Projeto Túnel ligando Santos-Guarujá - estimada em R$ 6,8 bilhões, obra promete gerar cerca de nove mil empregos e reduzir o tempo de travessia para apenas cinco minutos
Santos cresce com o porto, mas sem perder a alma da cidade. Por Antonio Carlos Fonseca Cristiano
… São notícias boas, cifras altíssimas e expectativa de todos os setores de Santos, de toda a Baixada e região, além da capital paulista. Esses avanços representam ganhos concretos, como mais empregos, maior arrecadação municipal, novos investimentos e fortalecimento do comércio local. Mas também exigem cautela.

Publicado originalmente no Diário Do Litoral, edição de 26 de setembro de 2025
Santos está diante de uma década transformadora. Até 2030, obras estruturantes como o novo terminal de cruzeiros no Valongo, o mega terminal de contêineres e o tão aguardado túnel Santos–Guarujá prometem redefinir a economia, o turismo e a logística da região. Essa expansão foi tema de debates no Fórum Conexão Porto e Indústria, que ocorreu no último dia 19 de setembro, em Santos. Promovido pela Record Litoral e Vale, o evento tratou o futuro do porto e, também, as oportunidades para o turismo.
Tratamos ali, com importante players do mercado portuário, os avanços, mas também as sensibilidades que a cidade tem e que precisam ser corrigidas junto com o crescimento. É preciso que a sociedade, como um todo, esteja atenta e participativa para esse novo cenário que se avizinha.
São investimentos bilionários que podem consolidar o Porto de Santos como protagonista mundial, mas que exigem reflexão sobre riscos, impactos urbanos e a qualidade de vida da população.
O novo terminal de cruzeiros, com aporte previsto de R$ 1,2 bilhão, deve alavancar o turismo marítimo, criando oportunidades para hotéis, restaurantes, comércio e serviços. Já a obra do túnel Santos–Guarujá, estimada em R$ 6,8 bilhões, promete gerar cerca de nove mil empregos e reduzir o tempo de travessia para apenas cinco minutos, promessa que estava no papel havia 100 anos. Além disso, o mega terminal de contêineres, com leilão bilionário e projeção de expansão de capacidade, reforça o peso do porto no comércio internacional, consolidando Santos como motor logístico do País.
São notícias boas, cifras altíssimas e expectativa de todos os setores de Santos, de toda a Baixada e região, além da capital paulista. Esses avanços representam ganhos concretos, como mais empregos, maior arrecadação municipal, novos investimentos e fortalecimento do comércio local. Mas também exigem cautela.
Se mal conduzida, a expansão pode intensificar desigualdades, pressionar áreas urbanas já saturadas e agravar desafios de mobilidade, habitação e serviços públicos. Para tanto, podemos analisar a atual situação de malha viária existente hoje para quem acessa Santos. A necessidade de novas alternativas que, efetivamente, funcionem, se arrasta há anos.
O verdadeiro sucesso dessa transformação dependerá da construção de uma governança compartilhada, que envolva Brasília, mas que também dê voz ativa a Santos, sua prefeitura, sociedade civil e comunidade portuária.
Em 2026 teremos eleições e os novos nomes vão representar a população da cidade e os interesses da sociedade em busca de uma cidade melhor para todos que aqui estão. É hora de estarmos atentos aos passos dados também em Santos, para que o alcance da voz santista chegue até Brasília com força e capacidade de mudanças.
O Porto de Santos não pode crescer desconectado da cidade que o abriga. A expansão deve ser celebrada como oportunidade, mas conduzida com responsabilidade. Desenvolvimento e cuidado com a cidade precisam caminhar juntos, para que os próximos anos sejam lembrados não apenas pela grandiosidade das obras, mas pelo legado positivo que deixaram para toda a Baixada Santista.
ANTONIO CARLOS FONSECA CRISTIANO, “Caio” – Empresário, santista. Presidente da Marimex Inteligência Portuária em Logística Integrada.
