mesmo, marcou tanto uma camisa quanto Pelé com a número 10.

Ele teve a seu favor todas as bênçãos de Deus, e até mesmo do acaso.

Na Copa de 1958, a numeração da Seleção Brasileira foi determinada ao acaso. Consta que a Comissão Técnica se esqueceu de mandar os números para a Fifa.

Um dirigente da Fifa teria sido o responsável por essa numeração.

Ele se baseou na ordem alfabética e cometeu deslizes como, por exemplo, o Gylmar com a camisas 3.

Garricha, na ponta-direita, recebeu a camisa 11. Já Zagallo, lá na ponta esquerda, recebeu a camisa 7.

Mas quis o destino que o menino Pelé, de apenas 17 anos, recebesse a camisa 10 que ele marcou, honrou e glorificou.

Atualmente, temos uma espécie de escassez, entressafra de bons Camisa 9. Goleadores autênticos.

Mas essa história pode estar mudando.

Com 19 anos de idade, cinco gol em dez jogos entre os profissionais, o garoto Guilherme William Silva Inácio (06-02-2007) pode mesmo estar mudando essa história.

Na vitória sobre o Athletico Paranaense, pela Copa do Brasil, na vitória do Corinthians por 1 a 0, foi dele o gol.

No jogo de volta, disputado nessa quarta-feira na Neo Química, ele deu um passe, hoje chamamos de assistência, para Garro marcar e fazer 1 a 0. Um passe perfeito, na medida, como se fosse ele o meia craque do time.

E, no segundo tempo, ele fez os 2 a 0, um gol brigado, disputado e que fez lembrar o Peito de Aço.

Durante o jogo, Gui Negão foi visto em diversas partes do campo. Ou seja: não é o centroavante fixo que fica na área à espera da sobra de uma bola. Ele vai atrás, combate, toma bola do adversário e vai em frente, como no caso do gol do craque Garro.

O Corinthians, para se precaver, renovou o contrato do garoto até 2030. E mais: estabeleceu multa rescisória de 100 milhões de reais, para clubes brasileiros, e de 100 milhões de euros (cerca de 635 milhões de reais) para clubes estrangeiros.

Sabe a recompensa que ele mais gosta pelos gols que marca?

O prato que mãe dele oferece depois do jogo.

Eu já falei com ele, diz a mãe, toda vez que ele fizer gol vai ter bife acebolado, arroz, feijão e batata frita que é o que ele mais gosta.

Copa do Brasil

nas semifinais

Já estão decididos os jogos das semifinais da milionária e atraente Copa do Brasil:

De um lado,

Cruzeiro x Corinthians

Do Outro

Vasco x Fluminense.

Datas: 10 e 14 de dezembro.

Os jogos finais serão nos dias 21 e 23 de dezembro, quando todos nós já estaremos vivendo o clima gostoso do Natal.

Será um presentão para uma das torcidas.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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