Walter Franco
Um certo 7 de Setembro. Por Cosme Maurício de Jesus
Nobre leitor, me ofereço para ser seu relator dessas experiências que vão desde shows a coleções de vinil, chegando a conversas com pessoas anônimas mas que me enriquecem na universidade da vida e com aprendizado diário, “causos” como, por exemplo, o dia em que quase vi Walter Franco ser defenestrado por um público que não entendia sua música…

Um certo 7 de setembro, estávamos eu, o caderno e a caneta. Minto, estava ele, sim, havia um quarto elemento junto, o nervosismo, afinal tomei a missão de escrever para alguém ler, a responsabilidade se tornava do tamanho do Himalaia e o “frio” também.
Nervosismo, com você ou não, vou seguir e começar a escrever. Meu nome é Cosme Mauricio, professor de História e Geografia e apaixonado pelo contato com o povo: gosto de conhecer personagens urbanos, conversar, resenhar, me sinto meio herdeiro daquela velha boemia urbana paulistana sem nunca ter sido propriamente um boêmio, gosto de circular pelo Anhangabaú, Liberdade, frequentar os cafés e chás que ainda restam pelo centro da cidade, entrar nos sebos, casas de brinquedos antigos, antiquários, enfim, viver um mundo que nunca vivi.
Tento descrever isso depois em conversas, em rodas de bate-papo, não à toa que nas redes sociais tenho um canal chamado Resenha e Música, no qual tento relatar minhas experiências e minha trajetória morando no centro da cidade.
Nobre leitor, me ofereço para ser seu relator dessas experiências que vão desde shows a coleções de vinil, chegando a conversas com pessoas anônimas mas que me enriquecem na universidade da vida e com aprendizado diário, “causos” como, por exemplo, o dia em que quase vi Walter Franco ser defenestrado por um público que não entendia sua música, e Leila Pinheiro, a anfitriã do show, o socorreu com palavras, garantindo sua apresentação; shows memoráveis como a despedida de Milton Nascimento, em Belo Horizonte, e muitos outros.
Leitor, gosto de pesquisar sobre acontecimentos da música brasileira como, por exemplo, uma espécie de Woodstock urbano que ocorreu em São Paulo em 1971 conhecido como Som Livre Exportação, que reuniu 40 mil pessoas no Anhembi e contou com músicos como Ivan Lins, Elis Regina, Roberto Carlos, ou o obscuro festival de Guarapari, que teve como mestre de cerimônias o já famoso Chacrinha, além de outras histórias que tornaram a cultura brasileira tão rica, personagens urbanos como Luís Calanca, Magrão da Galeria, Dorival Discos, Charada (este último mantém uma locadora de filmes até hoje na Zona Leste de São Paulo), dentre outros.
Leitor, com nervosismo ou sem ele, permita-me ser seu humilde relator.
Cosme Mauricio, apenas um relator.
COSME MAURÍCIO DE JESUS – Formado em Administração de Empresas pelas faculdades Oswaldo Cruz; em História, pelo Centro Universitário 9 de julho e estudante de geografia. Pesquisador sobre música, mantém o Canal Resenha e Música no YouTube , onde apresenta LPs e as suas pesquisas.
