Inaceitâncias

 Ilustração: Benjamim Cafalli

Implicâncias#12: ou Inaceitâncias? Mais puxões de orelha …

Inaceitâncias
Ilustração: Benjamim Cafalli

 Penso seriamente se não é o caso de mudar o nome de “Implicâncias” para “Inaceitâncias”. É inaceitável, intolerável, inadmissível que caras-pálidas tenham o vernáculo como ferramenta de trabalho apresentem tal nível de desconhecimento. E o problema está em todos os níveis, começa na reportagem e chega à edição, teoricamente onde estão os mais capacitados. No domingo, foi realizado o Enem, o índice de reprovação dos atuais escribas, se prestassem o exame, seria enorme.

 Este aqui deveria ter ido no #11. Caros srs folhais, editor e autor do texto, vamos entrar em acordo? No título: “Roubos de caminhões e carretas disparam em rodovias paulistas”. Na linha fina: “Secretaria da Segurança Pública diz que estatísticas envolvendo cargas estão em queda; mapa mostra estradas com mais queixas”. No pé do texto: “Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 2.364 casos de cargas roubadas ou furtadas, contra 3.246 no mesmo período de 2024, uma queda de 27%.”.

E o leitor, como fica? Caiu? Subiu? Ficou na mesma?

 Inaugurado 8 minutos depois do envio do #11! Um uólico: “O volante corintiano se envolveu em um bate boca com Jhon Jhon e fez menção de dar um tapa no rosto do meia do Bragantino.”. Sem bate-boca, é com hífen, escriba.

 Agora, o infaltável “Estadãozinho”: Caramba, nem os editorialistas salvam-se? “A polarização ainda predomina, mas há sinais de alternativas viáveis”. Não, cara-pálida, há opções. Alternativa é a possibilidade de escolher só uma entre duas opções.

Mais um estadônicozinho: “Uma das coisas que mais chamaram atenção no dia da gravação foi a quantidade de fãs no local.”. Outra coisa que chama A atenção é o fato de ele não saber que é chamaram A atenção. Solidariedade acima de tudo: “visando a supressão ou o acréscimo dos mesmos.”.  Escriba, mesmo não é pronome pessoal, caramba! Deles, viste?

 Um dããã especial pro folhal: “O filho, de 34 anos, foi detido. A outra filha do casal estava na casa e já prestou depoimento no 91º DP.”. Ixpértu, outro se fosse outro filho, mas é uma filha, caramba! Que nível!

 Comme c’est triste… No J&Cia, portal de coleguinhas: “O narrador será um dos nomes que vai encerrar o Teleton 2025,”. Que vão, um dos nomes que vão, caramba, cieiros! Serve pra mostrar o níver atual da catingoria… Pensam que acabou? “A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) realizou nos últimos dias a eleição para sua diretoria e conselho fiscal no biênio 2026-27.”. E sua conselho fiscal, cara-pálida? Falta o seu, caramba.

Tem mais: “Prêmio FIESC de Jornalismo 2025 anuncia vencedores” “A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) anunciou os trabalhos vencedores do Prêmio FIESC de Jornalismo 2025,”. Caras-pálidas, existe a FIESP? Não??? Então, por que existiria a FIESC??? É Fiesc, caramba. Pra terminar: “Estava hospitalizada havia alguns dias e foi intubada,”. Entubada, escriba, abra o “Volp”.

 Broguejando

 Mistake, primeirona: “transformando matérias-primas locais e tradições regionais em biojóias,”. Desconhece, entre outras “novidades”, a reforma ortográfica. Sem acento, escriba.

Lume 2 segundona: “À muitos bairros da Zona Oeste,”. Que crase! Nem MsCr e MrCr usariam no caso, uma artista! 

Agora, o anônimo: “O tradicional colégio Franco,”. Ô, desinformado, o tradicional nome do tradicional colégio é Colégio Franco, viste? 

Este de jefe é de quarta, 5, escapou do #11: “O que se sabe é que até 2017 o Consulado Geral de Portugal ocupava uma sala na Avenida Marechal Câmara,” . O que se sabe também é que Consulado-Geral tem hífen. Na nota, a caixa varia conforme a linha em que é citado…

Sextou!

Não tive como trabalhar, deu pau no notebook, só ficou pronto no sábado.

Sabadão

 Este é de sexta, não dá pra deixar passar. Deve ser pra me tirar do sério! Olhem o nível do estadônicozinho: “Fundador do PT e ex-deputado, Paulo Frateschi é morto pelo filho a facadas”, é o título. No texto: “No local, Francisco, em surto psicótico, teria agredido o pai com golpes de arma branca. Mulher de Frateschi e mãe de Francisco, Yolanda Vianna, de 64 anos, tentou intervir e sofreu uma fratura no braço.”!!! Pode isto, Arnaldo??? No título ele é morto pelo filho, no texto, teria sido e a mãe tentou impedir!

Eles mexem no nome de todo mundo, acentuam o Sergio, de Moro, tiram o agá de Adhemar de Barros, inventam um câmpus que existe só lá, só não têm coragem de lascar acento nos Julios da família: “Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas Comunicação (FGV) revela que, só em 2024, o YouTube contabilizou 8 milhões de visualizações em novos conteúdos relacionados ao autor de O Auto da Compadecida.”. Cara-pálida, na FGV Getulio não tem acento, viste?

O uólico não perdoa! “Duas vítimas morreram no local e uma terceira foi socorrida em estado grave para a Santa Casa”. Pra ele deve ter sido levado na… Deusolivre, como dizem em Taquarituba… Socorrida na, ignaro.

 Jefe, não é assim: “lança no dia 19 “Arquitetura da destruição: Um diário da era Bolsonaro, do palanque à condenação”, pela Autêntica Editora.”. É assim: “Arquitetura da destruição – Um diário da era Bolsonaro, do palanque à condenação”. A bola continua com ele: “Queda de preços da gasolina não é repassada por postos; CADE deveria combater abusos do poder econômico”. Pô, jefe, cadê você que não sabe que é Cade? Errado no texto também.

Agora é a lume 2: “Quatro atores e um músico executão cenas e jogos, abrirão relatos pessoais e farão leituras de textos dramáticos. Criação da perfomance é de Érika Mader. Entrada gratuita”. O erro também é “de grátis”. Deixa por executarão?

 Ih, mistake aderiu ao “Estadãozinho”: “Lenine, às vésperas da COP-30, lamenta que a pauta ambiental perdeu um pouco do protagonismo”. Gostou do adereço, escriba? Mais: “Após dez anos, cantor volta ao estúdio com ‘Eita’”. Na linha fina está assim, no texto, mudou de ideia: “o álbum “EITA”, pelo selo Casa 9.”. Eita nóis… Ah, desta vez escolheu Carnaval, em alta.

Dimanche

Vixi santa, no “Estadãozinho”: “Parece difícil de acreditar, mas Nova York nunca teve educação para todas as suas crianças de 0 a 5 anos.”. Mais difícil ainda é acreditar que alguém que tem Educação com tema não saiba que não existe criança de Os anos” … Crianças de até 5 anos, caramba.

Nele ainda: “Brasileira, que havia se tornado a primeira a chegar à final da competição, perde por 2 sets a 0, parciais de 7/6, 7/4 e 6/1”. Ih, puseram alguém que não entende de tênis pra escrever a respeito. É 7/6 (7/4), cara-pálida, (7/4) é o resultado do tiebreak.

Privei-me da prazerosa leitura do brogue…

Nova semana

Inaugurando com a lume 2: “A fala foi iniciada com Vanessa relatando que a liberação do corpo da filha atrasou porque um aparelho do Instituto Médico Legal estava quebrado.”. Hífen, escriba.

No compriendo: “Por Thayná Rodrigues — Rio de Janeiro”. Na nota seguinte: “Por Thayná Rodrigues”.???

Ih, jefe: “Como cada invólucro pesa, em média, entre 1,4 e 2,7 gramas,”. Mudaí: 1,4 grama e etc.

 Uma contribuição geúnica que foi aposentada no século passado: “É uma guerra ideológica a nível federal [na questão ambiental]. São interesses, siga o dinheiro. Estamos dobrando a aposta na estupidez nos EUA, mas não no estado da Califórnia”. Que lindo, só faltou usar a forma “original”, a nível de… Em nível, arqueólogo.

 MsC fazendo escola no grupo: “VÍDEOS: língua Estrangeira, fugas do tema e mais análises”. Xenofilia, geúnico? Por que a alta?

Mais criatividade na COP30! Chuva causa alagamentos em área externa da COP 30 em Belém e surpreende visitantes”. Os estadônicozinhos põem hífen, o geúnico pôs espaço! Olhar pros cartazes espalhados por Belém, em que em todos está COP30, nem pensar, né, atentos jornalistas?  No caso do g1, por enquanto, foi só neste caso.

 Terça

 Ih, tem mais gente imitando a MsC e suas caixas-altas sem sentido. É na “Folha”: diz o secretário Nacional de Assuntos Legislativos do MJ, Marivaldo Pereira.”. A caixa cresce de acordo com grau da função, escriba? Aqui o erro é outro: “Procurado, Derrite, que se licenciou da Secretaria de Segurança do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP),”. Da, escriba. Já aqui é igual ao primeiro: “O secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça,”. Pro escriba, Nacional, estadual deve ser em baixa, e municipal, como será? Diminuirá o tamanho da fonte, municipal?

 Fui atrás de uma explicação para o Nacional, está assim na página GOV.BR. Mas, lá constam também “Ex-secretário-executivo adjunto assumirá no lugar de Elias Vaz de Andrade. Nova secretária-executiva adjunta será Angelita da Rosa”, demonstração que não manjam nada de Gramática, o único secretário agraciado com hífen é o geral. E agora, José? Repete-se o erro, N, ou se escreve certo, n?

 Viva o uólico! A mancada é do capista e  do editante da matéria, o repórter escreveu certo: “Governo muda regras do vale-refeição: o preço da comida vai ficar mais barato?”

Não! Pode ficar mais baixo! Não aprendeu ainda que é a comida que pode ficar mais barata? E sem barata, de preferência.

Broguejando…

 Cheguei a pensar que passaria em branco, o “Estadãozinho” passou, mas o jefe estragou tudo, só deu ele:

 Ih, o jefe introjetou a MsC: “O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio decidiu que é inconstitucional a Lei municipal nº 3.058, de 2024,”. Qual a lógica de Lei em alta e municipal em bx?. De novo: “A Lei, de iniciativa da Câmara Municipal de Niterói e em seguida vetada pelo prefeito Rodrigo Neves,”. Por que em alta se está alone? Em outra: “Em setembro o MPRJ tentou impedir que a Cidade desembolsasse R$ 800 mil com show de Leonardo”. Em alta por que a cidade fica na serra, jefe? Tem dó: “O evento, organizado pela Prefeitura em parceria com o Conselho de Pastores Evangélicos de Teresópolis (COPETE),”. Mais leitura direta impossível, Copete, caramba.

Fechando o #12

 Abrindo a jornada como sempre, um estadônicozinho e o erro de sempre: “O diretor executivo de futebol do clube usou as redes sociais para dizer que “gênios são incompreendidos’’.”. Outros incompreendidos são os escribas que não sabem as regras gramaticais… Diretor-executivo, escriba.

 Dããã, geúnico:Segundo a Artesp, o motorista teria relatado ter sido vítima de um assalto por volta das 4h seguido de um sequestro, e que os criminosos teriam colocado explosivos no veículo.”. Não sabe o que significa “Segundo a Artesp”? Ela não sabe o que o motorista contou? E o motorista também não sabe o que aconteceu com ele? Mais abaixo no texto: “O Centro de Controle Operacional da concessionária SPMAR, que administra esse trechos do Rodoanel, informou que recebeu às 5h25 o chamado de um usuário, que tinha saído Acre em direção a São Bernardo do Campo, contando que tinha sido vítima de um assalto e, depois, de sequestro.”. O que é sair Acre? Sair ácido? Ah, do Acre… Repare só no que informa o CCO: “contando que tinha sido vítima de um assalto e, depois, de sequestro.”. Cadê o “teria”? Jornalismo derrapante…

 Miracolo, miracolo, o UOL não escorregou na pista: “Motorista contou à concessionária que foi sequestrado por três homens para um roubo de carga e obrigado a atravessar o veículo na pista.

 As informações são da Artesp e da SPMar. Outra hipótese apontada pela polícia é de que o caminhoneiro está “em surto”. Ele foi amarrado e uma bomba caseira foi colocada ao lado dele, informou a SPMAR, administradora da via.”. ¡Muy bien!

 Barrabás, não é só no brogue que a situação está brava, ó só no jornal “O Globo”: “Na visão do governo, tratam-se de pontos “inegociáveis” e que se não forem retirados,”. Uau, tratam-se trata-se de um erro primário. Mais um: O grupo discutiu o parecer apresentado na noite de terça pelo secretário licenciado de Segurança de São Paulo.”. Da, escriba. Pra fechar, a dúvida: afirmou o secretário Nacional de Assuntos Legislativos da pasta, Marivaldo Pereira.”. Pro “Implic” é n.

 Fechando com o brogue:

 Não, mistake! “Tradicional presépio da Glória já tem data para inaugurar”. O presépio vai inaugurar o quê? Para ser inaugurado, caramba. Ela, de novo: “Galinho de Quintino conta que chegou a usar escuda da escola de Nilópolis da camisa rubro-negra”. Escudo, viste? Mais: “Zico é um dos entrevistados da série documental ‘Neguinho da Beija-Flor – Soberano da Avenida’,”. Aspas duplas, cara-pálida, está no texto, não no título. Ela não cansa: “Apesar de ter sido interditado por dois órgãos da Prefeitura do Rio, o proprietário do imóvel nº 535 da Rua Alberto Woolf Teixeira, em São Conrado, continua realizando obras no local.”. O proprietário foi interditado ou proibido, nobre escriba? Tava demorando… “Os embargos emitidos pela Secretaria municipal de Urbanismo,”. Teve recaída… Municipal, MsC.

Chegou a lume 2: “A operação acontecerá na Road Show ERA BIM Rio 2025, que tem como parceiro o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ). O evento Road Show Era BIM acontece pela primeira vez no Rio”. Não era ERA? Mudou pra Era por quê? Ih, faiô! Na linha fina: “Severiano Braga reforça que está vigente o contrato da Fla-Flu serviços assinado em setembro do ano passado com concessão de 20 anos”. No texto: “A Fla-Flu Serviços tem contrato de concessão por mais 20 anos e pretende cumpri-lo.”. Cresceu a caixa, né? Mais dela: “Severiano Braga, diretor presidente do estádio,”. Foi influenciada pelos estadonicozinhos… Com hífen, escriba.

Não poderia faltar ele, o jefe: “O juízo determinou que um oficial de justiça vá até o local e cheque se ali ainda é endereço ligado à Cristiane Brasil.”. Caramba, jefe, a magistrada vai ficar uma fera com a transcrição! Justiça e sem a crase, viste?

Mais: “a ser cumprida no endereço explicitado(…) devendo o oficial de justiça verificar se tratar de endereço do executado. Fica, desde já, autorizado o oficial de justiça”. Jefe, falta espaço antes do parêntese e, de novo, Justiça…

 AVISO AOS LEITORANTES

 Não haverá “Mirando” na sexta, o próximo só na terça, 18.

Bom descanso!

 (CACALO KFOURI)


Legenda para “O blog do Ancelmo Gois”
 Jefe: ele.
Errador, Mister Caixa, Mister Crase: o editor Nelson Lima Neto – parece que ele se retirou do time.
Mistake, Miss Caixa, Miss Crase: a editora Fernanda Pontes
Vaga-lume 1: Rafael Timileyi Lopes
Vaga-lume 2: Thayná Rodrigues

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