Imagem de “Memórias da liberdade - 50 anos de Guarapari”, de Eduardo Maia
“Guaraparistock”, um grito de liberdade capixaba. Por Cosme Maurício
…os capixabas Rubens Manoel, Antônio Alerte e Gilberto Tristão, inicialmente se reuniram em um restaurante para organizar um festival parecido com Woodstock, empolgados com o filme exibido nos cinemas locais e que os despertaram para esta “aventura”…

O relato de hoje trata de um festival que aconteceu em Guarapari, ES, em 1971. Notem bem o ano, 1971. O Brasil estava sob a fase mais aguda e repressora da ditadura militar, centenas ou até milhares de presos políticos, denúncias de desaparecimentos de civis, perseguição implacável sobre opositores, enfim o AI-5 estava em pleno vigor.
Caetano, Chico e Gil no exílio, censura prévia sobre músicas e espetáculos de teatro, o panorama no Brasil não era nada agradável para quem buscava liberdade.
No estado do Espirito Santo a repressão atuava como no restante do país com opositores sendo presos, nada diferente na pátria do “Ame-o ou deixe-o”.
Leitor! O bom da vida é que ela é dinâmica e felizmente nenhuma ditadura controla sonhos e vontades; por isso os capixabas Rubens Manoel, Antônio Alerte e Gilberto Tristão, inicialmente se reuniram em um restaurante para organizar um festival parecido com Woodstock, empolgados com o filme exibido nos cinemas locais e que os despertaram para esta “aventura”.
O Governo do Estado, inicialmente, se propôs a patrocinar, mas sabendo das posições políticas dos organizadores e a possibilidades de hippies irem ao festival, retirou o patrocínio e bancou apenas passagens para a organização. A prefeitura de Guarapari bancou parte dos custos com intuito de não “queimar o nome da cidade”.
O Guaraparistock, enfim, atraiu gente de todo país e até do exterior, contando com nomes como: Tony Tornado e Brazuca (banda de apoio de Antônio Adolfo), Gonzaguinha, Novos Baianos, a Bolha, Erasmo Carlos, Ângela Maria e Milton Nascimento. Artistas locais também foram representados como grupo Soma (há registro fonográfico deste grupo no festival), Aprígio Livio e Cristina Portela.
A apresentação do Festival coube ao já consagrado Abelardo Barbosa, ele mesmo, o Chacrinha. A única nota que poderia desabonar o festival foi o fato de Tornado ao cantar BR3 ter se empolgado e “voado” sobre a plateia quase deixando uma mulher paraplégica. O tratamento médico foi totalmente bancado pelo músico.
Com o passar dos anos o Festival foi ecoando como evento mítico e aos poucos resgatado em documentários, cartazes da época e um livro: “Memórias da liberdade – 50 anos de Guarapari”, de Eduardo Maia.
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COSME MAURÍCIO DE JESUS – Formado em Administração de Empresas pelas faculdades Oswaldo Cruz; em História, pelo Centro Universitário 9 de julho e estudante de geografia. Pesquisador sobre música, mantém o Canal Resenha e Música no YouTube , onde apresenta LPs e as suas pesquisas.

Parabens por mais esse resgate histórico da nossa musica. Agora, fico muito curioso para saber o que teria cantado Angela Maria no evento…rsrsr
Também fiquei curiosa! Obrigada. Volta sempre que aqui no Chumbo sempre tem muita coisa voa e novidade -todos os dias! ( Marli – editora)