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Ilustração: Benjamim Cafalli

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Ilustração: Benjamim Cafalli

     “Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães…” …

… escreveu João Guimarães Rosa em o “Grande Sertão: Veredas”.

O que aconteceu no Rio no dia 28 não foi uma operação, foi uma ação de extermínio que superou o “Massacre do Carandiru” (SP) em 1992, com 111 mortos. Matou mais até que o ataque desferido por Israel em Gaza no mesmo dia em pleno vigor do cessar-fogo de araque, 104 mortos. 

O massacre, que resultou em, até o momento, 121 mortes confirmadas, incluídas as de quatro policiais – ou 132, segundo a Defensoria Pública –, tem sinais evidentes de execução de muitas das vítimas. Serão citados mais à frente. Com sua visão distorcida, o bozoide governador do estado, Cláudio Castro, considera que as vítimas foram só os policiais. Trata-se de quem governa um estado que já teve como governador – e cassado – Wilson Witzel, disse que os policiais deveriam “mirar na cabecinha e… fogo!  Para não ter erro”.  Este foi, entre os seis cassados, o único que não foi preso. Moreira Franco, Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho passaram períodos recolhidos. Cabral Filho aguarda em liberdade, com o uso de tornozeleira eletrônica, a conclusão do processo que pode levá-lo a uma condenação de 435 anos… Brasilsilsiiil, curtindo a vida adoidado no apartamento de cobertura que comprou com dinheiro… de onde? de onde?

 O governador bozoide foi elogiado pelo agora deputado fede ral 01, o mesmo que durante sua deputância estadual pelo RJ condecorou com a Medalha Tiradentes o então policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega que estava preso sob suspeita de homicídio. Foi solto por falta de provas e, mais tarde, foi acusado pelo Ministério Público de liderar uma milícia na Zona Oeste do Rio. O elogiador empregou a mãe e a mulher de Adriano em seu gabinete na Alerj. Anos depois, Adriano foi denunciado em investigações que apuravam a prática de “rachadinha” pela “nobre excelência”. O miliciano condecorado, foragido, acabou morto em confronto com a PM baiana, fato até hoje considerado por muitos como “queima de arquivo”.

 Nos trechos colhidos em diversas reportagens os indícios de que houve execuções:

 A advogada Flávia Fróes, que acompanhou o resgate de corpos encontrados na mata, afirma que alguns deles têm marcas de tiros na nuca, facadas nas costas e ferimentos nas pernas. Execução!

 Uma mulher afirmou que policiais arrancaram a cabeça do seu sobrinho: “Decapitado pelo Bope, Core. Não sei quem foi que fez isso com ele, sendo que meu sobrinho não tinha um tiro no corpo. Apenas arrancaram a cabeça dele e deixaram na mata.”.

 “Uma senhora mora aqui sozinha, com o cachorro, acordaram ela atirando na escada dela.”.

 “A bala acertou meu quarto enquanto eu dormia; no corredor, minha cachorra morreu.”.

 Uma moradora mostrou a parede de fora da casa completamente metralhada.

 Uma mulher que vive na região relata que conseguia ouvir jovens já rendidos pedindo para ser presos enquanto eram arrastados para a região da mata. Lá, segundo essa testemunha, foram torturados e assassinados.

 Declaração do fotógrafo Bruno Itan, que registrou uma fileira com dezenas de corpos no Complexo do Alemão: “Vi três corpos sem cabeça, famílias chorando desesperadas”.

 Quase uma confissão: “As baterias das câmeras duram cerca de 12 horas. Começamos a reunir às 3h de terça-feira. As tropas começaram a se movimentar às 5h. Em algum momento, há a substituição dessas baterias. Dado o cenário em que ali estavam empregadas as câmeras, aquelas baterias não foram recarregadas e em algum momento essas imagens podem ter sido perdidas”.

 Que coincidência útil, todas as baterias acabaram, todas!

 Agora, a prova, não é indício. Trata-se da confirmação de que foi um massacre fornecida por um elemento da súcia do comandante: o deputado fede ral André Fernandes pediu que a Câmara prestasse “um minuto de aplausos para os mais de 100 bandidos assassinados no Rio de Janeiro”.

 Notar bem, assassinados, ele disse assassinados! Assassinato é crime! Foi uma ação premeditada de extermínio.

 Estão mentindo!

A Secretaria de – lá é de – Segurança Pública do RJ afirmou que  PMs mentiram. A “Folha de S.Paulo” teve acesso a um documento que prova ter havido vazamento da operação que resultou no massacre.

Segundo o jornal, no documento consta que cerca de 20 homens em motos entraram em confronto com policiais militares em um dos acessos dos complexos onde houve a matança. Dois deles foram baleados e se identificaram como chefes do Comando Vermelho no Espírito Santo e afirmaram (!!!) aos policiais que estavam fugindo porque sabiam que haveria a ação policial. O vazamento foi relatado pelos PMs em um registro de ocorrência.

Mas o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, desacreditando um registro oficial feito por policiais militares, negou que houve vazamento. E ofende a Imprensa: “Essa publicação da Folha de S. Paulo foi, sim, objeto de questionamento durante a reunião, e, mais uma vez, a gente vê que se trata de uma fake news.”.

 No registro consta que os PMs afirmaram (!!!) que faziam patrulhamento de rotina na Estrada Ademar Bibiano, em Del Castilho, quando avistaram aproximadamente 20 motocicletas saindo do Complexo do Alemão. Ao perceberem a aproximação da viatura policial, o grupo fugiu em direção à Avenida Itaoca.  Na SuperVia, os fugitivos atiraram contra os três PMs, um subtenente e dois sargentos, que revidaram com 25 disparos de fuzil.

Eles relataram que: “Após estabilização do terreno, fizeram um 360º e localizaram os referidos homens baleados/feridos”. Segue: “Vale ressaltar que os criminosos informaram que eram oriundos do Espírito Santo, onde eram lideranças da facção Comando Vermelho daquela unidade da federação. Disseram também que estavam saindo do Cpx do Alemão, por conta da informação vazada de que haveria operação policial nas comunidades daquele complexo”.

Apesar de todos os detalhes o secretário insiste que nada disso é verdade. Os PMs, então, são mentirosos e falsificaram o documento? É a única conclusão possível de acordo com o que ele diz.

Mas a realidade mostra outra situação, ele tenta tapar o sol com uma peneira.

Está mais que provado

O crime organizado lava dinheiro por meio de empresas, a operação feita pela PF na Faria Lima comprovou. Fintechs servem para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, por exemplo. Esse tipo de operação não envolve matança e é mais eficiente.

A PF, na Operação Cadeia de Carbono, em setembro, descobriu que a Refit – Refinaria de Manguinhos – está envolvida em lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. Foi interditada pela ANP.

Mas o claudicante governador do RJ conseguiu por meio da Justiça de seu estado que voltasse a operar. Isto é, que voltasse a lavar dinheiro em vez de refinar petróleo.

O STF cassou a decisão e interditou-a de novo. O crime lamenta que o êxito do governador tenha sido cancelado.

Que curioso

A bozoilidade tem se manifestado aplaudindo a ação policial no RJ tão criminosa como as do CV que Claudicante Castro alega estar combatendo e se esquece de detalhes fundamentais.

A maior parte dos fuzis apreendidos no morticínio é constituída por fuzis de calibres 5.56 e 7.62, antes de posse proibida para civis e liberada para CACs pelo ídolo deles, o prisioneiro estabular.

Sobejam notícias de ações policiais – as respeitáveis – que resultam em apreensões de armamento roubado de CACs, muitas vezes, vendidos por eles, e que acabam nas mãos de criminosos.

O Rio de Janeiro continua aprazível…

O “Mirando” adivinhou!

Segundo o deputado fede ral pelista André Fernandes o prisioneiro estabular autorizou que  a súcia acerte apoio a Ciro Gomes na disputa do governo cearense em 2026.

Quando foi anunciada a adesão dele ao ex-considerado PSDB saiu no “Mira” que “Bem que o ‘Mira’ comentou que não seria surpresa se a filiação fosse ao PL.”.

Não, não será publicada

 A “Folha de S. Paulo” (29) publicou na página A8 uma foto de um aglomerado de algumas das mais lamentáveis e baixas personagens da baixa política do país, os governadores de direita que foram ao RJ solidararizar-se com Claudicante Castro pelo massacre que comandou. Ele também está na foto feita em BSB tempo atrás.

 Quem fala demais dá bom dia a cavalo!

E material pro Cacalo!

O ministro do Desenvolvimento Social lulesco, Wellington Dias, talvez contaminado pelo chefe, está em um vídeo nas redes antissociais em que boqueja substituir a nobre Carteira de Trabalho pelo cartão que deveria ser temporário do Bolsa Família. Confusão involuntária ou lapso freudiano?

Arrááá!!!

Na “Folha”: “Taxa das blusinhas não gera emprego, onera pobres e reduz arrecadação de estados”, mostra um estudo de uma consultoria da área econômica.

Segundo a apuração cerca de 70% do total arrecadado pelo imposto sobre remessas de baixo valor são pagos por famílias das classes C, D e E.

Modéstia inclusa, o “Mira”, na quarta-feira, criticou primeiro e ainda acrescentou um pormaior, ajudou a quebrar os Correios.

Peguei um uber na Lapa…

… e fui longe chegar…

No percurso o ubérico ouvia a Jovem Pândega FM. Que baixeza! Que distorção dos fatos! Quanta mentira! Que complemento de lavagem cerebral de quem já lava por meio de gente igual via zapzap.

Deu engulhos.

 Mais um na picaretagem

É hábito nos canais das TVs por assinatura depois que reprisam um filme umas 200 vezes arrumarem um jeito que começar tudo de novo. Criam “O Dia do XPTO” ou “Maratona do Não Sei Quê” com o nome de um ator ou diretor e exibem os filmes pela 201ª vez. O Canal Brasil aderiu. Sob a escusa de comemorar os 30 anos da Retomada, época marcada pela retomada da produção nacional, vai reprisar entre 1º e 5 de novembro 30 filmes mostrados, 30 vezes. 

Mas o pessoal na ImprenÇa, como dizia meu querido amigo já ido Moacir Japiassu, publica informações assim com a maior naturalidade, não estranha a enganação. Espírito crítico que é bom, nada.

 Em tempo: Japi, de certa forma, foi meu inspirador. Ele publicava o “Jornal da ImprenÇa” em que apontava bem lá atrás os problemas que a categoria enfrentava na escrita e na informação. Na época, eu, repórter fotográfico, viajava muito e trazia jornais dos locais visitados para ele. Chamava-me de “Meu considerado” … O “Mirando” tenta fazer o mesmo papel. As diferenças são a sua verve, inigualável,  e o problema, que piorou muito.

 (CACALO KFOURI)

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1 thought on “Opiniões. Opiniães. Pão. Pães.

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