A parceria com Martinho da Vila. Por Arnaldo Niskier
Posso proclamar o meu orgulho de ter feito com ele a música “Mulher sorriso”. Fui autor da letra e a música ficou por conta dele. Figurou no seu último álbum, editado pela Sony. “A vida é como uma dança, logo comigo de novo estarás” – diz a letra…

Não é de hoje, mas tenho grande simpatia pelo cantor e compositor Martinho da Vila. Agora, leio na “Folha de S. Paulo” que ele é autor do melhor disco já produzido no Brasil: “Canta, canta minha gente”. Como leigo, concordo inteiramente com a ideia.
Posso proclamar o meu orgulho de ter feito com ele a música “Mulher sorriso”. Fui autor da letra e a música ficou por conta dele. Figurou no seu último álbum, editado pela Sony.
“A vida é como uma dança, logo comigo de novo estarás” – diz a letra. E adiantei: “Sozinho eu me sinto largado, sem saber ao certo o caminho” E no final: “És claridade, poesia, seu beijo virá como o dia, que renasce em cada manhã”.
Ele gostou da letra e comprou a ideia de colocar no disco.
Martinho tem orgulho do disco “Canta, canta minha gente”. Lá estão músicas de grande sucesso, como “Disritmia”, “Renascer das cinzas”, “Visco de Jaca” e a faixa título. Martinho revela a sua alegria com o sucesso do disco, pois isso antes não era comum.
O seu álbum teve detalhes inusitados. Ele confessa que o seu êxito trouxe uma sonoridade incorporada e uma riqueza de detalhes que não era comum naqueles tempos: “Eu era muito boêmio, na ocasião, e aí pude fazer a música que refletia a minha realidade de beberrão. Queriam cortar a palavra “porre”.
Coisas da ditadura militar, mas isso não aconteceu. Fui pessoalmente discutir o assunto com os censores, dos quais os artistas tinham horror. Venci a parada. A música “Tribo dos Carajás” também incomodou o regime. Martinho se inspirou nos povos originários da Amazônia. Fez o samba para a escola de Samba de Vila Isabel, da qual Martinho é presidente de honra. Diz o cantor: “Fiquei pra morrer com a censura à obra.”
Fez também uma homenagem ao Vasco da Gama, seu clube do coração. E diz: “Tudo o que faço é porque gosto. Não faço nada forçado.”
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Arnaldo Niskier – Imortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Licenciado em Matemática e Pedagogia pela UERJ. Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ. Honoris Causa da Universidade Santa Úrsula.Comendador do Superior Tribunal do Trabalho.
