CHOCOLATE

Chocolate. Por Paulo Renato Coelho Netto

… Chocolate não se divide, se esconde. Pego de surpresa, em caso de partilha, o chocolate segue a lógica matemática do Pernalonga. Dois pra mim, um pra você. Três pra mim, um pra você. Quatro pra mim, um pra você…

 Chocolate
Chocolate não se come. Ele come a gente…

Que perdoem os místicos, os que se energizam sob as estrelas, os hippies de São Tomé das Letras, os que abraçam árvores como eu, os que usam jades e ametistas para equilibrar os chakras.

Nada supera o magnetismo de uma simples barra de chocolate.

O chocolate nasce com o dom da fosforescência. Ele brilha no escuro para ser encontrado e ainda tem o poder da telepatia ao te chamar no meio da madrugada. Ainda estou aqui.

Chocolate não se divide, se esconde.

Pego de surpresa, em caso de partilha, o chocolate segue a lógica matemática do Pernalonga. Dois pra mim, um pra você. Três pra mim, um pra você. Quatro pra mim, um pra você.

O chocolate causa hipnose no olhar.

O aroma vem junto e você começa a salivar como um dragão-de-komodo.

Com a delicadeza de um lobo da Tasmânia, a primeira dentada causa um estralo dentro dos ouvidos e o sabor toma conta dos sentidos com um tsunami de emoções.

Chocolate não se come. Ele come a gente.

Quando se vê, você está no meio de uma simbiose com ele.

O chocolate pode até aumentar as medidas do corpo, mas ele tem o poder de diminuir o peso da alma.

É uma experiência, um ímã.

Um pedaço de chocolate é um domingo de Páscoa fragmentado.

Ninguém chama chocolate de doce pelo simples motivo dele ocupar outro patamar.

Chocolate de verdade, feito de cacau. Na era fake, onde nada é o que parece ser, come-se bomba por bombom.

Na pirâmide, chocolate está no topo.

É a Ana de Armas do elenco.

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Paulo Renato Coelho Netto –   Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”.  Vive em Campo Grande.

 

capa - livro Paulo Renato

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