Ilustração: Benjamim Cafalli
Tudo muito estranho, muito estranho.

É tudo muito estranho
O Conselho Nacional de Justiça afastou o desembargador Cairo Ítalo, da 5ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro de suas funções. O afastamento ocorreu depois de inspeção no gabinete dele na sequência de uma investigação que apura suspeitas de que ele beneficiou integrantes das facções criminosas Comando Vermelho e Povo de Israel em decisões judiciais.
Em um de seus plantões Cairo Ítalo concedeu liminares e libertou três presos de alta periculosidade, dois do CV e um apontado como líder do Povo de Israel. Isso aconteceu em agosto, os três escafederam-se, não há notícias do paradeiro deles até então.
Parabéns ao CNJ, é um caso típico de suspeita insuspeita.
Mas por que não agiu da mesma forma quando o ex-ministro Marco Aurélio Mello soltou o pra lá de sabidamente perigoso traficante André do Rap, já condenado a 27 anos de prisão? Sumiu, se subiu, ninguém sabe, ninguém viu. Mas não deve ter subido, pois a Polícia Civil paulista descobriu movimentações bancárias dele no valor total de R$ 16,806 bilhões em 100.097 contas-correntes examinadas entre janeiro de 2024 e maio de 2025.
No estado de São Paulo, nos últimos dias, várias pessoas foram envenenadas por haver ingerido bebidas falsificadas com altas porcentagens de metanol. Cinco entre elas morreram.
O governador Tarcínico Desfeitas, o mesmo que rapidamente culpou o PCC pelo assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz, apressou-se em dizer que “Tem esse negócio em São Paulo, tudo que acontece é o PCC. Tem se especulado sobre a participação do crime organizado nessa adulteração de bebida.”. A PF discorda, acha que é muito provável ter PCC no caso. Só para deixar claro, não há evidência nenhuma da participação de crime organizado nisso.”. Então, por que no caso anterior, mesmo antes de qualquer investigação, ele e seu secretário da (in)Segurança Pública declararam que foi o PCC? Tudo indica que sim, mas há mais coelho neste mato, um subsecretário municipal de Praia Grande onde Ferraz era secretário de Administração. Há suspeitas de que ele tenha descoberto malfeitos do sub.
E não é tudo que acontece “é o PCC”. Por exemplo, foi o governo dele que incluiu entre os fuzis apreendidos de criminosos em operações policiais os que PMs usaram para matar inocentes nas operações Escudo e Verão no ano passado na Baixada Santista. Os assassinados “eram do PCC” segundo ele e Derrite e TF não estava “nem aí” com a violência.
É tudo muito estranho 2
O MPF aceitou uma demanda do prefeitim de SP Recado Nunes e pediu que a prorrogação antecipada do contrato com a Enel seja suspensa. A alegação prefeituosa é a de que a empresa é responsável pelos constantes apagões na cidade, principalmente durante as chuvas.
Peraí, os apagões, em sua maioria, são devidos a quedas de árvores, muitas com dezenas de pedidos de poda da parte de moradores. A Prefeitura é a responsável pelo descuido. Na rua em que moro há pelo menos três com pedidos e nada é feito. A Enel está longe de prestar bons serviços, demora para restabelecer o serviço, mas não é a culpada maior.
É tudo muito estranho 3
Na segunda-feira morreu o “Amigão”, o jornalista Paulo Soares. Comoção geral, ele era muito querido, TVs dedicaram um tempão contando detalhes de sua história no Jornalismo e da internação hospitalar. Ficou internado durante cinco meses. Menos para o atento escriba autor do obituário do “Amigão” no “Estadãozinho”: “Amigão, morreu ontem, aos 63 anos, completados no último dia 13. A causa da morte não foi divulgada. Ele enfrentava vários problemas de saúde e estava internado havia algumas semanas no Hospital Sírio-Libanês.”.
“Havia algumas semanas”, cara-pálida? Foram cinco meses, informação divulgada em todos os meios de comunicação. “A causa da morte não foi divulgada”? Isto que está n“O Globo” o que é? “O jornalista e apresentador Paulo Soares, mais conhecido como Amigão, morreu, nesta segunda-feira, em São Paulo, em decorrência de falência múltipla dos órgãos.”?
Que fundo do poço com mais fundo ainda, hein?
É tudo muito estranho 4
Estou muito “estranhão” – é o que dizia o filhinho de um amigo – hoje.
Um solerte repórter, nas sem sentido entrevistas coletivas pós-jogo – servem muito mais para exibir o ego dos entrevistantes do que para informar –, perguntou ao técnico Dorival Júnior, do recém-derrotado Coringão, se a equipe estava sendo mal treinada. Que perguntinha mais fora de propósito, hein? Dorival, educado, não se exaltou e respondeu ironicamente.
Dias atrás, fato parecido aconteceu com Renato Gaúcho. Avisou em coletiva que havia pedido demissão como técnico do Fluminense depois que o time perdeu do Lanus: “Eu nem deveria estar falando isso com vocês, quem vai se manifestar é o presidente. Mas essas perguntas todas, de alguns gênios da internet, muita gente vai atrás desses gênios. Eu acabei antes de vir para cá, de pedir demissão para o presidente. Então a partir de agora, vai estar outro cara aqui, vocês vão fazer as mesmas perguntas para ele, e eu quero ver as respostas que ele vai dar. Quero ver se ele vai colocar o time que o torcedor quer ou o time da cabeça dele.”.
Ah, esqueci. As entrevistas servem também para que sejam exibidas dezenas de plaquinhas de patrocinadores atrás do pobre do entrevistado.
Olha o nível!
É por isso que tanta gente vota em ogros, bozos, ccs – noussa, Cláudio Castro dá nisso! –, TFs. A Eleva, escola de alto nível, em uma de suas unidades no RJ, aplicou uma prova de História em que se pedia que alunos do 9º ano do Ensino Fundamental analisassem um texto no qual deveriam identificar duas semelhanças e duas diferenças entre o que disseram líderes do passado e um atual. Foram apresentadas frases de Adolf Hitler, Benito Mussolini e do Estrumpício/Estrampício.
O fato criou revolta entre os “papais”. Não querem que os filhos fiquem sabendo quão terríveis são ao votar.
Leiam isto e notem a semelhança que os pais não querem reconhecer:
Só não vai dar em golpe de Estado porque eles são disciplinados.
Ah, façam uma pesquisa no Google e descubram a folha corrida do secretário. Orna com a do amigão do Jeffrey Epstein.
Este é um retrato do Brasil
Restam poucos sobreviventes entre os usuários dos bondes. Neles havia um aviso “Prevenir acidentes é dever de todos”. Depois das mortes, a Polícia Civil apreendeu uns 18 mil produtos usados para falsificação de destilados em São Paulo.
No país, espera-se pelos desastres para tentar – sim, tentar, na maior partes das vezes, nada funciona – resolver a questão.
Pra relaxar…
https://www.instagram.com/reel/DPPIjFgjc0v/?igsh=enEzbzI3NGhmNXpp
Amanhã estarei “implicão” …
(CACALO KFOURI)
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